Feliz... o quê?

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A história é dividida entre uma narração e os pensamentos de Dylan. Frases marcadas com 《》 expressam os pensamentos do rapaz.
Frases com ~ expressam o pensamento de Liz.*

- Dylan, está tudo bem aí? Deu pra ouvir seus gritos do quarto.
- Sim, Charles. Está tudo bem, eu só me alterei um pouco, é isso o que se faz quando tem muito a pagar, certo?
- Pagar o que?
- Dívidas incessantes de investimentos errados... Leva a Liz pra baixo, eu vou tentar fazer algo pra gente comer.
- Pede umas pizzas, da menos trabalho. - Charles de movia ao falar.

O dia fora tão agitado que a noite que chegou sutilmente, ao menos foi percebida.

O silêncio a mesa é ensurdecedor.

- Então quer dizer que agora acabou? Sem mais derramamento de sangue e coisas do tipo? - Pergunta Liz, sem emoção.
- A polícia ainda não sabe se Wade tem algo com as mortes de Martha e Shelley. E ninguém sabe quem matou Wade...
- Dylan, não a deixe nervosa...
- Não tem problema Charles... Eu quero pensar que tudo acabou, mas não consigo tirar isso da minha cabeça... Eu acho que vou pro meu quarto, nem tenho estômago pra comer.
- Elizabeth você não comeu nada o dia todo. Você só vai sair daqui depois que comer toda essa saudável pizza de presunto e a torta que ninguém comeu de manhã.
- Seria bom guardar um pouco de comida pro meu aniversário, não acha? - A garota deu um sorriso triste enquanto se levantava da mesa.

《Você tem 3 dias.》

- Pra minha única sobrinha, não me importo em fazer tudo de novo.

Um sorriso com o canto da boca. Ha quanto tempo Liz não demonstrava uma reação que não fosse desespero?

Dylan era quem agora se desesperava.

A vida de Liz corria perigo e ele não sabia como fazer a reação em cadeia parar. Ele aproveitou que todos ja tinham ido dormir para ligar para Zack.

- Zack...
- Ja fez o que devia?
- Eu não vou entrar nesse jogo. Eu não vou tirar a vida de ninguém, Zack.
- Você acha que eu me orgulho de várias coisas que fiz? Sua resposta é não. Se a coisinha aí for visitar jesus, o que é dela passa a ser da empresa. Quem dirige a empresa desde a morte do pai dela? Não sou apenas eu. Não é apenas uma empresa. São várias pessoas, todos dependem de você e se ela tiver algum vínculo com mais alguém que morava nessa casa. O plano pode ir por água abaixo. Dylan. Na hora certa você vai entender. Preciso desligar. Me ligue na quinta que é o final do seu prazo.

A essa altura, Dylan estava confuso, só poderia pensar em proteger Liz, salvar sua vida a todo custo.
Mas ele não sabia com quem estava lidando.
Nem ao menos poderia imaginar.

- Sei que não é uma boa hora pra isso Elizabeth, mas, o que minha linda sobrinha quer de presente em seu décimo nono aniversário?
- Senhorita Liz, poderia informar dois presentes diferentes, por favor.

Charles e Dylan tentavam animar a garota.

- Não se preocupem, sério. Eu quero dar um presente a vocês por cuidarem de mim, vou fazer um jantar especial para nós três.
- Elizabeth Kairos Western Lynce. Amanhã é o seu aniversário e é meu dever como tio não deixar que mova um dedo nessa cozinha.
- Se não me deixarem fazer algo, eu não aceito presente algum. - A moça fez uma expressão birrenta.
- Acho que perdemos, Charles.
- Em compensação, quero algo muito caro.

Todos sorriam.
Pela primeira vez desde que a primeira morte ocorreu, eles finalmente respiram aliviados, como se nada mais fosse acontecer.

- Aqui está a lista das coisas que preciso. Por favor, não demorem.
- Tem certeza que quer ficar aqui, Liz?
- Sim, Dylan. Posso comer donuts com o Mark enquanto vocês estão fora. Podem ir sem se preocupar.

O beijou na testa e sorriu em seguida. Ele sentia que ela estava bem. A esse momento, ele que não estava.

Elizabeth se moveu até uma pequena sala próxima a entrada principal da casa, onde um oficial da polícia gordinho chamado Mark estava.

- Mark, amanhã é meu aniversário. Quero que chame reforços mas não quero nenhum na casa. Quero me sentir protegida e se ficar algum policial dentro da casa, vou me sentir violada. Quero uma escolta no bosque, só pra me certificar. Tira o carinha das câmeras, não será necessário.
- Tudo bem senhorita. Peço a Patrícia uma escolta no bosque e outra pra ficar em frente a casa. Tem certeza sobre as câmeras?
- Sim, Mark. Não me sentirei com privacidade se houver alguém na casa... Mas por favor, é muito importante para mim que haja reforços por aqui.
- Seu desejo é uma ordem!
- Eu queria pedir mais uma coisa...
- O que seria?
- Posso ficar com você até eles voltarem? Não quero ficar sozinha.
- Claro, senhorita.
- Trouxe donuts!

E Liz trazia seu lindo sorriso ao final de casa frase de volta a vida.

Quinta feira pela manhã...

- Parabéns pra você...
- Ja estou acordada, se era essa a intenção.
- Charles fez esse bolo sozinho.
- Obrigada. Obrigada por fazerem parte da minha vida. Eu amo vocês.

Sorrisos. Lágrimas de felicidades.

- Eu também te amo sobrinha filha, o que faremos a tarde? A noite ja temos um jantar especial preparado por você.
- Quero nadar no lago, agraciar as peônias e sentir o vento em mim enquanto estou no balanço. São coisas que amo e que à tempos, não faço.

A tarde não poderia estar mais bonita, uma típica tarde de primavera. Um clima tranquilo e um sol não tão forte.

A carnificina que acontecera pelos últimos dias foram camufladas por leves alegrias daquela tarde.

Os 3 ali formavam uma família que fora construída em ruínas. A esperança de dias melhores os consumiam e os faziam resistir aos últimos ocorridos. Não possuíam o poder de apagar o que se foi e o que seria daqui pra frente, eles só descobririam vivendo.

A noite foi chegando lentamente, a lua que tentava roubar o lugar do sol era observada por eles.

- Tenho que preparar o jantar. Não quero ninguém na cozinha, vocês terão uma surpresa com a graciosa Elizabeth hoje.
- Sua mãe nunca teve dotes culinários. Estou curioso sobre o que tem para nós.
- Carne de pato ao molho de vinho. Me aguardem.
- U got it dude! - Charles deu um sinal de positivo com o polegar, referenciando uma famosa série de televisão dos anos 90.
- Eu sei, uncle Jessie. Alguma objeção, Dylan?
- Nunca te vi cozinhando Liz. Se Charles confia em você, eu também confio.
- Bem motivador de sua parte, obrigada. Ja fiz grande parte que foi deixar a carne marinando no vinho. Em 1 hora ela estará devidamente assada. Espero vocês na mesa de jantar as 7:30. Não se atrasem. - Liz parecia animada. Pela primeira vez em tanto tempo, a jovem garota pareceu deixar para trás o que ocorreu de ruim naquela residência.

Assim como o sol, Liz também se fora. Seu caminho para a casa estava coberto de peônias iluminadas pelo pôr do sol. Dylan só conseguia admira-la.

Mas Liz não imaginava o que estava por vir.
De fato, nenhum dos 3 últimos moradores vivos daquela casa imaginaria como aquele dia feliz chegaria ao fim.

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