-E qual vai ser a data?
Samantha, como ela mesma preferia que eu a chamasse daqui para frente, tomava uma garrafa de coca-cola diretamente da boca, sem tirar os olhos de mim nem por um segundo. De vez em quando, ela apenas alternava as feições para algo suave e triste, e depois de volta à carranca típica de um pai conhecendo o primeiro namorado da filha (o que é um tanto estranho, vindo da irmã mais velha de apenas vinte e cinco anos, desprovida de qualquer linha de expressão ou dureza no olhar). Estávamos na mesma sala em que outrora eu e ela assistimos um filme, na ocasião na qual percebi meus sentimentos. E não era de se surpreender que o ambiente estivesse tão tenso e sufocante quanto antes.
-Data pra que mesmo?- Isa, vendo que eu demorara a responder e provavelmente não entendera a pergunta, se pronunciou pela primeira vez na entrevista.
-Do casamento. Ou pelo menos noivado. Deixando claro que você não pode levar a pureza da minha irmã até que ela complete dezoito anos e termine o ensino médio, obviamente.
Engasguei com o próprio ar, sem ter certeza sobre o que me sentir mais envergonhado. Isa riu nervosamente.
-Certo, vai ficar mais ou menos pra daqui a uns três anos, cinco se acontecer algum término no relacionamento, o que vai atrasar o processo, sabe como é...
-Hum. Parece bom. Eu já liguei pra nossos pais e informei tudo a eles. Provavelmente estarão chegando daqui a um mês pra conhecer o noivo.
O noivo, no caso eu, assistia à situação sem saber o momento correto de falar, desejando chorar ou talvez ligar para minha mãe e pedir ajuda. Não me disseram nada sobre casamento, nem sobre qualquer coisa que passasse de uma introdução formal do nosso relacionamento para Sam. Me pergunto quando exatamente a situação saiu do controle, e me dou conta de que talvez tenha sido no exato momento em que eu nasci.
Isa notou meu estado de paralisia e apenas segurou minha mão discretamente enquanto prosseguia a conversa. Aquele pequeno gesto me deixou em estado de alerta, despertando de repente. Lembrei de que são exatamente essas pequenas coisas que fazem valer a pena passar por toda essa maluquice da Samantha e qualquer outra coisa que venha a ocorrer.
***
-Sabe o que eu estava me lembrando um dia desses?
Ele desviou a atenção da louça para olhar para mim, curioso.
-Aquele dia que a Samantha te chamou lá em casa pra conversar sobre nós e meio que te forçou a casar comigo, sabe?
-Hã? Mas fui eu que quis conversar com ela.
-Ah, foi mesmo.
Jin riu, seus olhos quase fechados.
-Já faz quase dois anos...
Minha mente vagou por aquele tempo em que tudo era novo, desde o início do nosso relacionamento até o momento presente, todos os pequenos momentos, e dificuldades. Quando me dei conta, ele estava sentado ao meu lado, sua cabeça repousada em meu ombro direito. Peguei sua mão e entrelacei nossos dedos. O frio da aliança dele me lembrava de que éramos pra sempre. E poucas coisas me deixavam tão feliz quanto essa lembrança.
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Please, Teach Me?
FanfictionO complexo e instável mundo dos relacionamentos sempre confundiu a cabeça de Jin, um jovem de vinte e três anos muito satisfeito em sua vida perfeitamente orquestrada. Mesmo contente com sua independência ao finalmente tornar-se professor de química...
