Passado algum tempo, Ricardo parou o carro, a ausência do movimento acordou-me. Sentei-me e olhei para a janela, estávamos estacionados ao lado de um grande edifício, e ainda com sono, porém super entusiasmada perguntei-lhe — Já chegamos?!?! —
Com uma cara de satisfação ele respondeu-me — Já! — enquanto desligava o carro. Logo a seguir o seu telemóvel tocou, pelo som, era uma mensagem, ele tirou-o do bolso, respondeu à mensagem, vestiu o seu casaco preto que estava pendurado na parte traseira do seu banco, por fim desceu do carro e dirigiu-se à minha porta, abriu-a e deu-me a mão para que eu descesse também...
Agarrei na minha bolsa e desci do carro — Aonde é que estamos? — perguntei-lhe muito intrigada..
— Muito longe do centro da cidade mas ainda em Luanda.. — Respondeu-me.
— É a primeira vez que venho aqui... — disse-lhe enquanto analisava tudo o que estava a minha volta... Árvores por todo lado, um edifício gigantesco no meio do nada...
— Aqui só há este prédio? Nada mais ? — Perguntei-lhe.
— Não! Este edifício parece estar isolado, devido ao tamanho do terreno em que foi construído, mais além há muito mais! (Risos) —
"Ah, bom!" Pensei comigo mesma...
— Vamos... À entrada é já aqui... — Disse-me ele enquanto segurava na minha mão... Íamos dirigir-nos à entrada do edifício mas antes de lá chegarmos passamos por três seguranças, que assim que nos avistaram, levantaram-se e vieram na nossa direção... A seguir apercebi-me de que reconheceram o Ricardo. O segurança mais robusto, apertou-lhe a mão e disse — Menino, nunca mais o vi por aqui... Aonde é que tem andado? Como vai você? — Os três pareciam estar muito felizes com a presença dele, obviamente já se conheciam ...
— Vou bem, senhor Silva! E Você, como vai ? — disse ele muito educadamente... Cumprimentou os outros dois seguranças: "Senhor Pedro e senhor José". Apesar de serem mais baixos e mais magros em relação ao senhor Silva, notava-se que eram da mesma faixa etária.
Eu estava muito alheia à situação e já começava a pensar numas quantas perguntas para fazer assim que tivesse uma oportunidade.
— Como vão as coisas por aqui? Tudo tranquilo, né ? Nada de assaltos e vandalismo? — Perguntou-lhes...
— Ôh! – Disse o senhor... — O menino Ricardo sabe como são as coisas aqui... Nessa altura do ano a zona fica um bocado movimentada mas é básico. Veio passar o final de semana? — Perguntou o Senhor José.
— Bom... Ainda não sei. Depois eu e a minha namorada decidimos.. Por agora, vou apenas mostrar-lhe uma coisa... Lá em cima! — Disse ele enquanto me puxava para junto dele.
— Meus senhores, deixem-me que vos apresente: Nera Marine, minha namorada! —
Encabulada com a situação, tentei ao máximo não parecer esquisita... Abri um sorriso e disse que tinha muito gosto em conhecê-los. "E de facto tinha... Eram senhores simples e encantadores."
— Muito bonita! — Disse o senhor Silva.
— Tenho igualmente muito gosto em conhecê-la! — Disse-me o senhor José.
— Gosto mais desta moça. É negra, linda... É da terra! — Disse o senhor Pedro ao Ricardo.
Eu engoli em seco... Continuei a sorrir e a arquivar as mil perguntas que me surgiam à mente.
Ricardo pareceu-me ter ficado um pouco constrangido com o que dissera o senhor Pedro. Segurou-me na mão e disse — Nós temos que ir andando. Os elevadores já estão a funcionar? Na última a vez em que cá estive, estavam para ser reparados...—
— Já sim, menino! Faz tempo... — Respondeu-lhe o senhor Silva.
— Ok. Então, até mais !! —
Despedi-me deles também e finalmente fomos para o interior do edifício... Passamos por uma enorme porta giratória que levou-nos à uma sala igualmente enorme e "deserta"... O tecto era dourado e reluzia, dava pra ver o meu reflexo nele, embora que desfocado, com três grandes lustres em fila. Do meu lado direito, bem encostado à parede estava um balcão, que à abrangia toda.
Do meu lado esquerdo estavam sofás e assentos, acompanhados de pequenas mesas de centro, uma típica ala para se sentar e relaxar enquanto se toma um cafezinho e lê-se o jornal ... Há uma grande porta na frente da ala dos sofás e nessa hora eu começo a perguntar-me aonde será que ela vai dar, porém, na nossa frente estão dois elevadores, sei que é pra lá que iremos..
Dirigimo-nos ao segundo elevador, Ricardo apertou o botão e as portas logo se abriram — Isto significa que a última pessoa que usou o elevador, veio cá para baixo.. — murmurou ele...
Assim que as portas se abriram, entramos para o elevador, cinzento escuro, com um grande espelho. Ricardo marcou o número 22 no comando do elevador. "Parece que vamos para o vigésimo segundo andar!" Pensei comigo.
— Isto é algum tipo de hotel ou coisa parecida? — perguntei-lhe.
— Não! Aqui encontras salas de estética, meditação, escritórios de empresas, advogados e mais, salas de massagens e etc.. Este edifício foi criado para dar espaço à quem quiser criar... O núcleo do projecto não se resume só nisso, é bem mais complexo, mas a finalidade deste edifício é quase unicamente esta! — Respondeu-me.
— E o quê que tu tens a ver com isso? Porquê que os guardas te conhecem tão bem? Costumavas vir muito aqui? — "Acho que sim, e pelos vistos vinha com a sua namorada..." Murmurou o meu subconsciente.
— Este edifício é uma das primeiras filiais da empresa da minha família, da qual o meu pai é sócio e um dos fundadores, ele e 3 dos seus irmãos mais velhos... Venho para aqui desde que me conheço por gente! — Respondeu-me..
— Mas.. Aqui é no meio do nada!!! Como é que estes escritórios e as outras alas são frequentadas? Por quem? —
— A empresa disponibiliza o espaço... São 22 andares e cada andar é composto por vários compartimentos, cada um dos compartimentos tem pelo de 3 à 5 salas espaçosas. Normalmente, outras empresas e alguns particulares recorrem à esta empresa, porque precisam de um espaço para dar formação sobre uma determinada área à algum grupo de pessoas, ou porque precisam de concluir alguma pesquisa, entre outros motivos... — Respondeu-me.
— Estas empresas e particulares alugam os vossos espaços mediante um valor estipulado segundo o tempo de uso dos mesmos, certo?! —
— Certo! E pagam assim que assinam o contrato! — Disse ele..
"Cruzes !!! Deve ser muito trabalhoso fazer com que isto dê lucros... Deve ser duro!" Pensei...
— sem dizer que também existem algumas alas atrativas por aqui... Há um restaurante no rés do chão, um no 5º andar e outro no 12º. Tem um salão de beleza no 1º andar e outro no 6º(...) — Antes mesmo que ele acabasse a sua breve explicação, cortei-o e disse: "Tu sabes quais são os andares em que acontecem todas as actividades neste edifício gigante???"
— Conheço isto como a palma da minha mão! — Respondeu-me.
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Um amor premeditado
Romance"Um amor premeditado" é o título de um drama/romance erótico que conta a história de amor vivida por dois jovens amantes(Ricardo Bettencurt e Nera Marine. Eles se conhecem na universidade (não especificada ainda) quando ela entrou para o 1º ano de...
