E mais uma vez meu dia se inicia. Porém, hoje foi um pouco diferente.
Estou acostumada a acordar em torno das nove ou dez horas da manhã e hoje acordei seis horas. De fato, é um pouco estranho.
Mas deve ser por conta do meu pesadelo. Meus pais.
Eles não têm sido um exemplo de casal. Brigam o dia todo, quando um está quieto o outro vem e "cutuca". Francamente, nunca achei que o casamento deles chegaria a esse ponto crítico.
Por esse motivo que eu acho que nunca vou casar. Mas aí entra a questão: nem todos casamentos são iguais. Ok, eu sei. Mas tenta raciocinar comigo. O casal que deveria servir de exemplo, é o mesmo casal que planta em mim o medo der ter um relacionamento parecido com os deles.
Eu sempre penso em como eu quero que seja meu casamento. Sempre penso naquela cena clichê em que o marido sai para trabalhar, a esposa arruma a gravata, dá um selinho e o marido vai trabalhar feliz.
Sei que essa perfeição toda está somente no comercial de margarina.
Eu me declaro uma romântica incurável. Gosto de clichês. As vezes me pego pensando no momento em que aquela pessoa me pedira em casamento.
Calma, calma, calma. Pra começar, antes de noivar tem que namorar. Mas e aí? Cadê o namorado?
Isso mesmo. Não tenho namorado.
Acho que estou precisando de um psicólogo, porque existem horas em que eu desejo, do fundo do coração, um namorado, em outras, agradeço a Deus por não ter nenhum.
Estou na fase da carência. Toda demonstração de afeto e de carinho já me fazem apaixonar. Mas é nessas horas que eu tomo cuidado. Se tem uma coisa que aprendi é que a carência faz você enxergar amor onde não tem.
Digo isso por experiência própria.
Sabe, hoje estava me lembrando do dia em que meu vizinho deu em cima de mim. Haha. Que dia.
Eu estava na fase Pego mas não apego. Mas que na verdade eu não estava pegando ninguém.
Enfim, eu estava conversando com ele enquanto descíamos a rua de casa quando a minha curiosidade fala mais alto.
-Você está namorando não é mesmo?- pergunto na cara dura.
-Na verdade não mais.- diz sem jeito.
-O que houve?- eu não consigo me conter.
-Eu não gostava dela, não achei certo engana-la.
-Fez bem.
-Eu gosto de outra.- neste momento imagina a cena em que a pessoa olha no fundo dos seus olhos como se contasse tudo pelo olhar.
-Ah sim.- digo não querendo puxar mais assunto.
E então desde este dia ele sempre tentava uma coisa nova. Como por exemplo o dia em que ele me perguntou se eu pretendia namorar.
Eu fiquei com dó dele.
Eu respondi tão ríspida.
-Não. Eu não tenho paciência pra namorados. E se eu namorar terei que ter responsabilidade, uma coisa que eu realmente não gosto. E tem outra não vou poder sair na hora que eu bem entender. Pra falar a verdade acho namorados bem chatos.
E então ele nunca mais tocou em assunto de namorado. Graças a Deus.
Você deve estar pensando que ele é feio ou coisa do tipo. Na verdade não. Ele é bonito. Uma beleza natural. Pele queimada pelo sol, cabelos ondulados, sorriso maravilhoso e olhos intimidantes.
Depois das nossas conversas sobre namoro, nunca mais fui na casa dele, afinal nossas mães são amigas. Até hoje a minha me pergunta porque não quero mais ir lá.
Talvez ela não precise saber disso.
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Minha Doce Vida
Non-FictionNão é um livro comum, posso afirmar. Tudo que aqui está relatado são fatos reais e que aconteceram comigo. Nenhum nome aqui presente é real. Fora do livro, os nomes são outros. Fiz isso pois não quero expor nenhum personagem (exceto claro, eu). _...
