CAPÍTULO 15 - A TRANSMUTAÇÃO

488 69 8
                                        

Enquanto olhava a casa pela última vez, senti uma pontada de tristeza e saudade ao me despedir das memórias que ali haviam sido criadas. Os retratos de família na sala, agora emoldurados pela poeira do tempo, eram testemunhos silenciosos de uma vida passada, uma vida que agora parecia distante e transformada em uma mera sombra do que fora. Com um suspiro resignado, tomei a decisão de seguir em frente, deixando para trás as lembranças e me preparando para enfrentar o desconhecido com coragem e determinação.

—Victória! Vamos! —Brenda me chamou. Toquei na foto de Iris me despedindo e saí da casa sentindo uma pontada de tristeza. Caminhamos pela floresta em direção ao barco dos indígenas e no meio do caminho Nicolas aproximou-se de mim para despedir-se.

—Eu não queria fazer isto! —Disse ele deixando Alana para trás tentando acompanhar meus passos.

—Não entendo. —Respondi confusa, pois foi dele esta ideia insana de fugir.

—Não estou pronto para te deixar de novo.

—Ela sobreviveu! Pode fazer isto de novo! Não é mesmo Victória? —Alana me alcançou me intimidando. Decidida a não entrar em uma crise de briga com ela permaneci em silêncio, pois no fundo queria que Nicolas ficasse em segurança, ao meu lado estava bem claro que isto não seria possível.

—Sim, vou ficar bem e conseguir a cura.

—Por mim posso ficar no bunker a vida toda, não tem nada especial aqui fora. —Continuou Alana implicando, desta vez decidi revidar.

—Pode fazer o que quiser agora! É livre! Papai não está aqui para tomar as decisões por você. A cura é por mim e pelos os doentes e não por vocês que ficarão aprisionados sem ver a luz do sol. —Respondi deixando-a sem graça e apressei meus passos aproximando da índia, deixei os dois humanos para trás.

—Você está bem? —Brenda me perguntou.

—Acredita que podemos mesmo encontrar a cura? —Perguntei.

—Ethan comunicou que ela existe e agora nós temos a confirmação. Aqueles infectados não estavam matando por fome, estavam matando por guerra. Eles querem dominar o mundo.

—Por que pensa assim?

—Não está visível? A ideia de um mundo novo, sem as correntes da destruição, da ganância, da fome e das guerras, é simplesmente arrebatadora. Uma utopia tão almejada pelos corações humanos, mas que parece tão distante da realidade. Mas, agora, a possibilidade parece estar diante de nós. A esperança de uma nova era, uma era em que o equilíbrio e a harmonia entre todos os seres vivos e a norma, nos enche de um entusiasmo indescritível. Imagine um mundo com ar puro e limpo, com água cristalina correndo pelos rios e mares, sem animais extintos, sem florestas desmatadas. Um mundo onde a prosperidade é compartilhada por todos, onde não há mais pobreza nem desigualdade, onde o bem-estar coletivo é a prioridade. Essa visão nos faz sonhar com um futuro mais brilhante e nos enche de energia para trabalhar em direção a esse objetivo comum.

—Aonde quer chegar? —Perguntei sem entender.

—Tudo o que está acontecendo vai acabar logo. Não precisaremos encontrar nenhuma cura, ela já foi criada antes da Pandemia, é assim que ele vai agir!

—Ele quem? —A índia estava me deixando ainda mais desorientada.

—O cavaleiro. Você não vê? É o fim! É o apocalipse.

—Está falando do governo do anticristo? Acredita mesmo que é assim que tudo vai acontecer? —Perguntei.

—Já está acontecendo! —A completou.

—Estão próximos, estão próximos! —Um dos índios gritou correndo em nossa direção!

—Quem? —Perguntou a índia.

PROLIFERAÇÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora