Reconstrução

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Os olhos de Max passavam rápido pelos desenhos em suas mãos. O olhar dele era fácil de ler. Não estava nem um pouco convencido.

Mas esse sempre fora o Max. Ele era sempre do contra, sempre preocupado que as coisas dessem errado. Sempre com o olhar pessimista de que tudo era perigoso demais. Mas ela sabia que esse era seu papel. Ele era necessário.

Além disso, ela não conseguiria ir até o fim sem ele. Max era o melhor engenheiro que conhecia. Podia identificar uma falha de hardware muito antes de ela acontecer. Seus projetos nunca apresentaram uma única falha.

Sem ele, a PIIN poderia não ter sido criada com tanto sucesso.

Ela e Will calcularam e falharam várias vezes até submeter os números à proporção Fibonacci. E Max, talvez, seria o único engenheiro conhecido que poderia arranjar o Modelo NANITE dentro da sequência.

E ele não era apenas isso.

Engenharia foi sempre seu dom natural. Mas ele era um neurocientista incrível, quase tão especialista quanto ela. Mas apenas quase...

Eve era primeiramente formada em Física, mas depois se formou em bioengenharia genética.

Quando conheceu Will, estava pesquisando a construção de genes sintéticos. Fazer algo como isso requereria entender a matéria desde o átomo até os organismos pluricelulares.

A manipulação de células-tronco era grande parte do trabalho.

E havia tantas implicações dentro do seu campo de pesquisas. Ia da cura do câncer à combinação de genes para gerar embriões com determinadas características pré requeridas.

Uma vez lhe perguntaram se no futuro, seu trabalho serviria para que pais escolhessem as características de seus filhos por nascerem.

"Na verdade sim", dissera ela. A engenharia genética possibilitaria a manipulação de genes para que crianças nascessem louras com olhos azuis, ou negras com olhos âmbar. Além disso, a cor e tipo dos cabelos, tom da pele, altura, estrutura óssea, tipo sanguíneo e até mesmo inteligência poderiam ser arranjados através da combinação de genes específicos.

O propósito do seu trabalho nunca foi servir um cardápio para papais e mamães escolherem a aparência de seus filhos. Mas a manipulação e combinação de genes poderia fortalecer a raça humana e gerar pessoas mais fortes, saudáveis e que viveriam por mais tempo.

Isso poderia mudar o mundo!

Quando conheceu Will e seu pressuposto trabalho chato com inteligência artificial, Eve imaginava que ele fosse apenas um nerd que gostava de robôs. Apesar que, pensando nisso, ela imaginou como seria útil ter um robô-mordomo pessoal pra cuidar dos assuntos domésticos para ela.

Mas descobriu que a engenharia genética e a inteligência artificial poderiam ser o estopim para o salto do próximo estágio de evolução da humanidade.

Singularidade.

A Singularidade tecnológica, segundo Will, seria a capacidade de implantar isótopos ou nano-chips de alta densidade no cérebro e um dispositivo externo que se comunicasse, como um aplicativo de smartphone, e pudesse importar e exportar informações.

"Isso poderia implicar na cura do Alzheimer", dizia Max. Mas ia muito além disso.

A Teoria das Gerações do campo sociológico, explicava como o arquétipo do inconsciente coletivo moldou gerações inteiras e transformou o aspecto do mundo.

Os militares de 1960 geraram filhos, e eles eram em sua maioria, homens com profundos traumas e problemas psicológicos causados pela Segunda Guerra. Esse ambiente gerou a próxima geração de filhos, que quando alcançavam a maioridade, encontravam dificuldades em se ajustar e estavam sempre em locomoção; fruto de uma educação influenciada por homens problemáticos. Estar sempre em mudança era a forma que eles tinham para protestar contra o abuso psicológico e físico que sofreram.

Transcendence (Fanfiction History)Onde histórias criam vida. Descubra agora