Eu gosto do gosto
Do não reconhecimento,
Almejo pouco aparecer
E logo alcançar o esquecimento.
Porque sei que nada é eterno,
O tempo passa e não vale a pena
Dedicar o pouco que tenho
Para uma memória pequena.
Nada do que se lembra
É exatamente como acontece,
Porque as memórias falham
E a imaginação as tece.
E a imaginação prega peças,
Ela inventa algo que dê paz,
Ignora o que realmente foi
E tece o que a satisfaz.
Porque ser lembrado
Dói aos que se lembrarão
Ou traz aos que não conheceram
Réplicas de rejeição ou admiração.
As memórias não são precisas,
Não são completas e nem eternas,
Nas palavras ditas e escritas
Há apenas vestígios das ações internas.
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02/01/2019
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Estou Cheia
PoetryMais uma coleção de escritos sobre o que ninguém quer saber e eu insisto em escrever.
