- Então, filha, como foi? Conheceu algum garoto bonito?
O dia tinha sido produtivo, ao meu ver. Tinha conhecido pessoas interessantes, em furtivas escapadas. Dançar em Soleil Bleu foi o ápice. Eu estava ali.
- A escola é enorme e maravilhosa e, a propósito, já estreei a sala de dança - eu disse, dando um sorriso cúmplice para ela. - É magnífica, mãe! Esse é o único adjetivo que eu consigo achar - disse, sorrindo.
- Cheguei, família!
Ouvi meu pai falar ao fundo.
- Estou falando com a Lynn! - Minha mãe se virou na cadeira, o chamando.
Não demorou muito para que ele aparecesse curvado para poder me enxergar na tela do notebook, apoiando a mão no encosto da cadeira da minha mãe.
- Lynn! - Ele sorriu.
- Oi, pai - eu sorri para ele.
- Estamos morrendo de saudades! - Ele exclamou, me olhando com o mesmo sorriso bobo e paternal.
- Eu também sinto falta de vocês, mas confesso que estou amando morar sozinha.
Dei um sorriso de culpa, abraçando a almofada que estava no meu colo.
- Fala isso agora, quero ver o que vai fazer quando chegar domingo e você não tiver a melhor torta de amoras do mundo como sobremesa. - Meu pai se gabou.
Isso era uma verdade. Meu pai fazia, simplesmente, a torta de amoras mais saborosa do mundo. Tudo começou quando eu era pequena, eles estavam tentando me ajudar a falar, então meu pai começou a me dar aulas de culinária, foi quando provei sua torta pela primeira vez. Ele fazia gracinhas para que eu conseguisse rir, mas sujava a cozinha inteira. Foi num dia que minha mãe o repreendeu por ter molho de pizza no teto, que eu soltei uma das minhas poucas gargalhadas. Eles pararam de discutir na hora e me olharam quase chorando de alegria.
- Ah, por que foi falar? Eu já estava me esquecendo!
Fiz bico por alguns segundos, mas logo nós três explodimos em gargalhada.
- Acho que morar sozinha tem seus contras, não é, querida? - Minha perguntou arqueando uma sobrancelha, com tom de ironia.
Os dois riram.
- Vocês são muito maldosos.
- Fazemos nosso melhor - meu pai sorriu. - Gostando da nova escola?
- Sim, me parece realmente divertida. As poucas figuras que conheci hoje já me deixaram bastante intrigada.
Falava enquanto brincava com os dedos.
- Coleen e sua obsessão pelo ser humano - meu pai disse.
- Não é obsessão - me fiz de ofendida -, só gosto de observar - dei de ombros, me defendendo.
- Já se encontrou com sua tia? -minha mãe perguntou.
- Ainda não. Quando saí da escola fui resolver algumas coisas que faltavam para finalizar a minha matrícula. Acabei almoçando na rua e dando uma volta, voltei tarde e não quis incomodá-la.
- Essa desculpa não colou - ela negou, extremamente séria.
- Okay - me rendi. - Do corredor eu estava ouvido a trilha sonora de Titanic. Não quero abordar minha tia em uma das crises emocionais dela.
- Ah, claro. Hoje é segunda - minha mãe começou.
- Dia do Romance Trágico - meu pai completou.
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Body
RomanceColeen respira dança. Ela a vê em todos os cantos da existência de alguém, em todas as curvas do seu mundo. Determinada e intensa, ela não se proíbe de arriscar tudo o que tem para ir atrás do que a seduz, e seguindo esse ritmo desenfreado do seu co...
