Há muito tempo, quando as cidades do interior do estado de Minas Gerais ainda eram pequenos vilarejos rodeados de muitas fazendas, em uma dessas vilas havia uma família cujo patriarca adorava cavalos e cavalga-los. O nome desse senhor era Ernesto. Um homem muito rígido, conhecido por seu semblante carrancudo e por frequentemente maltratar sua mulher e filhos. Tamanha era sua adoração por cavalos e sua crueldade com a família, que um dia em que Ernesto foi até uma cidade vizinha comprar uma nova sela para seu cavalo favorito, seu filho resolveu montar em um de seus cavalos e acabou acidentalmente caindo em um buraco de cerca e quebrando a pata do animal. Ao retornar para casa, Ernesto encontrou seu cavalo agonizando ao lado do filho que chorava pedindo para que o pai o perdoasse. Não hesitando em abater o animal com um tiro poupando-lhe o sofrimento, Ernesto pôs-se a surrar o rapaz com a chibata que usava para atiçar os cavalos deixando-lhe grandes vergões e muitos hematomas. Desse dia em diante, o filho passou a amaldiçoar amargamente seu pai rogando que ele nunca tivesse descanso quando chegasse no além-túmulo. Tempos depois daquele violento episódio, o pai estava cavalgando seu garanhão preferido quando misteriosamente perdeu o controle do animal que outrora tinha sido completamente domado. Em disparada à grandes trotes, o animal furioso não parava nem com grosseiros puxões de rédeas, trotando direto para um precipício pedregoso próximo dali. Ao chegar na beira o cavalo parou bruscamente, lançando seu cavaleiro penhasco abaixo matando-o instantaneamente com o pescoço quebrado e vários ossos fraturados. Até hoje acredita-se que a maldição daquele filho ressentido tenha sido ouvida, pois muitos relatam que em determinadas noites, quando as trevas tomam conta daquele lugar, o trote de um cavalo e o som de uma chibata a fustigar o animal podem ser ouvidos a rondar os arredores da casa onde a família de Ernesto vivia. Para muitos, esse é o espírito de Ernesto, que vaga a proteger a casa e as futuras gerações da família de espíritos malignos e gente mal-intencionada. Uma alma amaldiçoada e condenada por todas as suas crueldades, à privação de seu descanso eterno.
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Lendas Urbanas
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