O Jogo Da Esquerda e Da Direita pt3

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ROB: Arroz; não-perecível. 

ROB: Shoyo; não-perecível. 

ROB: Sal; não-perecível. 

ROB: Ovos; bem, são perecíveis mas comprei frescos e já cozi eles e assim vão durar uma semana. 

É a hora do café da manhã, o começo do nosso primeiro dia inteiro na estrada. Rob está acordado desde as sete, preparando uma refeição para quem quiser. O aroma nos puxa para fora de nossas camas improvisadas e nos sentamos em torno de seu fogão portátil. Nossas tigelas já estão cheias antes de percebermos que há um problema. O preço pela refeição supostamente de graça? Rob dando uma palestra de 10 minutos sobre o poder do arroz.

ROB: Veja bem, no Pacífico, nossos camaradas costumavam ficar aterrorizados com os japoneses. Exércitos inteiros marchando enquanto apenas se alimentando em grãos? Pensei que eram super soldados. Veja bem, os japoneses sabem o segredo. Você dá arroz para as pessoas pela manhã e elas vão conseguir andar o dia todo. 

Depois de colocar duas colheres grandes do seu alimento favorito em uma tigela e entregá-la para mim, Rob quebrou um ovo cru por cima. A gema estoura enquanto eu a mexo. Para ser justa, a comida é deliciosa, e é divertido ver Rob dando uma de protagonista. Pelo menos assim percebo que existe sim algumas coisas as quais gosta de falar longamente. 

Eu olho através do círculo para Lilith e Eve. A segunda tinha jogado um pouquinho de arroz em cima da outra, e as duas estavam brincando. Eve viu que eu estava olhando, encontrou meu olhar e se voltou para Lilith, ficando dramaticamente muda. Volto minha atenção para a comida, fazendo questão de parecer atenta ao discurso de Rob. Um minuto depois, as duas garotas decidem que terminaram a refeição e percebo que eu também.

Devorando as últimas garfadas, coloco minha tigela na pequena banheira de água quente ao lado do fogão e casualmente ando em direção do carro delas. Lilith e Eve estão de costas para mim, silenciosamente arrumando seus sacos de dormir. Se recusam a olhar para mim quando me aproximo, em uma tentativa profundamente séria de sutileza.

LILITH: Ele está olhando para cá?

Olhei para Rob. Ele ainda conversava com Bonnie, Clyde e Apollo, falando para tentarem adivinhar como se fala "Café da manhã" em japonês. 

AS: Acho que estamos de boa. Então... vocês viram o carro? 

Sem responder, Eve se esticou até o banco de trás e pegou um Macbook, aonde todas as filmagens de Paranormicon são editadas e armazenadas. Ela apertou play enquanto Lilith e eu nos aconchegamos ao redor dela, bloqueando a visão de qualquer espectador em potencial.

A filmagem retrata uma estrada familiar. Lilith e Eve já devem ter largado o caroneiro, e acabam de chegar na próxima virada. Posso ouvi-las falando sobre a experiência, tanto aterrorizada quanto emocionada com os eventos do dia. Eve lembra Lilith que precisam ficar atentas pelo tal carro, Lilith xinga e a câmera imediatamente começa a vasculhar a beira da estrada.

EVE (VOZ): Olha, ali!

LILITH (VOZ): Estou vendo. Vai mais devagar... mais devagar!

O carro abandonado aparece na filmagem. Eve desacelera e Lilith maximiza a função de zoom da sua câmera, alguns detalhes preciosos podem ser vistos. O pára-brisa do carro e a janela do lado do motorista estão quebrados, a chave ainda está na ignição e, assim que Eve passa ao lado dos destroços, é possível perceber uma mancha escura encharcada no banco do motorista.

LILITH (VOZ): Pare o carro. 

Quando a Eve do vídeo começa a desacelerar o carro, a Lilith ao meu lado fecha o notebook. Eu olho de uma para a outra, tentando manter minha voz o mais baixa possível.

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