Capítulo 7

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3º dia, domingo.

Acordei com um baque e corri em direção à sala. O dia já estava nascendo e Claire estava jogada no sofá, com a bolsa enrolada no pescoço e os sapatos espalhados pela sala. Fechei a porta e fui até ela. Toquei no seu braço:

— Claire, está tudo bem? Claire?

Ela não respondia. Já tinha presenciado cenas teatrais como aquela durante toda a minha adolescência e posso jurar a vocês que nunca vi a Lara naquele estado. Ela pelo menos conseguia falar, embolado, mas falava, e também andava se batendo pelas paredes até o quarto. Claire estava bêbada e completamente apagada.

Seu vestido curto estava um pouco acima de onde deveria e impulsivamente tentei baixar. Ela grunhiu e empurrou a minha mão. Senti vergonha pela minha ousadia e me recriminei. O que pensava que estava fazendo? É a casa dela e ela devia saber o que fazer. Arrependi-me mais uma vez por não a ter acompanhando, assim poderia pôr um pouco de juízo naquela cabeça. Beber até cair... Qual a graça nisto?

Ela foi escorregando do sofá em direção ao chão e eu a segurei. Carreguei-a delicadamente em direção ao quarto dela e ela enroscou os braços ao redor do meu pescoço, encaixando a boca bem próxima à minha orelha. Meu corpo reagiu instintivamente àquela respiração e tive medo de vacilar. Empurrei a porta do quarto com o pé e a deitei na cama. Não sabia se tirava o seu vestido. Tentei acordá-la mais uma vez e só tive de volta mais alguns grunhidos ininteligíveis. Olhei o relógio e eram 6h40. Fiquei admirando aquela linda mulher, bêbada e desmaiada à minha frente, e tive que controlar os impulsos de tocá-la. Dei as costas e saí, deixando-a sozinha e com privacidade.

Tomei um rápido banho frio para ver se o choque me trazia de volta à realidade. Pus uma camiseta e uma bermuda e fui à feira como havia planejado. O dia estava realmente lindo e o sol já aquecia a minha pele, revigorando os meus sentidos.

De volta, e já na cozinha, separei tudo o que precisava para preparar as receitas. Fui até o quarto dela algumas vezes, mas tive receio dela me flagrar espionando-a.

Por volta das 13h estava tudo pronto e eu já estava faminto. Tinha beliscado algumas frutas pela manhã, mas não iria aguentar muito mais tempo sem comer comida de verdade.

Ouvi o barulho do chuveiro e deduzi que ela tivesse acordado. Uns vinte minutos depois ela apareceu de cabelos molhados e vestida num roupão de banho cor-de-rosa. Estava com a cara ótima. Nem parecia a mesma mulher que chegara completamente desgrenhada.

— Bom dia, Gabe. Obrigada por me colocar na cama. Geralmente acordo com torcicolo por passar a manhã deitada torta no sofá. O cheiro está delicioso! O que preparou para a gente?

— Claire, você está bem mesmo? Achei que estivesse em coma alcoólico ou que alguém pudesse ter posto alguma droga na sua bebida.

Gargalhadas altas.

— Não, Gabe. Não precisa se preocupar. Estou bem mesmo e quero te pedir desculpas por deixá-lo preocupado. Bebi um pouco além da conta realmente, mas as minhas manhãs de sábado e domingo geralmente são assim mesmo. Já tenho um taxista de confiança, o Peter, que me pega no horário marcado e me traz direto para casa, sozinha e em segurança. Um dos rapazes da portaria me acompanha até aqui em cima e aí você já sabe o que acontece.

— Você bebe assim sempre que sai?

— Geralmente sim. Sou fraca para bebidas e foi a forma que encontrei de extravasar a pressão da semana. Você nunca bebe?

— Muito pouco e quase sempre socialmente. Até comprei uma garrafa de vinho branco, mas não deve estar com vontade de beber hoje.

— Quem disse? Adoraria uma taça de vinho e não vejo a hora de experimentar a sua comida.

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⏰ Última atualização: Dec 11, 2016 ⏰

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