Saímos da cozinha... Ricardo ainda estava meio cabisbaixo. Ao passarmos pela sala, eu parei, peguei no meu telemóvel e pus no bolso da camisa e disse: "Posso fazer-te uma pergunta?"
Ele olhou para mim receoso, hesitou responder-me e disse: "Depende... acerca de quê?"
"Bom.. Não quero que te sintas desconfortado mas, a questão tem a ver com essa coisa que tu não queres partilhar comigo. Quer dizer, eu acho que tem a ver, se de facto tem mesmo a ver ou não, isso vai depender da tua resposta." - Disse eu enquanto segurava nas mãos dele, balançando-as de um lado para o outro, no intuito de deixá-lo menos tenso.
Ele hesitou em aceitar que eu lhe fizesse a questão, parecia agoniado mas ao mesmo tempo curioso, então respirou fundo e disse: "Ok, faz lá a pergunta."
Soltei as mãos dele e disse: "A pessoa que ligou-te a pouco, quando saímos do banho, é a mesma pessoa que esteve a ligar-te a manhã toda?! Se sim, essa pessoa tem algo a ver com o teu "segredo"? E porquê que preferes ignorá-la em vez de atendê-la?"
Ele pareceu-me meio perdido a princípio... Aproximou-se da escada e disse: "Não seria só uma pergunta?" E logo depois começou a subir as escadas.
Eu fui atrás dele e enquanto subia as escadas, disse: "Foi só uma pergunta, Ricardo."
Sem olhar para mim, ele respondeu: "Foi uma pergunta com alínea a), b) e c)."
"Ricardo, não me ignores.. Estou a tentar conversar contigo." Disse-lhe e parei no meio das escadas. Cruzei os braços e "fiz" cara de séria, para ver se ele me levava mais a sério.
A 4 degraus acima dos meus, ele parou, virou-se, olhou para mim e disse: "Ficas muito fofinha com esse vinco na cara." (Risos)
Eu não pude evitar o rubor... O que dizer?! O poder dele sobre mim é indiscutível. Ele sempre consegue ter sobre mim o efeito que pretende com as suas atitudes.
Contive as borboletas no estômago, revirei os olhos em descontentamento e disse: "Tu não podes fazer sempre isso... Tento conversar contigo e esgueiras-te sempre, sempre e sempre. Porquê?"
Ele deu-me as costas e continuou a subir os degraus. Fiquei especada na escada com a tampa prestes a saltar, respirei fundo e insatisfeita, fui atrás dele... Entrei para o quarto dele e vi-o deitado na cama, de barriga para cima, com uma almofada na cara...
Pus as mãos na cintura e permaneci de pé, afrente da cama: "Ricardo Bettencurt!" - Chamei por ele com autoridade.
Ainda com a almofada na cama e sem vontade nenhuma, ele respondeu-me: "Eu não vou discutir contigo."
- "Mas eu não quero discutir contigo, quero perceber o que se passa."
- "Não se passa nada!"
"WTF?!" - Disse-lhe num tom indignado.
"Ainda há pouco tempo disseste que não podias confessar-te por medo de me perder e agora dizes que não se passa nada?! Tu estás parvo ou estás-te a fazer?!"
Ele tirou a almofada da cara e disse: "Estás a enervar-te desnecessariamente." - Olhou para mim e disse: "Na hora certa, saberás de tudo. Tem paciência e acredita em mim."
"Quando será a hora certa então?! E se demorar muito? Não vês que esta treta deixa-te inseguro? Não vês que com a tua insegurança tu acabas sempre por magoar-me?"
Friamente ele respondeu: "A hora certa será quando eu achar melhor!"
Naquele momento saltou-me a tampa, eu estava mais do que farta do comportamento dele. Sem dizer uma única palavra, dei meia volta e comecei a procurar o meu vestido, estava no chão entre a cômoda e a cama, fui até lá, peguei nele e comecei a despir a camisa dele, tirei o meu telemóvel do bolso da camisa e pousei-o encima da cômoda. Espantado, ele olhou para mim e perguntou: "O quê que estás a fazer?!"
"Estou a vestir-me." - Disse-lhe enquanto vestia o meu vestido.
Ele pôs-se sentado na cama e disse: "Vais-te embora?! Não era suposto passarmos a tarde juntos?"
"Era até as tuas atitudes me terem feito mudar de ideias..." - Respondi-lhe enquanto descalçava as meias...
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Um amor premeditado
Dragoste"Um amor premeditado" é o título de um drama/romance erótico que conta a história de amor vivida por dois jovens amantes(Ricardo Bettencurt e Nera Marine. Eles se conhecem na universidade (não especificada ainda) quando ela entrou para o 1º ano de...
