Ele passou suas mãos vagarosamente em uma polpa da minha nádega e o simples contato deu um arrepio na minha espinha, eu sinceramente nem sabia mais o que pensar de tão nervosa que estava, a cane com certeza não era um dos meus equipamentos preferidos, ele sempre o usava nos meus castigos, por ser o que eu não gostava de sentir na pele, por mais que deixasse marcas lindas, era com certeza o mais doloroso para mim, o meu maior medo era chegar ao meu limite e não conseguir falar minha palavra de segurança, afinal todo esse jogo era consentido, se não gostasse era só falar ela, mas não gostava muito disso, eu me sentia um fracasso para ele, queria ser uma submissa boa pra ele, que lhe desse orgulho, não uma que quando os limites eram testados desistia, eu tinha que ser forte.
O prazer do meu dono era sempre uma prioridade, então aceitaria as consequências por ter feito algo tão grave, eu normalmente não gostava de pensar no meu prazer, porque ele não importava, era no prazer dele que eu tinha que pensar e por isso tinha dificuldade de falar minha palavra de segurança, desde o começo o meu dono percebeu isso, ele já me falou que um dia iria testar isso mais profundamente e eu sempre tenho medo por que ele falou que não iria me avisar quando, eu só sabia que ele faria, então sempre que começávamos eu ficava ansiosa pensando ser naquela seção, mas eu não queria falar aquela maldita palavra, será que era tão difícil entender que eu ficaria pior no momento que falasse porque me sentiria fraca demais?!
Era isso que se tratava a confiança, confiar que seu dono saberá seu limite, não é? Eu não tinha que falar nada, eu não tinha que ficar reclamando, mas em um único dia meu dono havia me empurrado a ponto de eu usar a minha palavra de aviso, me odiei naquele dia, me senti insignificante e temia que ele fosse me deixar por isso, mas então ele me surpreendeu e cuidou de mim, pois tinha visto como isso havia me afetado, mas prometeu algum dia voltar nisso, não sei porque, eu não estava ali para ter prazer, ser submissa para mim era aceitar viver pensando no prazer da outra pessoa, entregar-se completamente ao seu dono, sem barreiras e sem incertezas.
Ele pegou as cordas que já estavam preparadas na cama e amarrou meus pulsos, atentos a circulação se havia apertado muito, se estavam do jeito certo, mesmo o seu toque tão minucioso me deu um arrepio na pele, parecia haver um rastro onde sua mão tocava, ele me olhava nos olhos o tempo todo e perguntando se estava tudo bem, isso foi me deixando cada vez mais nervos, meu maior medo era que quando fosse castigada ele usasse algo que eu tinha falado que não suportaria. Ele abusar da minha confiança e fazer uma coisa insuportável pra mim, será que eu havia feito bem de confiar...
Perdida em pensamentos não percebi que ele havia terminado de amarrar meus pulsos e tornozelos e estava bem na minha frente olhando para mim.
--Isadora, olhe para mim
Ele falou com uma voz de comando, eu o obedeci e vi no seu olhar as respostas para as minhas perguntas, mesmo que eu o tivesse magoado, ele não passaria do limite que havia imposto.
Mas confiar em momentos como esse era difícil, a dor que meu corpo sofreria não era nada comparada a dor de saber que o havia chateado, tinha medo que minhas mancadas o fizesse desistir de mim, eu não era uma submissa perfeita, o meu orgulho sempre ficava no meio, sempre achei estranho ser submissa e ser tão orgulhosa, porém ao mesmo tempo que era assim gostava do sentimento de impotência, de não ter o poder sobre nada, de ser vulnerável à alguém, passei muito tempo negando a mim mesma de que era isso, mas depois acabei vendo que lutar contra era inútil.
Eu conheci meu dono em um momento difícil pra mim, ele me ajudou a entender os meus sentimentos de submissão, me fez entender que a dor me acalmava e que não devia me esconder dela, ele me guiou aos poucos, graças a isso atualmente sou fascinada por viver isso, depois de tudo que já vivi com ele, todos esses momentos só me dão a certeza de ser aquilo que no começo eu tanto temia, eu tinha medo de mim mesma, na verdade ainda tenho, ele me deu a certeza de que vivi no mundo errado esse tempo todo.
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Desejo Submisso
ChickLitMinhas percepções, poemas e contos de um mundo fascinante que poucos são corajosos o suficiente de entrar, e tornar reais as fantasias que tantas vezes temos e nem deciframos. Carregamos a chave de nossa essência conosco e a escondemos, achando que...
