LEE CHRISTMAS- OS MERCENÁRIOS

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Os Mercenários haviam acabado de chegar de uma missão no México. Todos estavam exaustos, especialmente S/n. 

S/n era filha de Barney Ross, o chefe da equipe. Cresceu no meio daquilo tudo. Uma vez que sua mãe simplesmente largou-a na base dos Mercenários com apenas 5 anos, e sumiu no mundo. Ela estava acostumada a estar rodeada de homens suados, desequilibrados, brutos demais. E de alguma forma, ela aprendeu a ser assim também. Não era de demonstrar sentimentos, era fria na maioria das vezes. 

Os Mercenários andavam para dentro da base, com as armas pesando nos ombros, os uniformes sujos, os rostos com fuligem e sangue seco. S/n vinha mais atrás, Barney a ajudava a andar, provavelmente tinha torcido o tornozelo ou rompido algum tendão. 

-Você tem certeza de que não quebrou o pé? -Barney perguntou suavemente. 

-Eu consigo andar, dói, mas consigo. Então não, não quebrei, pai. -Ela respondeu com um sorriso fraco. 

-Você vai tomar um banho, e vai colocar uma compressa. -S/n revirou os olhos e bufou. -Sem bufar, mocinha. Não quero ver você machucada. 

-Pai, só foi uma torção de nada. Amanhã eu já estou melhor. 

-Você vai tomar banho, e colocar uma compressa. Ou eu mando o Christmas cuidar de você. -S/n respirou fundo e olhou para o pai com a cara emburrada.

 -Tá bom, pai. 

[...]

Os Mercenários estavam na sala de descanso, bebendo cerveja, comendo algumas besteiras e jogando conversa fora. S/n estava no quarto, com uma roupa leve, deitada na cama, lendo um livro com o pé machucado sobre alguns travesseiros com uma compressa de gelo sob o tornozelo. 

Do lado de fora, o som das risadas ecoava pela base. Era Ceazar rindo alto de alguma piada de Galgo, enquanto Gunnar e Toll Road discutiam quem ganharia numa briga entre um urso e um crocodilo. O cheiro de cerveja e batata frita vinha da cozinha, junto com aquele barulho familiar de latas sendo abertas.

S/n virou mais uma página do livro, mas sua mente não estava realmente ali. Era difícil se concentrar quando sabia que todos estavam se divertindo sem ela. Suspirou, ajeitou a compressa no tornozelo e se recostou melhor no travesseiro.

Poucos minutos depois, alguém bateu de leve na porta. Ninguém entrava no quarto dela, sem ser Barney. A não ser que quisesse levar um soco. 

-Tá acordada, princesa manca? -Era a voz de Lee Christmas.

-Depende. Veio trazer comida ou só me irritar? -Perguntou sem tirar os olhos do livro. 

A porta se abriu devagar, revelando Lee com duas garrafas de cerveja numa mão e um prato equilibrado na outra. -Um pouco dos dois. Posso entrar? 

-Entra. -Disse fechando o livro, em uma respiração funda. 

-Barney mandou eu ver se você ainda tá viva ou se já tá planejando fugir pela janela. -Ele entrou, deixando o prato e uma das cervejas sobre o criado-mudo.

-Como se eu tivesse essa opção. Mal consigo andar até o banheiro. -Respondeu. 

-Mesmo assim, conhecendo você, eu não duvidaria. -Ele se sentou aos pés da cama, com cuidado para não esbarrar no tornozelo dela.

-Engraçadinho. Sabe que não foi culpa minha, né? -S/n ergueu uma sobrancelha, fingindo estar ofendida.

-Ah, não. Claro que não. Foi culpa da escada, do vento, do destino... qualquer coisa, menos de você achar que podia pular de um telhado pro outro com o tornozelo torcido da semana passada.

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