Ana e Letícia são um casal apaixonado e cheio de sonhos, mas num piscar de olhos, algo pode atrapalhar a vida das duas, fazendo com que se afastem de uma forma devastadora.
Vi se esforçava tanto para me resgatar de mim mesma, desse poço de lamentações e frustrações que me tornei, e bom.. eu não posso dizer que estou calma, mas o meu sangue corre lento. Vejo as cores em outros tons agora e talvez, seja a primeira vez em muito tempo que eu não me sinto confusa ou apreensiva
Depois do que aconteceu com a Lê, todos os meus planos perderam o sentido, a direção, o tempo, o significado... Todos eles se perderam, e no momento, sinto que estou me reencontrando e encontrando-os, lentamente, mas estou. Passei tempo demais me culpando por não ter estado naquele parque, por tê-la deixado ali, sozinha, me colocando como a responsável por toda essa confusão, mas isso é só o doravante de um fim! Letícia não iria querer me ver nesse estado. Ela não morreu, ela ainda está lá, e quando ela abrir aqueles olhos tão lindos, todos os nossos planos serão solidificados, eu só preciso trilhar eles sozinha até lá, quer dizer...sozinha não, ainda temos a Vi.
Ainda era umas 7 e pouca da manhã, quando decidi levantar e ir comprar dois cappuccinos pra gente -já que minha master chef decorou a nossa cozinha com fogo -, E ok, eu não estava tão bem, acho que ninguém acorda esse horário e sai de pijama para ir na padaria, ou talvez saia, mas não sei, não estou tão acordada para pensar nisso agora. Enquanto meus pés de fininho iam se aproximando da porta, percebo uma movimentação por trás de mim, e quando olho, lá estava ela, com seus cabelos bagunçados e uma cara de sono – é incrível como toda bagunçado, minha amiga continua sendo um mulherão -, e seus braços cruzados, me encarando.
- Aonde tu pensas que vai, Ana Clara? – Disse Vitória, com sua voz mais rouca do que costume. - Eu...eu vou na padaria... – Respondi querendo rir, porque aquela cena estava muito engraçada, seu corpo em pé, com seus olhinhos quase fechando, mas sua alma ainda estava no sétimo sono. - Tá, eu vou com você! – Afirmou, procurando suas pantufas enquanto girava duas vezes no mesmo lugar, totalmente perdida. Realmente, esse leãozinho não está nada acostumado com esse horário, e confesso que nem eu. - C A D Ê M I N H A P A N T U F A? – Resmungou com uma voz de triste e muito fofa, o que me fez rir e ir ajudá-la. No final das contas, estávamos caminhando pela rua, em plena 7h10 da manhã, com aquele céu cinzento, típico daqui pelo visto, e se impressionando com a pressa dessa gente toda. Foi então que a vi começou:
- “Nem sei Dessa gente toda Dessa pressa tanta Desses dias cheios” – cantou Vitória, enquanto colocava seu braço sobre meus ombros. - Cícero? – perguntei, fazendo com que ela me olhasse e concordasse com um sorrisinho, e continuou cantando. A vida é muito cômica, eu estava andando sobre um lugar que durante o dia todo, NÃO PARA, de noite é a própria definição de caos pelas inúmeras coisas que acontecem no mesmo instante, mas naquele momento, ali com a vi, tudo ficou tão calmo, Vitória congelava toda aquela pressa, aquelas pessoas, aquele céu nublado, aquele dia comum e chato. E minha vida estava numa fase exatamente como essa, apesar de toda confusão, de tudo acontecendo tão rápido, eu achei algo tão forte que me fez se sentir melhor, que congelou tudo, eu encontrei a virtude dessa amizade. Muitas pessoas se preocupam tanto com quem vão a passar a vida inteira do lado, no amor da sua vida, na sua paixão, que esquecem do valor real de ter um amigo... A amizade é um reflexo involuntário, simplesmente acontece, você não pode controlar, e se você a manter, meu Deus, então tu acaba de ganhar uma das melhores coisas que a vida pode nos oferecer.
- Vi, por que tu acordou cedo e ta aqui agora? – Perguntei, enquanto parava perto de uma árvore. - Ana, quem em sã consciência acorda 6 da manhã para comprar pão? – retrucou, com uma das suas melhores caretas, Vi era muito bom expressões. - Tu! E não é pão, é cappuccino!!! – afirmei rindo. - Whatever!! Eu só levantei porque me preocupei com a cabeça da minha amiga, eu não sei o que ta passando ai, não vou descuidar, ainda mais nessa cidade. - Eu entendo, sei que você está preocupada comigo, mas eu tô bem! Eu tô me encontrando, vi, eu sei me cuidar, não precisa se preocupar tanto. – Falei em um tom mais sério. - Ninha, eu sei disso tudo e acredito em tu, mulher! Mas se eu tive que cuidar de você no seu momento ruim, por que não posso cuidar nos bons também? Por que não posso me importar e zelar agora que você está melhorando? Eu gosto de estar com você e não quero que você tenha um problema para só assim eu ter que aparecer... – Olhei para aqueles olhos e enxerguei tanto sinceridade, que não sabia o que falar, enquanto ela prosseguia falando, mas agora com uma expressão diferente. - E tudo bem, confesso, eu levantei porque estava preocupada e foi exagero, mas valeu a pena eu tá aqui, sabe por quê? - Por quê? – Ela tinha me deixado sem palavras, então fui direto para última palavra dela. - Pois posso abraçar essa árvore, MEU DEUS COMO ELA LINDAAAAA, SAI DA MINHA FRENTE Vi não muda, e eu não queria nenhum pouco que ela mudasse, quantos versos nossos eu já guardei só nessa manhã, Letícia ia gostar de saber dessas histórias e eu vou contar a ela tudo através das músicas que Vi me inspira a fazer.
- Vamos Vitória Falcão, eu ainda quero meu cappuccino.
Chegando na padaria, que, por sinal, havia acabado de abrir, as pessoas que trabalham no domingo e estavam lá esperando seus cafés para despertarem um pouco, olhavam pra nossa situação.
- Vi, que engraçado. - O que? - Todo mundo de roupa social e nós de pijama... tu tá de pantufa!! - E o que tem?? Garanto que minha pantufa de unicórnio é muito mais confortável que esses sapatos e saltos. - rimos.
Nosso pedido já tinha chegado quando começamos a conversar sobre a vida e o que estava acontecendo.
- Vi, e o Deco? Faz tempo que não o vejo. - Mulher, eu e Deco nem existimos mais há tempo, a gente terminou, mas nos falamos ainda, só que nada tão sério. - Comentou achando graça, como se já tivesse superado há tempo, o que fez me sentir um certo conforto, pelo menos. - É sério isso? cara, como assim? Quem terminou? por quê? quando? QUE? - Ai quanta pergunta, calma, vamos por parte. Sim, é sério, muito sério. Nós dois, quer dizer..OK eu que terminei. Não sei bem o porquê. Em maio, no meu aniversário e QUE O QUÊ MENINA? acontece, oxe... - Sei que acontece, mas... Tá.. Eu só quero saber de uma coisa, tu tá bem com isso? Desculpa por estar sabendo só agora, eu deveria ter te perguntado antes. - Ei, tá tudo lindo, Ninha, eu tô bem e eu não precisava perguntar nada, você estava ao meu lado, mesmo sem saber, estava, então está tudo bem.
Eu estava contente que vi havia lidado bem, mas o que me deixou intrigada é que foi ela que terminou, Deco era tão bom para ela, como isso foi acontecer? E no seu aniversário, realmente ele não tinha ficado em evidência na festa, só lembro de ter levado a Vi e a família dela pra casa, e eu nem tinha reparado, acho que meu foco era tanto a lê, que nem havia percebido... Que dia tenso... Término, acidente. Acho que tudo veio como uma bomba pra vi, e acho melhor não fazer perguntas, se ela superou, então tudo bem... Eu acho.
Saímos da padaria e fomos pra casa, ainda tínhamos vídeos pra gravar. Vitória estava animada, acho que começamos o dia bem, sem nenhuma notícia ruim e nenhum incêndio. Ao chegar em casa, me arrumei um pouco enquanto vitória testava a iluminação.
- E aí, tô bem? - Tu tá linda, Ninha, esses vídeos vão ficar lindos demais. - Linda eu já sou, Vitória, é só você editar isso direito que é sucesso. - rimos.
Gravamos uns 3 vídeos até a hora do almoço. Não sabia que produzir esse tipo de coisa demorava tanto, a nem que a Vi estava tão profissional nisso. Almoçamos em casa mesmo, fizemos comida juntas depois de limpar o resto de cinzas que estava sobre o fogão. Até que mandamos bem.
Descansamos um pouco e voltamos a gravar, mais 4 vídeos pra conta. Foi divertido, tive um dia inteiro só com a Vitória, dando risada, brincando... Me fez lembrar de quando cheguei em São Paulo. Só eu, com a Vi, começando nossas aventuras sem saber o que nos esperava. É, depois de anos, quem diria que ainda estaríamos juntas, no mesmo apartamento e com os sonhos realizados, ou quase. E que bom que estamos juntas.
Esse foi um dos poucos dias registrados em vídeo, ótimo, não vou esquecer. Espero que a Vi faça um vídeo só com erros de gravação pra gente rir depois, material e ângulo não falta. Foi um ótimo dia, com a minha melhor companhia.
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