II: Surgimento da civilização [PARTE 1]

60 1 0
                                    

Revolução neolítica ou Transição Demográfica Neolítica, às vezes chamada de Revolução Agrícola, foi a transição em grande escada de muitas culturas humanas do estilo de vida de caçador-coletor e nômade para um agrícola e sedentário fixo, tornando possível uma população cada vez maior. A condição de nômade começou a ser abandonada com o desenvolvimento da agricultura: plantar alimentos foi um passo decisivo para o domínio da natureza e para o processo de fixação (sedentarização) dos grupos humanos.

Há 10 mil anos a.C., praticamente não havia agricultura, mas em 6 mil anos os conjuntos de humanos com capacidade para criar animais e cultivar plantas passariam a ser produtores. A agricultura foi inventada em várias partes do mundo, comumente em épocas diferentes, independentemente das outras áreas. Primeiro foi no Oriente Médio, mais precisamente no Crescente Fértil (definição no final do capitulo), em 10 mil a.C., onde se espalhou para várias zonas do mundo, como o Norte da África (excluindo o Egito) e os Balcãs há 6 mil a.C.

A razão principal para a invenção da agricultura foi a diminuição de zonas de caça como florestas, e a sua subsequente transformação em desertos estéreis, com o aumento do nível do mar causado pelo fim da idade do gelo, há 14 mil anos, que acabou devido a mudanças na órbita da Terra. A temperatura subiu 7° Celsius e o nível do mar 25 metros em apenas 500 anos. Há 8 mil anos o degelo principal estaria praticamente concluído. O estilo de vida tradicional de migração tornou-se demasiado arriscado, e muitas pessoas tiveram de subir montes ou aproximar-se de rios e lagos. 

Graças a chegada da agricultura e da domesticação de animais que permitiu que muitas pessoas se fixassem em aldeias e vilas e por lá ficassem o ano inteiro, foi também com a mudança para agricultura que surgiram trabalhos não associados à produção de alimentos, pois pela primeira vez havia alimento suficiente para alimentar toda a gente, mesmo aqueles que não se dedicavam diretamente à sua provisão. Também permitiu que muita gente tivesse um maior número de filhos. Aqueles que não se especializaram em agricultura, puderam tornar-se artesões, mercadores e burocratas criando artefatos como joias, cerâmicas e roupas. Puderam dedicar-se a criar novas tecnologias como a roda e a metalurgia. 

Primeiras cidades: Uruk, Eridu, Abidos, Hieracômpolis. As primeiras duas situavam-se na Mesopotâmia e as segundas, no Alto Egito. 

Crescente Fértil: uma região do médio oriente e norte de África, foi onde surgiu primeiro a agricultura e também um dos primeiros sítios onde se inventou a metalurgia. Foi o local onde surgiram várias das primeiras grande civilizações e cidades. Foi habitada inicialmente pelos natufienses, um povo que sofreu os efeitos catastróficos do degelo, como secas, pois eram grandes caçadores e alimentavam-se de bagas silvestres. Os peritos acham que foram as mulheres natufienses, que face ao risco da fome armazenavam as melhores sementes que tinham, e há quem diga que foi isto que levou ao espalhar da agricultura. Os natufienses também usavam ferramentas agrícolas, como foices e picaretas. Como as plantas selvagens que comiam foram desaparecendo viram-se obrigados a cultivar as sementes de cultivo mais fácil, que plantavam em encostas. Os natufienses foram também os primeiros a domesticar o lobo. 

história;Onde histórias criam vida. Descubra agora