As boas novas

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Os meses se passavam e Edgar não retornava ao seu lar, a corte que rodeava Catania soltavam seus burburinhos, alguns de felicidade outros de tristeza, mas era evidente que a mulher não estava mais sozinha, seu útero dava sinais de que algo crescia, mais uma vida. Muitos acreditavam que era a ultima chance da rainha ter um final menos triste, e muitos acreditavam que essa seria a ultima vez que a rainha seria vista em vida. Caminhando pelos grandes jardins de Arbolon, Catania acariciava seu útero que começava a dar seus sinais de existência, faziam exatamente 3 meses da partida de seu marido, e de alguma forma ela sentia que o homem estava a retornar ao reino, como seria a reação do rei ao saber que a rainha estava mais uma vez grávida?

- Tenho que te contar tantas historias minha criança - A mulher se sentava na grama, apoiando uma de suas mãos no chão e a outra permanecia em seu ventre, de alguma forma Catania queria segurar aquela criança, para que ela não se esvaísse entre seus dedos como seus irmãos. - Sinto que seu destino esta traçado. Eu fui prometida, não sabia a quem, mas tinha em mente que era para um dos príncipes de Octagron, então quando entrei no grande salão, já como noiva, me deparei com seu pai. Ele não era tão bonito quanto minha mãe falava, mas era educado, ele realmente era muito educado. - Suas mãos faziam carinhos circulares sobre a protuberância. - Vou deixar você escolher...

O sol sumia entre as nuvens, dando espaço a uma noite escura, sem estrelas no céu, os portões das grandes muralhas eram abertas e a rainha conseguia ver da janela de seu quarto seu marido retornando ao lar. A respiração da mulher ficava cada vez mais acelerada conforme escutava as vozes e os paços se aproximando do quarto em que ela se fazia presente, quase em apenas carne, pois sua alma flutuava ao redor de seu corpo para encarar sua feição de medo, nunca foi tão difícil falar a Edgar obre uma gravidez.

- Catania - O rei chegava perto da mulher. - Como é bom vê-la com saúde.

- E esperando vosso filho. - As palavras saiam da boca da mulher em segundos. - Esperando nosso filho.

- Pelos Deuses mulher - O homem se ajoelhava em frente a figura materna a sua frente. - Nós fomos abençoados. - Era difícil acreditar em tal reação. Abençoados ou amaldiçoados mais um vez?

A gravidez foi anunciada ao povo em uma tarde, e na noite do mesmo dia os presentes começavam a chegar, a corte agora com total certeza da boa nova se curvavam perante a rainha, amedrontada com toda aquela exposição Catania se retirou do grande salão comunal, preferia passar sua gravidez trancafiada e segura, do que entre pessoas que poderiam carregar a criança de mal agoro.

E assim se fez, o tempo passava e a rainha em seu quarto ficava, suas caminhadas mais longas eram até o jardim, suas conversas mais duradouras eram com o ser que ela carregava em seu ventre, Catania sentia em sua alma que tudo seria diferente, a criança pulava, se revirava, dando seu sinal de vida. Ela era forte, forte como um guerreiro que lutava todos os dias para vencer aquela batalha contra o tempo, que parecia engatinhar sobre ovos.



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