Depois do nosso primeiro beijo, passamos a conversar mais sobre nós, fomos nos aproximando e criando uma certa afinidade uma com a outra.
Em meio a tantas conversas, surgiram perguntas, porquês, confiança, medo, amor...
Não sabia se esse tal amor seria aquele em que duas pessoas dividiriam toda uma vida, dividiriam propostas, planos, afeto, carinho, compreensão e fidelidade! O famoso para sempre.
Eu me perguntava se estava fazendo o certo, perguntava a ela se era isso mesmo que queria, e ela me dizia que sim.
Confesso que tinha medo de expor sentimentos em nosso meio, mas decidimos deixar rolar.
Meses depois, ainda não tínhamos assumido um relacionamento entre a gente, mas, sempre que dava, ficávamos juntas, nos beijávamos e nos abraçávamos.
Cristina passou a ficar comigo e minhas amigas durante os intervalos, e eu amava vê-la ao meu lado, sorridente, sem que ninguém soubesse o real motivo de ela estar tão presente.
Nesse meio tempo, lembro que teve um dia na escola em que não teria aula. Não me lembro do motivo, mas não teve.
Como de costume, fiquei com minhas amigas tocando violão no pátio, enquanto alguns professores estavam reunidos, decidindo o que fazer com os alunos ali presentes (tudo para não nos liberar, incrível).
Foi então que alguns puderam decidir entre ver filme ou ficar na sala conversando. Foi aí que peguei meu celular e perguntei a Cris onde ficaria, e ela também não sabia.
Demos uma pequena fugida do pátio e ficamos a sós conversando, até que um beijo ali rolou. Ficamos sem graça quando uma de minhas amigas chegou ao local, mas ela já sabia de tudo.
Então, decidimos ir para a sala jogar conversa fora. Eu e Rafaela ficamos no violão, como sempre, enquanto Cristina discutia com uma das professoras por besteira. Lembro que ri incansavelmente nesse dia.
Fomos embora, e lá se foi mais um dia ao lado daquela que, por algum motivo, tirava sorrisos de mim e me fazia feliz só por estar ao meu lado.
Mas essa tarde não foi como as outras. Não nos falamos e nem tive notícias dela.
Já se passavam horas, quase no fim do dia, e nada de ela aparecer.
Fiquei preocupada e então uma mensagem havia chegado. Lá estava escrito:
“Cheguei agora em casa, estava em uma amiga e não tive como te avisar antes. Nos falamos amanhã na escola, beijo.”
Foi ali que pude então respirar sem preocupação e dormir em paz.
Passando-se um mês ou um pouco mais (não me recordo), a escola não teria aula por quase uma semana. Eu e alguns amigos tínhamos marcado de não ir à escola e ficar por aí sem fazer nada.
Nessa brincadeira toda, acabamos com a ideia de ficar em alguma praça do bairro, ouvindo nossas músicas e bebendo alguma coisa. Eu topei e disse que chamaria algumas pessoas.
No fim da aula, encontrei uma amiga e a chamei para ir com a gente. Ela, sem pensar, topou e disse que iria com certeza.
Foi chegando perto do dia e eu desistindo dessa ideia toda, mas essa última pessoa que chamei queria ir de qualquer jeito. Eu disse que não iria mais e que avisaria as amigas dela, que já estavam no meu pé, pedindo para cuidar dela.
Vendo que realmente não adiantou, no último instante resolvi ir junto, não só por ela, mas pelas ameaças que já tinha recebido caso acontecesse algo a essa garota.
Fomos à praça, conversamos, rimos e bebemos.
Conversa vai, conversa vem, e uma de nós diz:
— Vamos brincar de “bicho-bebe”? — disse Alice, sugerindo uma brincadeira entre nós cinco.
Claro, adolescentes que éramos, topamos tudo! (risos)
A brincadeira começou, e cada um que errava virava um copo da bebida. Após vários copos — e, quando digo vários, não me refiro a quatro ou cinco copos, era bem mais de dez.
Percebi que minha amiga Aline estava no ápice, no seu limite de beber, e então sugeri algo sem pensar:
— A partir de agora, o que a Aline ou eu errar, EU BEBO!
Aplaudida, ela me agradeceu, e continuamos a brincadeira.
Depois de quase duas ou três garrafas, as coisas foram ficando mais sérias. Line começou a passar mal, Rafaela tentava beijá-la, o casal que estava com a gente eu prefiro nem comentar, e eu não demorei muito para passar mal também.
Precisava pegar minha irmã na escola. Fomos para a praça que tinha de frente à escola dela e encontramos uns amigos por lá.
Nessa brincadeira, passei muito mal e me deixaram em casa. Preocupados, meus pais logo sacaram o que tinha acontecido e resolveram me levar ao hospital.
Com todo esse caos, a única coisa que me vinha à cabeça era minha amiga Aline. Queria saber dela, onde ela estava e com quem, mas nem com meu celular eu estava mais, não me deixavam pegá-lo.
Depois de um dia todo no hospital, em um quase coma alcoólico, voltei para casa e peguei meu celular. Nele, várias mensagens e muitas ligações de números que eu nem conhecia.
Avisei a todos que estava bem e viva, e, graças a Deus, Line também estava bem.
Não demorou muito, uma mensagem chegou dizendo:
“Onde você estava? Não te vi na escola, mas vi a Rafaela na saída e ela disse que você estava no hospital, mas não me deu detalhes. Me manda mensagem quando ler. Beijo.”
Fiquei bem mal com tudo que havia acontecido e expliquei a ela o que houve durante o dia e, no fim, tudo se acertou.
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Um amor proibido
NonfiksiUm romance entre duas garotas que não se conheciam e que, por algum motivo desconhecido, o destino acabou unindo durante o ano letivo. Ambas em salas diferentes, completando o ensino médio. Uma delas era hétero e, com o tempo, as duas passaram a viv...
