Capítulo Sete

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Flashback está em Itálico, então sempre que aparecer uma sequência de cenas em itálico significa que é o passado. Cuidado porque os pensamentos também estão em itálicos, mas estes são compostos por um ou duas linhas, creio que seja fácil de distinguir.

- As vezes antes de dormir eu faço um pequeno jogo mental. – Lauren começou falar. Ela e Camila estavam deitadas dentro da casa da árvore vendo as estrelas pela janela.
- E como é? – Camila tinha a cabeça apoiada no ombro de Lauren.
- Eu fico imaginando como minha vida seria se eu fosse outra pessoa.
- E como ela seria? – Camila virou-se para Lauren.
- Eu na verdade sempre sou a Lauren, só que a Lauren está casada com a Camila, que é uma mulher adulta maravilhosa por sinal. – A latina riu. – Esposa perfeita, trabalha, manda na casa, manda em mim...
- Adorei essa parte. – Camila riu.
- E usa roupas apertadas de executiva sexy. Aos finais de semana estamos com a nossa família...
- Filhos?
- Sim.
- Quantos?
- Três?
- Um, no máximo dois, mas a melhor opção seria adotar.
- reformulando, com nosso dois filhos, almoçando e rindo. Eu sou uma grande artista plástica, minha família é minha inspiração, então eu não preciso me preocupar em sair ou ficar pintando em vários lugares, eu simplesmente me sinto inspirada pelo amor da minha família, assim como seu amor me inspira.
- Seria perfeito.
- Só é perfeito se tiver você.
- Estou apresentável? – Lauren virou-se de costas pedindo a opinião de Camila.
- Sim, está ótima, seu encontro vai ficar feliz.
- Eu estou nervosa, não vou a um encontro tem quase uma década.
- Você vai se sair bem.
- Obrigada. – Lauren fez um sinal de positivo com o dedão, para m seguida sair.
Camila permaneceu sentada na sala vendo TV. Júnior estava na casa de um amigo e Vero estava treinando tatuagem na pele de porco.
- Assistindo TV num sábado a noite, que triste. – Vero apareceu na sala.
- É o que geralmente eu faço há quase quinze anos. – Camila riu.
- Mentira. – Vero falou perplexa.
- Antes eu tinha o Júnior para me fazer companhia, agora ele tem seus próprios compromissos.
- Eu não posso ver alguém vegetando no sofá sendo completamente saudável. Vamos sair.
- Ah eu não sou muito fã de sair.
- Então vamos fazer algo em casa mesmo. Temos bebidas, música e salgadinhos, vamos fazer uma festa.
- Nada de festas, mas podemos beber alguma coisa e ouvir música.
Camila ficou no vinho e Vero no suco, a latina descobriu que a morena de olhos castanhos teve graves problemas com alcoolismo, mas que estava sóbria a cinco anos. Ao longo da noite Camila começava a ficar mais animada que o normal e tudo isso era culpa do vinho.
- Eu pensei em namorar de novo, mas sempre foi muito difícil. Lauren pra cá... Lauren pra lá... eu a ia em todos os lugares. – Falava embolado.
- Por que não disse que queria tentar mais uma vez? Quando ela foi te buscar no apartamento da Lucy ela estava decidida a voltar com você.
- Ela disse que não se importava comigo e com o Júnior. Como ela pode dizer isso depois de ler a verdade...
- Ler a verdade?
- Quando Chris foi atrás dela... Ele contou tudo.
- Não contou não, ela o expulsou do apartamento, lembro que ela me disse isso.
- Mas ele deu a carta com o exame de DNA, na casa dos pais dela ela disse que não se importava com ele, comigo e com nada. – Camila colocou as mãos no rosto e começou a chorar. – Eu não queria ter mentido, mas foi necessário... Eu fiz isso pelo bem estar do nosso bebê. – Vero engoliu a própria saliva. Lauren nunca leu aquela carta, Vero a viu amassando e jogando fora. – Ele ficou tão mal por tudo, Chris se sentia culpado porque foi ele quem contou ao pai que eu estava grávida de Lauren. Ele estava numa eleição apertada para se tornar senador e muitos boatos sobre ele surgiram, inclusive sobre o porquê dele esconder a filha por anos, ele temia que descobrissem a verdade sobre Lauren e acho que o resto você já sabe...
- Ele obrigou você a se casar com o Chris.
- Não, ele me obrigou a abortar. Eu só tinha dezessete anos, meu pai tinha morrido e ele disse que me deportaria para Cuba se eu não tirasse o bebê e terminasse com a Lauren.
- Eu não esperava isso dele. – Vero falou. – Da Clara sim, mas do Michael...nossa.
- Ele... Disse que se eu não fizesse por bem teria que fazer por mal... Eu passava noites em claro com medo dele fazer algo comigo e com o bebê. Uma noite alguns homens entraram na minha casa. – Camila começou a chorar muito mais. – Ele disse que se eu não fizesse o que devia ser feito no dia seguinte ele mandaria todos aqueles homens abusarem de mim e que com isso eu iria perder o bebê.
- Que filho duma puta. – Veronica esbravejou. – Você contou isso para alguém? Para o Chris? – Camila negou.
- Você não pode contar isso para ninguém, ele ainda pode fazer mal ao Júnior.
- Camila ele... Ele é um homem horrível e sem escrúpulos. Ele sabia de tudo, deixou a filha sofrer todos esses anos.
- Ele sempre me monitorava para saber se eu havia falado com Lauren ou coisa do gênero. Parece loucura e coisa e de filme, depois de todos esses anos nada mudou. Meu coração acelera quando ela sorri, a falta de ar que eu sinto quando ela me chama de Camz e a sensação que o toque dela causa na minha pele, essas são as consequências do meu amor por ela.
- Lauren jogou a carta fora naquele dia. – Camila riu sem humor.
- Então parece que não era um segredo que deva ser revelado. – Camila levantou do sofá. – Eu vou dormir, se importa de colocar os copos na cozinha?
- Tudo bem, eu vou ajeitar tudo.
Camila subiu as escadas e foi para o quarto, tomou banho e foi até seu closet, lá pegou uma uma caixa que ficava no fundo, bem escondida. Ali dentro tinha todas as suas lembranças com Lauren, inclusive uma blusa que a morena lhe deu há muitos anos. Quando a saudade apertava muito ela pegava aquela blusa, colocava em outro travesseiro e abraçava.
- Você está tão perto de mim e ao mesmo tempo tão longe.
Lauren e Vero se estabeleceram na garagem para fazer as tatuagens, acabaram colocando um ar-condicionado e ajeitando duas cadeiras, não parecia muito um estúdio, mas elas atendiam muitos clientes, tinham até fila de espera.
- Lauren tem uma mulher chamada Zoe na nossa porta da frente dizendo que marcou horário com você? – Camila entrou na garagem.
- Zoe... Eu não lembro de ter marcado com nenhuma Zoe.
- Ela disse que marcou, você não anotou em lugar nenhum? – A latina se aproximou de Lauren e colocou as mãos na cintura.
- Deve estar no WhatsApp.
- O WhatsApp é a sua agenda? Bela organização. – Camila revirou os olhos. – Quando terminar me passa os seus horários que eu vou criar uma planilha de horários para esse mês e vou criar uma agenda online para vocês e passar os horários para lá também.
- Sério? Nossa isso nos ajudaria muito.
- Não se esqueça de me passar quando terminar com ele ou me dá o celular que eu faço rapidinho.
- Toma a senha é a de sempre. – Camila pegou o celular e foi fazer sala para a cliente de Lauren.
- Sua irmã está solteira? – O homem a quem ela estava tatuando falou.
- Ela é minha garota. – Lauren não pensou duas vezes em dizer aquilo.
- Sério?
- Sim, ela é minha namorada. Namoramos na adolescência e voltamos a namorar recentemente.
- Ah foi mal aí e meus parabéns, ela é uma gata.
- Ela é.
Lauren não contou para ninguém, mas não foi ao encontro, acabou desistindo antes de entrar no Uber e decidiu ir para o cinema sozinha. Não importava quantos encontro tivesse, nenhum deles faria diferença, porque o único encontro que queria ter era com Camila.
Lauren e Camila estavam sentadas na sorveteria próxima a escola, aquele era oficialmente o primeiro encontro das duas. A latina estava com as bochechas vermelhas e Lauren não estava diferente dela.
- Pistache é seu sabor de sorvete preferido?
- Sim. Não acha que está muito doce, com toda essa cobertura, confeito e essas coisas?
- Não. Eu gosto assim. – Camila deu de ombros.
- Vou lembrar disso. Gosta de muito doce. – Lauren deu uma piscadela para a latina.
- Idiota! – Camila riu.
O encontro se resumiu a boas risadas, uma dando sorvete para outra algumas vezes e estava terminando com beijos. O primeiro beijo das duas faltava um pouco de sintonia, nenhuma delas tinha experiência, mas agora as duas sabiam exatamente o que casa uma gostava.
- Espera, não pode ficar tão perto assim. – Lauren alertou.
- Por quê? – Camila estava agarrada a morena.
- Por-porque não po-pode. – Lauren estava envergonhada de dizer sobre o volume na calça.
- Você não gosta?
- Eu gosto, mas... é que... Não quero que entenda errado.
- O que eu entender errado?
Lauren suspirou pesadamente – É que beijar você é muito bom e me deixa animada. – Lauren olhou rapidamente para baixo.
- Ah... – Camila corou. – Eu não sabia.
- Isso pode ser chato para você sentir ou você pode sentir nojo...
- Eu não sinto nojo, um pouco envergonhada talvez, mas nojo não.
- Eu sinto muito, eu juro que tento pensar em outras coisas para isso não acontecer, mas é difícil.
- Está tudo bem. – Camila continuava vermelha. Ela sabia exatamente como as coisas funcionavam, mas ainda assim não conseguia esconder sua vergonha.
- Desculpa, eu estou te deixando constrangida. – Lauren começou a andar de um lado para o outro demonstrando todo seu nervosismo. – Se não quiser mais sair comigo tudo bem.
- Lolo... – Camila a segurou pelos ombros e a fez lhe olhar nos olhos. – Eu sei exatamente o que acontece, sei onde isso pode nos levar, mas não significa que vá. É o seu corpo e não a nada de errado em se sentir assim, porque eu também me sinto assim.
- Você se sente? – Lauren perguntou surpresa.
- Sim, eu gosto de você, Lolo.
- Eu também gosto muito de você, Camz.
No fim Camila acabou fazendo agenda de todos os clientes de Lauren e Vero. As duas estavam com cada vez mais demanda de clientes. Lauren olhava Camila cozinhar e cantarolar em espanhol, a morena decidiu que não ficaria apenas olhando e foi ajuda-la pegou um tomate e começou a cortar em rodelas, já que estavam fazendo salada.
- Obrigada por tudo que tem feito. – Lauren foi a primeira a iniciar a conversa. – Você tornou as coisas bem mais organizadas, se não fosse você nós nunca saberíamos que temos mais clientes do que podemos atender. – Deu uma risadinha.
- Está tudo bem, vocês precisavam de ajuda e eu estou com bastante tempo livre, porque está difícil de achar um emprego.
- Então eu gostaria de te contratar.
- Eu agradeço, mas em breve vocês vão voltar a vida de nômade de vocês e eu vou voltar a ficar desempregada.
- Na verdade eu andei pensando em ficar mais um pouco em Miami, o que acha? – O coração de Camila palpitou.
- Acho que será maravilhoso. – Camila sorriu, ela precisava disfarçar suas emoções se não talvez reagisse de uma maneira exagerada. – Contou para os seus pais?
- Não. Você sabe que tenho falado pouco com eles e fiz como me pediu, não comentei nada sobre você e nem o Júnior. O que eu não entendo é porque não quer que eles saibam.
- Bom... é que... não quero ser interpretada de maneira errada, mal perdi o marido já estou morando com sua irmã, que por acaso é minha ex namorada.
- Entendo, você quer preservar sua imagem. – Lauren calou-se. Estava ficando irritada, queria entender o motivo dela não querer que pensem que as duas possam ter um relacionamento, afinal ela nem pensou na imagem quando a traiu com seu irmão. – É muito ruim pensar em mim como sua amante?
- Não foi isso que eu disse.
- Mas é o que parece. Eu sei que eu tenho muitos problemas e ainda sou... desse jeito horrível...
- Lauren! – Camila a cortou. – Eu não disse isso. – Virou-se para a morena de olhos verdes. – Eu só não quero fofocas, sabe que tudo que envolve o nome Jauregui cai na mídia e eu fui embora exatamente porque queria deixar o Júnior longe de toda os problemas e atenção que o seu sobrenome chama.
- É só que parece...
- Mas não é. – Cortou Lauren novamente. – Estamos evoluindo, pensei que jogaria novamente na minha cara que te trai.
- Eu pensei nisso, não vou mentir, porém mais parece um hábito do que algo que eu realmente me importe. – Lauren colocou as rodelas de tomate no pote de salada e pegou o alface para lavar. – Camila sou uma pessoa rancorosa, amargurada e muito cruel...
- Sim, você é. – A latina sorriu.
- Mas eu ando tentando ser uma pessoa melhor para você. – Camila parou de mexer o brigadeiro que estava fazendo de sobremesa e olhou para Lauren.
- Não vamos entrar novamente nesse assunto.
- Do que tem medo?
De não conseguir resistir a você. – Camila pensou.
- Nada.
- Você ainda me ama, Camila? – A boca de Camila abriu, o coração errou a batida e sentiu suas mãos tremerem.

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