Capitulo um
Psicóloga
– Chloe? Minha filha está tudo bem? - Minha mãe pergunta tirando-me da lembrança da madrugada passada. De todas as visitas que ele me fizera, essa fora a mais estranha. Eu não tinha ideia se fora ele que me colocara na cama ou se minha mãe o fizera.
Meu estomago revira quando penso em comer o café da manha. Encontro os olhos de minha mãe preocupados ao me olhar. Congelo no lugar quando vejo ele sentado na cadeira ao lado dela. Ele sorri para mim, mas eu ignoro.
– Mãe, eu estou ficando maluca. - Falo fechando os olhos por um minuto pedindo para que quando eu os abra, ele não esteja mais lá. Relaxo na cadeira quando não o vejo. Sinto um ar frio em minha nuca e sei que ele está atrás de mim.
– Filha, está tomando o remédio que a Dra. Elsa receitou? - Pergunta ela colocando a mão contra minha testa e minhas bochechas verificando minha temperatura. Afasto -me do toque dela e e me levanto da cadeira.
Depois que contei para minha mãe sobre os sonhos, ela me levara em uma psicóloga. Ela achava que eu estava me sentindo péssima depois que meu pai foi morto por um homem de jaleco preto. E o pior, é que foi bem na minha frente. Um dia após o assassinato, a machete no jornal me fez ficar trancada por três dias em meu quarto.
– Mãe, eu estou bem e não ligo para aquela droga de remédio. - Respondi com um tom de irritação na voz. Ela se levantou e pegou a bolsa depois de vestir seu cachecol. Ela me puxou pelo braço até a porta dos fundos da casa. - onde vamos?
– Você tem uma consulta daqui vinte minutos. - Respondeu ela perdendo a paciência comigo. Minha mãe abriu a porta e pegou as chaves do carro. - Vamos Chloe.
Saio da calçada bufando. Fecho o casaco, pois, está ventando e uma chuva fina começa a molhar as pedrinhas brilhantes na rua e meu rosto. Entro na Sportage branca e puxo o sinto de segurança prendendo-o no fecho. Minha mãe liga o carro e partimos para mais um consulta tediosa e longa.
***
A chuva parou quando finalmente saímos do consultório. Eu não acredito que a Dra. Elsa disse que seria bom se eu ficasse com jovens mais parecidos comigo e no mesmo nível psicológico. O que isso que dizer? Quando acabei de falar com a doutora, ela chamou minha mãe e lhe deu um folheto de um acampamento para jovens iguais a mim. As exatas palavras dela: "Confie em mim; esse acampamento é o ideal para sua filha, se é que você me entende." Eu não entendi! Eu não entendi o que ela quis dizer sobre isso. Mas, minha mãe pareceu entender e durante a conversa, sua expressão era tensa como se ela soubesse que isso iria acontecer algum dia.
Na volta para casa ficamos em silêncio. Olho para minha mãe que está perdida em seus pensamentos. Percebo seus olhos formando lagrimas e ela pisca varias vezes para conte-las. Seu olhar está fixo no carro da frente como se estivesse sozinha. Ela para o carro na garagem de casa.
– Eu não vou para o acampamento! - Digo abrindo a porta e saindo do carro.
– Você vai. Ouviu o que a doutora falou, é melhor para você. - Diz ela com a voz serena. Estamos frente a frente nos encarando.
– Mãe, é um acampamento... sinistro! Eu não vou para um lugar que nunca ouvi falar e sei que não terá coisas normais que se fazem em acampamentos normais. - Falo gesticulando as mãos.
– Chloe você vai para esse acampamento por que eu quero que vá, entendeu? Além disso, é uma recomendação médica e não ignoramos isso. Você vai para esse acampamento e ponto final! - Agora ela perdeu a paciência comigo e está quase gritando. Me assusto com o tom de voz dela por que, ela nunca havia falado assim comigo. Saio pisando firme e subo para meu quarto, depois tranco a porta.
Me jogo na cama querendo não pensar em nada. Quero esquecer tudo o que aconteceu nos últimos meses. Quero me sentir normal e segura comigo mesma e com a vida. Minha vida era perfeita antes da morte de meu pai; antes do sonhos que viraram pesadelos e é claro, antes de ele aparecer para mim. E por falar nele, ele está encostado na parede com os braços cruzados sobre o tórax forte e definido. A camiseta preta que ele está usando está agarrada em seus braços e na barriga.
Me pergunto como ele parece tão real mas, é apenas uma sombra com a forma de uma garoto. Fiz uma lista de coisas que não sei sobre ele. Não sei o nome dele. Não sei onde ele está ou fica quando não está me seguindo. Não sei o que ele quer comigo e também não sei por que ele aparece para mim quando lá no fundo, preciso de alguém. Droga! Por que tudo acontece comigo?
– Amanhã irei para o acampamento. Você sabe onde é? Como é? - Pergunto para ele mesmo sabendo que ele não responde nenhuma de minhas perguntas. Tentei de tudo para faze-lo falar nos primeiros meses, mas não tive sucesso. - Por que eu estou falando com você? Você é um fantasma criado por meus pensamentos e aparece quando eu preciso. Eu estou louca, não estou?
Ele não responde novamente, mas, sorri. Um sorriso torto é a última coisa que vejo em minha mente antes de ele desaparecer.
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Acampamento: Darkshadow
Novela JuvenilEu corria. Não sabia para onde estava indo. Ele me perseguia e queria alguma coisa que eu não podia lhe dar. A floresta estava escura e a luz da lua não penetrava os galhos das arvores enormes. Tropeço em uma raiz espessa e meu corpo se choca contra...
