Digerir

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Marinette mexe suas pálpebras com dificuldade. Antes de qualquer sensação, um vazio a atingiu em cheio. Se permitiu abrir os olhos, e notou o outro lado do colchão vazio. Com o lençol remexido, e o cobertor evitando aquela área.

Seu cenho fica instantâneamente pesado, levemente. Ficou com os olhos repousados ali, respirando devagar, analisando o que antes sempre ficava desta forma, não ter sentido estar assim mais.

Sabia que isso aconteceria, mas não parou para pensar em nada. Aliás, nenhum dos dois.

Pousou o antebraço nos olhos. Ele tinha que pegar o avião de manhã cedo. Foi quando ela olhou para a janela, e viu que o dia continuava fechado. Por incrível que possa parecer, ela não acordou tarde. Talvez, tenha sido seu recorde sem um despertador.

Cenas da noite anterior rodando em sua cabeça, a fazendo ficar sem reação alguma. Cobre ainda mais seu corpo, e se vira. Movidos por um desejo inacessível antes, não pararam para pensar em nada que não fosse obedecer cada impulso de seus corpos.

Um sentimento estranho lhe tomou. Não tiveram consciência de metade de suas decisões durante a noite inteira. Desde que ele atravessou sua porta, a deixando literalmente sem fala.

Empurrou um pouco estes pensamentos quando um mais importante os atropelou. Uma sensação quente no peito, a deixando com um arrepio bom. Ela não evitou sorrir demais, e puxa o cobertor com mais força entre os dedos pela energia boa que lhe tomou. Afundou o rosto no travesseiro, emitindo sons histéricos e felizes.

.

Adrien ajeita o cachecol azul no pescoço. A fila do embarque estava rápida pela manhã.

Ele segurava na alça de sua mala levantada, enquanto mais um bipe se ouvia no prédio inteiro. O falatório não cedia, mas ele mal ouvia as vozes exteriores.

Uma sensação ruim o tomou assim que teve que deixar a cama de Marinette. O arrependimento gritando ao mesmo tempo que suas responsabilidades falavam mais alto. Não teria escolha.

Suspirou. O que aconteceu com certeza não foi uma decisão justa, com os prós e contras. Foi impulso. Foi desejo. No calor do momento, eles não pensaram em mais nada. Não se permitiram.

Não sabia se aquilo era algo bom. Para completar, ele teve que deixa-la. Talvez, acordarem juntos para conversarem sobre a noite que tiveram poderia amenizar um pouco as coisas.

Mais um aviso. Sua fila andou rapidamente, e ele arrastou a mala e o passaporte consigo. Entregando a moça com um sorriso singelo.

Ao entrar no avião, se sentou. Suspirou ao olhar para a janela. Estava deixando Paris novamente.

Xxx: Adrien? Adrien Agreste?

O loiro se virou para o assento do outro lado do corredor.

Adrien: Sim?

Xxx: Ah, fala sério. -Ele riu levemente. -Não se lembra de mim? Rick Rars, do clube.

Adrien: Ah... nossa, como você está? -O cumprimenta brevemente com um aperto de mãos.

Rick: Ah, estou indo, cara. -O olha de cima a baixo. -Ainda na carreira de modelo?

Adrien: É, pois é. -Sorri de canto ao impulsionar uma risada interna.

Rick: Tive que largar depois daquele acidente, no trem. -Suspirou.

Adrien: O... ? -Franze o cenho. -Mas fiquei sabendo que ChatNoir tinha amenizado a situação...

Rick: Bom, e foi. Mas sei lá, eu... vi que aquilo não era pra mim, sabe?

Adrien: Te entendo. -Comprime os lábios. -Está em que ramo?

Destinos EntrelaçadosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora