Estou cheia de novo,
Cheia das velhas coisas,
Cheia de coisas velhas novas,
Cheia de tudo que me esvazia.
Altero a voz sem perceber
E o grito interno não cessa,
Estou cheia dos ruídos,
Não percebo o que se passa.
Não recebo o retorno,
Minha voz logo se perde,
Não sei o que digo ou defendo,
Não sei nem mesmo se falo.
Deveria o som ecoar no vácuo?
Apenas estou cheia
E transbordo,
E não muda nada.
Tudo infernalmente
Silencioso lá fora,
Tudo internamente
Barulhento.
A tarde está escura,
Sinto como se fosse madrugada,
Mas ela não me esconde,
E não muda nada.
Tudo infernalmente
Quente fora,
Tudo internamente
Mais quente e ácido.
Ácido.
Será o que preenche
E me esvazia
Simultaneamente?
<·>
03/10/2019
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Estou Cheia
PoesieMais uma coleção de escritos sobre o que ninguém quer saber e eu insisto em escrever.
