II

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A noite está chegando, posso ver pela posição do sol e as sombras das arvores que logo tudo ficará escuro e as fae apareceriam iluminando todo o local com seu suave brilho de varias cores e cantando uma de suas canções. Firmei meu corpo com minhas mãos apoiadas um pouco atrás de mim e fechei meus olhos no momento que um leve vento bateu contra o meu rosto, fazendo com que meus cabelos voassem suavemente.

Simplesmente não consigo pronunciar em palavras o quanto amo esses momentos em paz comigo mesma, tenho que aproveitá–los ao máximo, pois sempre aparece um para interromper, como os passos que ouço agora, vindos do mesmo lado que eu vim. Os passos eram leves e cuidadosos, mas ao mesmo tempo confiantes, e familiares pra mim, então não precisei olhar para ver quem chegou e se sentou ao meu lado. Permaneci de olhos fechados, se fosse algo de importante ele não estaria tão calmo, então obviamente não há nada com que me preocupar. Respirei fundo mais uma vez ao sentir outro vento e escutei meu amigo fazendo o mesmo.

Um pequeno sorriso surgiu no meu rosto quando o pensamento que somos tão parecidos, surgiu na minha mente.

_O que foi? – finalmente ele se pronunciou. Abri meus olhos, piscando um pouco para me ajustar a pouca luz que a Lua trazia, antes de encarar os olhos bicolores curiosos, presentes naquele rosto tão angelical e inocente.

_Não é nada demais, apenas alguns pensamentos que surgiram de repente.

_Não quer falar sobre isso? – ele parecia ansioso e ainda mais curioso.

Neguei levemente e lhe dirigi um sorriso – Há coisas que devemos manter para nós mesmos, nem que sejam pequenos pensamentos insignificantes.

Ele me encarou por um momento, talvez tentando procurar algo de errado, mas desistindo por fim ao dar de ombros. – Estou com saudades de casa – comentou por fim, para mudar de assunto.

Suspirei voltando meu olhar para o pequeno jardim e vendo as poucas e tímidas faes surgirem – Eu também, você nem imagina o quanto.

Lagrimas silenciosas desciam pelo meu rosto, abri os olhos – que nem havia percebido que havia fechado – e pisquei por causa da súbita luz que invade o ambiente em que me encontro. Demoro um momento para me acostumar, mas então eu finalmente vejo onde estou.

No enorme e terrivelmente branco quarto no castelo da Capital.

Mas o que foi aquilo? Parecia tão real, parecia que eu estava lá de verdade, que ele estava lá. E o sentimento... o sentimento arrebatador de saudade permanecia em meu peito e as lagrimas continuavam a rolar.

Mas de onde eu estou com saudades a ponto de acordar chorando? E porque Eros estava no meu sonho com a aparência tão mais jovem e inocente? Não estou entendendo mais nada. Desde que eu vim pra esse castelo, esses sonhos estranhos estão mais constantes.

Limpei as lagrimas mais uma vez, e respirei fundo algumas vezes tentando ignorar a crescente dor no meu peito.

_Victoria?

Levei meus olhos para onde a voz vinha me deparando com os mesmos olhos dos meus sonhos, me fitando com a mesma preocupação e curiosidade que antes, mas dessa vez em sua aparência mais madura e seria.

Neguei lentamente, respirando fundo tentando me acalmar e parar de chorar. – Não é nada demais. Apenas um sonho.

_Quer falar sobre isso? – questionou, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.

Ele se aproximou carregando uma bandeja com o que deve ser meu café da manhã.

_ Há coisas que devemos manter para nós mesmos, nem que sejam pequenos pensamentos insignificantes. – me vi citando a mesma frase do meu sonho e por breves momentos eu o vi congelar, surpreso, antes de voltar a andar e depositar a bandeja na mesinha ao lado da minha cama.

Guardiões do AmanhãOnde histórias criam vida. Descubra agora