8.NOVAMENTE

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— Amélia? — ele abaixou a mão que segurava a garrafa de água e virou seu corpo.

— Eu não pensei que estaria aqui. — não consegui encará-lo, até porque não estavam em meus planos encontrar com ele tão cedo e tão inesperadamente.

Por que isso só acontece comigo?

— Cheguei agora e entrei pelos fundos para fazer uma surpresa para o Alex. — Bill engoliu seco — O que você faz aqui?

— Estou esperando seu irmão para podermos ir gravar.

Ele semicerrou os cílios.

— Estão bem próximos, não estão?

— Nos tornamos amigos, só isso.

— Nós éramos amigos, Amélia. — cruzou os braços.

— A gente não tem que falar disso, já era para ter esquecido, pois eu esqueci. — fiz menção de sair dali.

— Mas eu não!

Porém não consegui controlar meu corpo e permaneci onde estava.

— Pois deveria. — soltei um suspiro pesado.

— Amor, eu já peguei... 

Foi como perder o sentido, a força, o chão. Ele havia trazido a namorada junto? O olhar dele se transformou, foi de acusatório para triste em um estalar de dedos.

—  Oi. —  ela nos olhou —  Está tudo bem por aqui? 

— Está. — respondeu não tendo coragem de me olhar nos olhos — Ally, essa é Lia Grey.

— Eu sei quem é ela. — Ally veio até mim e me cumprimentou — Adoro seus filmes, principalmente Collide. Você arrasa mesmo!

Ela era tão simpática e gentil. 

Mil vezes merda!

— Obrigada, você é muito bonita. Gostei dos sapatos. — forcei o meu melhor sorriso para não desabar ali mesmo.

— Sério? Obrigada. — Ally sorriu — Vou levar essas malas lá para cima, volto logo. — avisou pegando duas de uma vez e passando por nós, nos deixando sozinhos.

— Amélia...

— Não fala nada, está bem? Cala a merda da sua boca e não se dirija à mim. — apontei o dedo para ele e sai dali em direção ao banheiro do hall.

Logo agora que tudo tinha se ajeitado, minhas oscilações de humor haviam melhorado e o mundo conspirava ao meu favor. Logo agora que tinha parado de visualizá-lo toda vez que olhava para o Alexander.

É mesmo uma grande catástrofe acontecer isso tudo em poucos minutos. O pior é que eu não gostava dele, eu o amava, mas era inútil persistir, Bill não fazia mais parte da minha vida, pelo menos não como eu gostaria.

Me encarei no espelho e me perguntei qual a razão de alguém como eu merecer tantas coisas ruins assim... E tudo só parecia piorar com a porra do tempo.

Fiquei uns dez minutos dentro daquela droga de banheiro me recompondo, não queria que ninguém ficasse me encarando com pena, mas seria difícil esconder o motivo de estar ali dentro há tantos minutos.

Abri a porta e vi Alexander conversando com os dois, mas a atenção se voltou para mim.

— Estamos atrasados, Alexander. — fui até ele e falei, sem fazer muito contato visual com Bill.

— É, eu sei.

— Vou esperar lá fora. — avisei saindo dali e inevitavelmente tendo que passar ao lado dele.

And time goes by | Bill SkarsgårdOnde histórias criam vida. Descubra agora