Há alguns meses, Dahra me contou que certo dia Steve havia a encurralado e feito um pequeno interrogatório sobre as intenções que ela tinha com seu melhor amigo. A partir dessa história eu tinha chegado à duas conclusões:1) Rogers era, de fato, um dos melhores agentes no mundo, pois, nunca antes na história alguém tinha conseguido chegar nem perto de assustar Lisbon, quanto mais encurralá-la; 2) sabia que Bucky Barnes viria atrás de mim.
Os dois amigos eram parecidos demais em vários aspectos. O conhecimento, porém, não foi suficiente para me preparar para o momento em que o Soldado Invernal se sentou no sofá em minha frente, analisando cada movimento meu. Não tinha ouvido ele chegar, mas seu olhar me queimava como centenas de pedrinhas de gelo pinicando minha pele. Fechei o livro de física pura que estava lendo e o coloquei de lado, tentando ganhar alguns segundos.
- Pois não? - perguntei, tentando soar muito mais confiável do que me sentia.
- Você e Steve estão namorando?
Busquei não me encolher em resposta ao seu tom brusco, mas foi bem difícil. Não esperava uma estratégia tão direta. Achei que teria um momento a mais para me preparar.
Engoli em seco.
- Sim. Nós... nós estamos namorando.
Aquela parecia uma palavra um pouco forte para descrever a situação, afinal, não havíamos falado abertamente sobre compromisso, mas não achava que Bucky estava disposto a ouvir divagações sobre a questão. Barnes não respondeu mais nada. Durante intermináveis segundos, seus olhos azuis queimaram os meus.
E nunca vou contar a ninguém, mas naquela hora senti um receio palpável. Não era medo, mas estava bem perto disso. Foi preciso toda a coragem que nem sabia que tinha para manter seu olhar. Então, sem dizer nada, ele se levantou e saiu da sala.
Com a mão trêmula empurrei meu cabelo para longe do rosto, só agora voltando a respirar. Ainda estava tentando voltar ao normal quando o furacão que minha melhor amiga era entrou na sala. Ela começou a falar alguma coisa, mas rápido demais para que pudesse entender sobre o que se tratava.
- Lis, Lis... espera. Eu não... - foi quando notei uma coisa - Você... - franzi o cenho e cerrei os olhos para ver se enxergava melhor, se minha vista não estava me pregando peças - Por que você está usando uma das camisas que Tony mandou fazer para o paintball do mês passado?
Ela olhou para baixo e para a própria blusa que estampava um vermelho e em letras garrafais "TEAM STARK", revirou os olhos e soltou um grunhido.
- Eu quase tinha me esquecido dessa palhaçada. - e de novo Dahra revirou os olhos azuis e torceu os lábios em desagrado - Stark estava tentando criar um código físico-quântico de matriz propulsora expecto patrono ou sei lá o q-
- Um código logaritmo propulsor? - corrigi.
- Tanto faz! O que importa é que ele achou que seria uma boa ideia fazer isso enquanto andava com aquela garrafa térmica idiota cheia daquele suco verde nojento da dieta do Talismã... da Tanzânia... da ou seja lá o que ele está fazendo essa semana... e lavou meu tailleur Chanel maravilhoso de gosma verde ao trombar comigo no corredor. Não tinha tempo de voltar para meu quarto e trocar de roupa e, aparentemente, a única blusa disponível fora dos andares de convivência dessa Torre bilionária são os merchandising Stark. - estreitou os olhos, repentinamente pensativa - Aposto que Tony fez de propósito. Só porque eu disse que era Team Cap.
- Dahra, amiga, você está imaginando coisas.
- Mia, você é muito ingênua. - revirou os olhos, mas parou repentinamente, um brilho esperto tingindo o azul antes zangado e um sorrisinho no canto dos lábios - Falando em ingenuidade... - aproximou-se até se jogar no sofá ao meu lado, animada como uma criança - como estão as coisas com Steve?
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Freezing Fire
Historia CortaSteve Rogers precisava aprender a viver no século XXI e Mia Voight precisava aprender a ficar de boca fechada. Era basicamente assim que eles haviam chegado naquela situação: a cientista havia se tornado uma espécie de guia para o Capitão no admiráv...
