Cortes

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Naquele momento eu não consigo mais segurar a faca, ela cai de minha mão, olho para os meus pulsos e eles ainda estão intactos, eu... Eu não consigo, eu não tenho toda essa força e nem vontade para fazer isso.

Nesse momento alguém bate na porta, eu só ligo o chuveiro para que possa abafar o som, mas continuam batendo com mais frequência e intensidade na porta. E eu só fico lá, sentado no Box com a água caindo em minha cabeça.

Quinze minutos depois eu percebo que já faz um tempo que eu não ouço mais ninguém batendo na porta, então decido sair do banheiro, tiro as roupas do meu corpo por estar molhada, pega a toalha e me seco, logo após me enrolo na toalha com a roupa e a faca em mãos e vou para o meu quarto, chegando lá reparo que Jenn está deitada em minha cama, quando ela olha diretamente para mim e solta um risinho eu reparo que ainda estou apenas de toalha, fico vermelho na hora e volta para o corredor. Ela sai do quarto.

- Pode ir lá pra dentro se trocar- Jenn fala- mesmo que eu tenha achado você uma gracinha assim.

Corro para dentro do carro ainda vermelho, fecho a porta e começo a me trocar. Cinco minutos depois ela bate na porta e pergunta:

- Já acabou ai? Se você ainda não tiver acabado terei que te ver de novo de toalha, pois estou entrando.

No momento que ela entra, eu estou acabando de colocar a camisa, e ela volta a se deitar em minha cama.

- Você é um desperdício de pessoa- ela diz deitada e de olhos fechados.

- Por que diz isso?- digo.

- Por que você é um garoto bonito, inteligente, legal e tal, mas não sabe amar, isso é patético para você.

- A única coisa que eu posso concordar com você é que eu não sei amar, fora isso eu não tenho a menor certeza.

- Deixa de se fazer de besta, ou você vai ter que botar aquela toalha seduzente de novo para eu te provar isso?

- Você é ridícula sabia?- começo a rir.

- Você não tinha um elogio melhor para dar a uma garota bonita não?

- Quando eu achar essa garota bonita pode até ser.

- Olha que sorte, você acabou de acha-la.

- Ela é invisível?

- Deixa de ser anta...

Naquele instante, ela se levanta da cama, pega meus pulsos e vem me arrastando até conseguir me jogar na cama. Ela joga o seu corpo sobre o meu, se aproxima de minha boca, e começa a beijar-me ao redor da boca. Isso é tão excitante, eu gosto dessa sensação que ela me faz ter, eu sinto a pressão que a sua boca faz ao redor da minha.

Ela dá uma investida rápida em minha boca para que eu não escape e se introduz dentro dela, estávamos bailando língua a língua, sinto minhas mãos segurando a sua cintura e ela cada vez mais próxima de mim. Ela acaricia meu rosto, e vem levantando minha blusa centímetros por centímetros, indo passo a passo, lentos e precisos.

- Quero que me diga agora, nessa situação que você se encontra atualmente, e me fale que não sabe amar, você está fazendo isso agora Luke, preste atenção.

- Sinto muito, paro tudo e me sento na cama, eu não devia estar usando você para isso agora.

- Como assim?

- Eu realmente agora não estava te amando, eu simplesmente estava esvaziando a minha mente de qualquer pensamento que me foi preenchido hoje o dia todo.

Nesse momento ela me dá um tapa, e simplesmente se levanta da cama e vai embora.

Eu entendo os sentimentos dela, mas eu ainda não sinto o mesmo, não consigo sentir o que ela sente por mim. E hoje eu a magoei, e isso era algo que eu nunca lhe quis fazer. Minha vida não tem cortes das partes ruins, eu tenho que conviver com o lado bom e o ruim de tudo.

Decido levantar da minha cama e correr atrás dela, não posso magoá-la, eu preciso no mínimo cuidar dela. E eu... Eu... Não quero que ela se vá, eu a quero ao meu lado, isso ainda não deve ser amar, eu também não quero vê-la sofrer mais, eu só preciso protegê-la, mas eu sou o pior perigo para ela, eu devo ser o seu pior inimigo, pois eu também sou meu pior inimigo. Eu me odeio como gente, eu me odeio como um ser humano, e por isso eu acho que eu não devo ser um.

Nesse mesmo momento ouço um barulho de uma ambulância chegando. Corro até a porta, quando olho no meio da rua, vejo um carro parado, seu capô está manchado de sangue, quando olho para próximo de suas rodas eu não acredito no que vejo, meus olhos estão lacrimejando e corro até lá...

Por que infinito?Onde histórias criam vida. Descubra agora