Trajetória

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Chegamos ao portão da escola e o pulamos sem dificuldade, mas permaneço ainda meio confuso com a nossa fuga.

- Para onde vamos?

- Você saberá quando chegarmos.

- Como vamos para lá?

- Em um veículo muito emocionante, chamado ônibus.

Nós rimos e continuamos caminhando em direção ao ponto de ônibus. Ela segura o meu braço e caminha sorrindo e quase saltitando. Como alguém pode podem estar tão feliz e positivo depois de tudo o que eu disse para ela? Ela realmente não me entende, mas também não posso magoa-la mais, ela é doce e inocente de mais para isso. Eu só vou magoar se ficar aqui próximo dela.

Começo a me afastar dela, mas ela agarra meu braço e faz uma chave de braço com ele.

- Nem pense em fugir de mim, posso quebrar o seu braço, ou até mesmo arrebentar a sua cara se você fizer isso.

- Ok... - ela aperta ainda mais o meu braço- já entendi- enfim ela solta meu braço e me faz sentar ao seu lado.

- Se você pensar mais uma vez em fugir de mim eu arrebento a sua cara toda e o deixo irreconhecível- e logo após essa meiga frase, ela sorri simpaticamente para mim.

O ônibus chega, ela nem deixa que eu leia o itinerário que o ônibus está tomando, ela puxou a minha orelha até lá dentro, pagou nossa passagem e então entramos no ônibus. E o ônibus pareceu andar infimamente em 20 minutos, eu já não sabia em que parte da cidade eu estava, até aquela curva. Chegamos próximo à entrada da lagoa da cidade. Estávamos em Greenvile, o ponto alto de passeios para piqueniques. Não entendo o motivo que ela me trouxe até aqui, ainda mais pelo fato que nem estamos com nada para fazermos o piquenique.

- E ai?- ela pergunta- gostou?

- O que quer que eu diga?- falo meio que grosso, mas não intencional- você sabe que a maioria das pessoas que vem aqui são casais, e eu não quero nenhum tipo de romance nesse momento... - ela acaba minhas falas com um soco na cara.

- Se você não parar agora com essa babaquice, levará outro pior- ela me abraça naquele momento, não entendo o motivo, mas ela volta a dizer- não trouxe você aqui por isso, você só precisa esvaziar um pouco esses seus pensamentos.

Ela me arrasta até próximo à lagoa, olhamos nosso reflexo. Ela me conta à história que sempre quando está muito pensativa e triste, ela vem até essa lagoa querendo ficar sozinha e pensar, esvaziar a mente de todos os seus problemas. Ela olha para o seu reflexo na água e da uma inspirada forte.

- Meus problemas não são resolvidos assim que eu sei, mas é uma maneira que encontro de ter paz, pensar nas minhas atitudes e tudo sobre o que preciso fazer você precisa pensar nas suas ações daqui a adiante, você pode ter uma má recordação de todos os feitos que te aconteceram, e não, tudo o que te aconteceu não será passageiro, eu sei disso e não vou mentir para você. Mas você tem que pensar que a vida é bem mais complexa do que já aconteceu com você, pode vir coisas boas? Sim, mas também haverá coisas ruins a acontecer. Por enquanto vou indo embora, quando você pensar, venha até mim e me conte o que vai fazer daqui para frente.

Naquele momento, ela se levanta e sai de perto de mim, não só de mim, mas vai realmente embora daqui, na hora em que eu ia me levantar e me retirar também, eu vejo aquele reflexo, eu me vejo no reflexo, eu vejo o quão depressivo eu estou, e me viro para a lagoa olhar o meu reflexo. Fico horas pensando sobre tudo, até que reparo que já anoiteceu e percebo que tenho que ir pra casa. Saiu de lá, pego o ônibus e vou meio que voando em meus pensamentos. Ao descer do ônibus, eu reparo que não desci no ponto próximo de casa como o de costume, eu estou andando, mas não em direção a minha casa como deveria. Eu estou parado, mas não parado em qualquer lugar, estou parado em frente a casa dela, e ela está sentada na varanda a me esperar.

- Demorou- ela fala- e então, o que descobriu sobre si mesmo?

- Nada, eu só sei que tenho que pensar mais em quem eu sou, ou em quem eu vou ser. Por enquanto eu não tenho uma resposta fixa para você, mas Jenn, eu gosto de você, eu realmente gosto de você. Mas estou incapacitado de amar qualquer um agora, estou incapacitado de aprender esse significado, e... - ela se aproxima.

- E o que?

- Eu... - ela tampa completamente minha voz com aquele beijo, aquele beijo era bom, mas agora estou me proibindo de gostar dele, de ficar com o gosto dele. Ela para de me beijar- Jenn... Eu não posso amá-la agora.

- Não quero que me ame agora, eu vou te ensinar o verdadeiro significado de amar.

Ela se despede e volta para a casa dela. Eu me viro e caminho em direção a minha, vou direto para minha cama sem ao menos jantar. A única coisa que eu quero é deitar e refletir até dormir, e é o que eu faço. E nesse momento eu penso que a vida é uma trajetória, e eu nem cheguei ao meio da minha trajetória.

Por que infinito?Onde histórias criam vida. Descubra agora