VIII: Roma Antiga

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Os romanos deixaram uma herança rica na literatura, arquitetura, direito, escultura, na atividade militar, entre outras. Há várias versões sobre a origem de Roma, que, a partir de uma aldeia se transformou em um grande Império. Uma destas versões, considerada lendária, conta que a cidade foi fundada pelos gêmeos Rômulo e Remo, provenientes das tribos latinas da Europa Central. Outra versão, embasada em documentos e arqueologia, diz que a região foi povoada por várias tribos, como úmbrios, samnitas, sabinos e, posteriormente, dominada pelos etruscos. A história da Roma Antiga se divide em três períodos: Monarquia, República e Império.

MONARQUIA

O Período Monárquico ocorreu entre 753 a.C. e 509 a.C., aproximadamente. Durante este período, Roma foi dominada pelos etruscos. Sob os reis etruscos, foram realizadas obras públicas, como drenagem de pântanos, construção de esgotos, templos, entre outras. Em 509 a.C., os romanos derrubaram o rei etrusco Tarquínio, o Soberbo, e fundaram uma república.

A sociedade, neste período, se dividia em quatro classes principais. Os patrícios eram grandes proprietários de terras. Abaixo deles haviam os clientes, grupo de pessoas, geralmente plebeus ou estrangeiros, que davam terras aos patrícios e deles recebiam proteção. Os plebeus formavam a maioria da população, constituindo-se de pequenos agricultores, comerciantes, pastores e artesãos. Os escravos não tinham direitos políticos e muitos se tornavam gladiadores.

OS GLADIADORES

Gladiadores eram guerreiros que lutavam em arenas. Seu nome deriva do gládio, espada utilizada por soldados. Sua função era entreter o público. Costuma ser dito que a estratégia das elites em desviar a atenção do povo da política através de comida e diversão era denominada Política do Pão e Circo. Entre os principais tipos de gladiadores, estavam o trácio, o murmillo, o hoplomaco, o retiário, entre outros. Cada um utilizava armas e armaduras específicas.

Haviam vários tipos de lutas nas arenas romanas, como Ludus Magnus: lutas de gladiadores contra gladiadores; Venatium: lutas envolvendo animais; Naumachias: lutas com embarcações de grande ou pequeno porte; Equitarium: lutas envolvendo corridas de cavalo ou desafios de bigas.

Algumas destas lutas deixavam evidente a tecnologia de arenas como o Coliseu, que foi contruídos entre os anos 70 e 90. Esta arena tinha uma aprimorada estrutura interna, engrenagens que permitiam inundações em lutas aquáticas, assim como cobertura externa.

PERÍODO REPUBLICANO

O Período Republicano ocorreu entre 509 a.C. e 23 a.C., aproximadamente. Neste período, Roma foi governada por dois cônsules. Estes eram auxiliados por senadores, responsáveis pelas finanças, assuntos externos e criação de leis. Durante períodos de guerra, a cidade podia ser governada por um ditador. República é uma palavra de origem latina que significa "coisa do povo". Porém, as instituições eram comandadas pelos patrícios, tendo os plebeus pouca ou nenhuma participação política.

LUTA DOS PLEBEUS

Esta situação se inverteu com uma luta entre patrícios e plebeus, que se estendeu por quase dois séculos, e que resultou na conquista de alguns direitos por parte da plebe. Dentre estes direitos, podemos destacar a Lei das Doze Tábuas, que definia direitos e deveres dos plebeus. Estas leis viraram referências no estudo do Direito. Foi criado a Lei da Canuléia, que permitia o casamento entre patrícios e plebeus. Estes conquistaram, também, o direito de exercer cargos sacerdotais e políticos. Além disso, surgiram os Tribunos da Plebe, que representavam os interesses dos plebeus no senado.

EXPANSÃO ROMANA

A partir da República, Roma iniciou o processo de maior expansão territorial, conquistando toda a península itálica. A ambição dos romanos, porém, estava no além-mar. Na disputa pelo Mar Mediterrâneo, Roma entrou em conflito com Cartago, nas chamadas Guerras Púnicas, de 264 a.C. a 146 a.C. Puni era o nome latino dado a Cartago, antigo colônia fenícia.

Houve três guerras, todas com vitória romana. Na primeira Guerra Púnica, Roma conquistou a ilha de Sicília, ao sul da Itália. Na segunda Guerra Púnica, um dos generais cartagineses, Aníbal, tentou atacar Roma por terra, com um grande exército. Foi derrotado em 202 a.C. Na terceira Guerra Púnica, Cartago foi completamente destruída. Assim, o Mar Mediterrâneo passou a ser controlado pelos romanos. A partir de então, outras conquistas posteriores consolidaram Roma como um dos maiores impérios da antiguidade. Estas conquistas refletiram em crescimento econômico, maior número de escravos e forte concentração de terras. 

CRISE NA REPÚBLICA

A abundância de escravos, nas mãos de grandes proprietários de terras, gerou um desequilíbrio econômico e social. As lutas políticas fez surgir dois partidos rivais: o partido aristocrático, que defendia o interesse dos mais ricos; e o popular, que desejava redistribuição de terras. Nesta luta política se destacaram Tibério e Caio Graco, irmãos que tentaram um projeto de reforma agrária entre 133 a.C. e 121 a.C. Ambos foram assassinados.

Algumas guerras civis deram origens a ditaduras militares, cujos governantes utilizavam o exércitos para se manter no poder. De 107 a.C. a 79 a.C. Mário e Sila assumiram o governo. Por volta de 72 a.C., o gladiador Espártaco comando uma revolta de 70 mil escravos. Após algumas vitórias, Espártaco e seus seguidores foram esmagados pelo general Pompeu.

OS TRIUNVIRATOS

Os triunviratos foram governos de três pessoas. Porém, desde o início o sistema mostrou-se falho, havendo disputas internas pelo poder. Por volta de 60 a.C., foi criado o Primeiro Triunvirato, composto por Crasso, Pompeu e Júlio César. Com a morte de Crasso, Pompeu e Júlio César disputaram o poder. Com a vitória de César, este se tornou ditador perpétuo de Roma, realizando reformas e diminuindo o poder do senado. Em 44 a.C., Júlio César foi assassinado em uma conspiração no senado, encabeçada por Bruto, que César considerava um filho.

Com a morte de César, foi criado o Segundo Triunvirato, composto por Lépido; Otávio e Marco Antônio. Na luta que se seguiu, Lépido foi afastado e Otávio venceu Marco Antônio. Com o poder nas mãos, Otávio foi proclamado imperador de Roma. Acaba, assim, a República e inicia o Império, que ocorre entre 27 a.C. e 476 d.C. O Período Imperial, por sua vez, se divide em Alto Império e Baixo Império. 

ALTO IMPÉRIO

O Império se estabeleceu de fato em roma quando Caio Otávio retornou do Egito com seu numeroso exército. O Senado concedeu-lhe vários títulos que legalizaram seu poder absoluto: cônsul vitalício, censor, imperador, príncipe do Senado e, finalmente, Augusto  Embora Otávio Augusto conservasse durante seu reinado as aparências republicanas, seu poder apoiava-se efetivamente no império comando do Exército, no poder proconsular direito de indicar os governadores das províncias e no poder  de representar a plebe. 

BAIXO IMPÉRIO

No século III tem início a crise do Império, abalado por problemas econômicos, militares, políticos e religiosos. A crise econômica tinha suas origens na cessação das guerras de conquista e na consequente redução do número de escravos. O déficit orçamentário, resultante do aumento das despesas, levou o poder político a aumentar excessivamente os impostos. Os preços se elevaram, os mercados se retraíram e a produção declinou. O Império Romano, já na época de Augusto, abrangia a maior pane do mundo então conhecido. Suas legiões garantiam a dominação das províncias, fornecedoras de riques que fizeram a grandeza de Roma.

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