Brian subiu as escadas silenciosamente, ainda refletindo sobre a conversa com Dominic. Ele sabia que a situação com Sn era delicada, e não queria pressioná-la, mas sentia que ela precisava de algum tipo de descontração, de um momento para si mesma. Ele chegou à porta entreaberta do quarto dela e bateu suavemente, como se respeitasse o espaço dela, mas ainda assim queria estar ali para ela.
-Sn? -Ele a chamou suavemente.
Ela estava debruçada na janela, olhando para a cidade abaixo. Não se virou quando ouviu sua voz, mas sua resposta foi tranquila, como se já esperasse que ele aparecesse.
-Pode entrar, não precisa pedir permissão.
Brian entrou lentamente, fechando a porta atrás de si com suavidade. Ele a observou por um momento. As luzes de Los Angeles se estendiam à sua frente. Ele não sabia exatamente o que ela estava pensando, mas sentia que precisava dar um passo para ajudá-la a respirar um pouco.
-Como você está? -Perguntou parando no meio do quarto dela.
Sn não respondeu de imediato, sua cabeça ainda voltada para o horizonte. Ela respirou fundo e, finalmente, se virou para encará-lo.
-Como eu deveria estar, Brian? Como todo mundo espera que eu esteja? Eu não consigo lidar com isso. Mia se foi e... e agora tudo está uma bagunça.
Brian deu um passo em direção a ela, seu olhar preocupado, mas calmo.
-Eu sei que nada disso é fácil. Eu só quero que você saiba que não precisa passar por isso sozinha. Eu sei que você está no meio de uma tempestade, mas... talvez sair um pouco de casa ajude. Só um pouco de ar fresco, para espairecer.
Sn levantou uma sobrancelha, um pouco surpresa pela sugestão. Ela estava tão presa ao seu próprio mundo e à dor que nem considerava a ideia de sair para espairecer.
-E você acha que vai me tirar dessa tristeza com uma simples caminhada? -Ela perguntou indiferente.
-Eu não estou tentando te tirar de nada, Sn. Mas um pouco de ar pode fazer uma diferença. O que você acha de darmos uma volta até o mirante de Los Angeles? Pode ser bom para você ver a cidade de outra perspectiva. Sem pressa. Só nós dois.
Sn olhou para ele, ainda desconfiada, mas algo em seu olhar suavizou. Ela sabia que Brian não estava tentando forçar nada, apenas oferecendo um momento de paz. Ela suspirou, a voz mais suave agora.
-Eu... não sei, Brian. Não estou exatamente no clima para sair.
Brian se aproximou um pouco mais, com um sorriso leve e amigável.
-Eu entendo. Não precisa decidir agora. Mas, se mudar de ideia, eu estarei aqui. Não precisa fazer nada sozinha.
Sn olhou para a janela mais uma vez. Ela passou alguns segundos em silêncio, como se estivesse pesando na proposta. A ideia de sair, mesmo que por um curto tempo, parecia tentadora, e talvez fosse exatamente o que ela precisasse para processar tudo o que estava acontecendo.
Finalmente, ela olhou de volta para Brian, decidida.
-Ok. Vamos lá. Talvez um pouco de ar fresco não faça mal.
Brian sorriu. Ele sabia que não era uma solução mágica para a dor de Sn, mas era um pequeno passo para que ela pudesse encontrar algum tipo de paz .
-Eu prometo que vai ser tranquilo.
Sn assentiu, ainda um pouco hesitante, mas disposta a tentar. Ela pegou sua jaqueta e seguiu Brian até a porta, onde ele a esperava com um sorriso reconfortante. Juntos, saíram da casa e caminhavam em direção ao carro, prontos para um pequeno passeio.
[...]
Eles chegaram ao carro, e Brian abriu a porta para ela, um gesto simples, mas que fez Sn se sentir um pouco mais à vontade. Ela entrou, e ele seguiu para o banco do motorista. A noite em Los Angeles estava calma, as ruas iluminadas pelas luzes da cidade, criando uma atmosfera tranquila. O som do motor do carro e a música suave que Brian colocou ao fundo eram os únicos sons que preenchiam o espaço entre eles.
Durante o trajeto, Sn se manteve em silêncio por um tempo, olhando pela janela, mas sem realmente ver nada. Ela estava tentando processar tudo o que tinha acontecido nos últimos dias, e sua mente estava em um turbilhão. A imagem de Mia, o sacrifício dela por Sn, ainda estava fresca em sua mente, e a culpa a consumia por não ter sido capaz de impedir a morte de sua tia.
Brian percebeu a tensão em seu corpo e, após alguns minutos dirigindo em silêncio, decidiu quebrar o silêncio.
-Você sabe que não tem que carregar essa culpa, não é? -Ele perguntou suavemente.
Sn olhou para ele, um pouco surpresa com a observação. Ela não havia falado sobre isso, mas parecia que Brian sabia exatamente o que estava acontecendo em sua mente.
-Mas foi minha culpa, Brian. Se eu não tivesse sido tão imprudente, Mia estaria aqui. Ela morreu porque tentou me salvar, e eu... eu não soube como retribuir.
Brian suspirou.
-Você não pode carregar isso sozinha. Não é sua culpa, Sn. Mia fez o que ela acreditava ser certo. Ela escolheu agir, e isso não tem a ver com o que você fez ou deixou de fazer. Ela te amava, e isso é o que importa.
Sn ficou em silêncio, absorvendo as palavras.
-Eu sei o que você está tentando dizer... mas, de alguma forma, tudo parece tão vazio agora. Como se o mundo tivesse parado, e eu não soubesse como continuar.
Brian sentiu uma pontada de tristeza ao ver o quanto Sn estava quebrada, mas ele sabia que ela precisava desse espaço para se recuperar.
-Eu sei que é difícil. Eu amava Mia também. E, quando tudo parece desmoronar, é fácil se perder na dor. Mas eu prometo que, mesmo que pareça impossível agora, o tempo vai ajudar. E você vai encontrar um jeito de seguir em frente.
Sn olhou para ele, e pela primeira vez naquela noite, um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. Mesmo que fosse tímido, parecia genuíno.
-Eu não sei como você consegue ser tão... calmo. E tão compreensivo.
Brian deu uma leve risada, tentando amenizar a tensão.
-Já vivi o suficiente para saber que não adianta tentar fazer tudo dar certo. Às vezes, tudo o que a gente pode fazer é estar presente para quem a gente ama, e espero que isso ajude de alguma forma.
Ele deu uma última olhada para Sn antes de voltar a se concentrar na estrada. Ele sentia que estavam começando a se entender de uma maneira mais profunda.
Logo, chegaram ao mirante. A cidade de Los Angeles estava iluminada abaixo deles, as luzes refletindo nas janelas dos prédios e nas ruas movimentadas. A vista era deslumbrante, e, por um momento, Sn esqueceu de sua dor, sentindo apenas a serenidade do lugar.
Brian estacionou o carro, e eles saíram para caminhar um pouco. Sn se aproximou da borda do mirante e olhou para a cidade. O vento suave a envolvia, e ela se permitiu, por um instante, apenas respirar. A visão da cidade a fez sentir-se pequena, mas ao mesmo tempo, foi como se ela estivesse vendo o mundo com uma nova perspectiva.
-Às vezes, parece que tudo está tão grande, e a gente é tão pequeno diante disso tudo.
Brian se aproximou, parando ao lado dela, e olhou para a mesma vista.
-Eu sei o que você quer dizer. Mas, sabe, o fato de você estar aqui, de estar tentando, de ainda estar respirando... isso é mais importante do que qualquer coisa. O mundo é grande, mas a nossa força está em continuar, mesmo quando tudo parece estar contra nós.
Sn olhou para ele, seus olhos suaves, e dessa vez, sentiu que não estava tão sozinha quanto pensava. Mesmo em meio à dor, havia algo de reconfortante no fato de que ela podia contar com alguém que a entendia, alguém disposto a ajudar a carregar um pouco de seu peso.
Eles ficaram ali por um tempo, em silêncio, apenas apreciando a vista. Sem pressa de ir embora, sem pressa de esquecer. O tempo estava se curando de forma silenciosa, e, embora a dor de Sn ainda estivesse presente, naquele momento, ela encontrou um pouco de paz.
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Imagines
FanfictionImagines sobre: Marvel; Velozes e Furiosos; Brooklin Nine Nine; Supernatural; E atores no geral!
