Capítulo 9

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Dirigi por algumas horas até o amanhecer do dia e lá estava eu, de volta a minha "vida real". Não passei na minha antiga casa, não havia nada lá, eu levei tudo quando fui morar perto de Jace e a casa foi colocada para alugar. Segui direto para galpão onde ocorriam as reuniões da máfia, talvez alguém de lá saiba alguma coisa.

Acabei escolhendo o dia e a hora certa para voltar, assim que cheguei, encontrei vários integrantes reunidos e um superior, o cara estava sentado na cabeceira da mesa e de costas para todos e com dois seguranças ao lado, só poderia ser o "Poderoso Chefão".

Entrei e esperei o barulho cessar para tirar as minhas dúvidas. A mesa que tinhamos no galpão era enorme, a típica mesa de madeira de uma família extensa e era isso que nos éramos. Sentei em um dos espaços vagos e fiquei encarando aquele homem na posição de soberano, de costas para toda aquela confusão esperando os homens se acalmar, pode ser impressão minha, mas eu acho que já o conheço.

- Silêncio todos. - Pede pacientemente um dos integrantes.

De repente aquela figura exalando autoritariedade se levanta e vira para nós, os subalternos. Eu o conhecia e percebi a indiferença e arrogância no seu olhar de soslaio para nós. Minha Nossa Senhora dos Mafiosos, como isso pode ter acontecido? Eu estava prestes a dar um ataque, se não tivesse informações importantes que eu precisasse extrair, antes de sair em disparada para tirar o Taylor da "forca". Logo começa o discurso.

- Meus queridos, como todos já sabem o cara responsável pela comunicação, entre vocês e o chefão, está morto. Desde ontem pela manhã que ele saiu para um serviço e não voltou, mas enfim, hoje estou aqui para fazer um pronunciamento. Eu, Noah, sou o novo "chefe" de vocês e para que não reste dúvidas, sou o braço direito do Bourne também. - Fala com um sorriso maléfico nos lábios.

O silêncio perdura alguns segundos e as palmas surgem tímidas entre cochichos. Eu ainda estava sem entender, o que foi que esse cara disso?
Para tudo, ele é o Noah? O Noah que já ficou comigo quando eu tinha 20 anos? O primo do Dean Donavan?
E ele disse que Taylor está morto desde ontem, mas como se ele falou comigo hoje?

Tem algo muito errado ai. Esse cara que estava falando se parecia muito fisicamente com o Noah que eu havia conhecido há alguns anos, mas não se assemelhava nada em personalidade. Como pode aquele menino doce e romântico que passou pela minha vida a dois anos atrás ter se tornado isso ai?
Na verdade, acho que nem ele me reconhecerá quando ver que eu também me tornei parte desse buraco e assim como eu, ele deve ter tido motivos fortes para está aqui. Retorno a razão quando lembro que estou perdendo tempo e provavelmente estou perdendo Taylor também.

- Licença. - Peço permissão para falar. - Eu discordo. O Taylor está vivo, eu sei que está, precisamos encontrá-lo antes que seja tarde demais. - Falo ofegante.

- Ava, minha querida e doce Ava Cooper. Senti sua falta, pensei que estivesse em uma missão de extrema importância para nós, mas já que veio nos visitar seja bem-vinda ao lar, não tinha tido a oportunidade e desde que chegou aqui eu venho querendo fazer isso. - Sorri para mim com malícia.

Ok. Aquele não era o Noah que eu havia conhecido e agora eu já tenho a certeza. O que ele se tornou com certeza não é nada que eu queira por perto. Certo que eu sou uma matadora, mas ele tá com uma super cara de psicopata, doente mental e isso eu não sou não.

- Noah por favor, já que você manda agora aqui, posso pedi diretamente a você, eu preciso de armas e alguns homens, só isso. Estamos perdendo tempo aqui, ele pode está vivo. - Falo quase implorando para que ele responda que "sim, vamos lá", mas ele apenas continua a sua ironia mordaz.

- Sabe o que eu acho? - Pergunta me encarando sério, enquanto todo os outros assistem calados. - Acho que ele não está mais vivo, porém se seu subconsciente diz que ele está bem, boa sorte, pode procurar; mas nenhum homem meu sai daqui para enfrentar a sua falta de sanidade mental. O Taylor foi mandado para um cartel Russo antes de iniciar o expediente, com outro dos nossos melhores homens, para eliminar um cara e um segurança, se precisasse, e não voltou. Era uma missão fácil, dois a dois. Ele era um incompetente minha linda, se ele está na pior agora é porque está assumindo as consequências dos seus atos, só isso. - Fala sorrindo, se se importar em demonstrar que se diverte com a situação.

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