Raridade é ter a oportunidade de amar um só coração em duas pessoas diferentes.
Oito anos após a morte de seu primeiro esposo, Rara encontra o amor novamente residindo no peito do político Caetano D'Ovant, o receptor do transplante de coração de se...
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O som parecia distante, abafado pelos protetores de ouvido que tinham como função proporcionar uma mísera horinha de paz em pleno fim de tarde na grande São Paulo. Tornou-se mais alto, mais próximo, até que as sirenes despertaram Heloise num súbito susto. Ela agarrou sua pistola com o apoio das duas mãos, a retirou de debaixo da almofada e apontou para o nada por alguns longos segundos, até se dar conta de que não havia ali perigo nenhum, apenas um apartamento vazio e uma mulher que há muito tempo não tinha uma noite de sono tranquila e sobrevivia de cafeína.
A arma foi deixada sobre a mesinha de livros e jornais do lado do sofá, e só após esfregar os olhos ela se lembrou do que a despertou do cochilo involuntário da tarde. O som das sirenes passaram pelo apogeu e se distanciaram, mas não o suficiente para que seu estado alerta se dissipasse. Ela chutou as botas para o lado e pisou os pés no frio assoalho, guiando-se até a sacada do quarto, onde enfim teve uma visão privilegiada da origem de que tipo de veículo emergencial elas vinham, e do o destino para onde foram.
Entre as brechas da persiana pode-se notar que uma ambulância adentrava os portões do Palácio dos Bandeirantes. O alerta em sua mente piscou com ainda mais força. Talvez por instinto, talvez por curiosidade, Heloise não se contentou com as ralas informações que uma vista podia lhe proporcionar. Ela precisava de mais.
De colete no corpo, pistola 40 no coldre e distintivo no pescoço, a delegada tomou rumo pelas ruas do bairro Morumbi. Agiu rápido, assim também a equipe médica que fora solicitada no local. Sem saber ao certo se lhe esperava ali algum caso policial, ou não, ela foi a primeira a chegar ao local. Passou por um pequeno amontoado de pessoas que pausaram o caminho em frente ao Palácio, e com os celulares a postos e câmeras abertas, esperavam por alguma movimentação.
A distância entre a calçada e a porta principal era extensa, mas o suficiente para que fosse possível notar uma maca sendo carregada por dois paramédicos, e guardada dentro da ambulância do SAMU antes que esta saísse a todo vapor.
Como de praxe, seu distintivo lhe abriu portas, e Heloise pôde adentrar o Palácio e seguir o instinto que a levou até ali para início de conversa, atrás de sabe-se lá o quê. Por meio de seu próprio olhar ela retirou da cena algumas informações. Já havia visitado a residência antes para saber que o número de pessoas presentes ali tinha sido severamente reduzido. A equipe de segurança externa se entreolhava perguntando uns aos outros se ninguém escutou nada nas últimas horas. Apoiada nos ombros de uma mulher uniformizada como os demais seguranças, sra. D'Ovant compareceu ao exterior da casa.
Algo aconteceu com o governador.
Heloise se deu conta ao ver o estado deplorável da esposa. Quis agir, quis estender a conversa que tinha com um dos seguranças, no entanto, foi impedida por uma companhia um tanto desagradável.
— Delegada Mazza! Que surpresa agradável tê-la por aqui.
Heloise reconheceria aquela voz até no inferno. Ainda de costas, rolou os olhos. Tinha acabado de perder suas chances de assumir a operação do protocolo, e sabia disso.