Olho ao redor e encontro o vazio
Abro um livro e o leio
O fim do parágrafo é o desafio
Início e fim se misturam no meio
Então tomo café amargo
Coloco uma música alegre
E ela não consegue me deixar feliz
Tudo dá certo sem que eu celebre
Nada tenho tendo de tudo que quis
Então tomo café amargo
Faço um desenho no papel
No faço retas, horizonte e céu
Gotas molhadas encharcam as formas
Tornam um borrão de linhas tortas
Então tomo café amargo
Num só trago, um gole inteiro
Líquido negro de amargura
Como o líquido do tinteiro
Revisto-me de uma armadura
Então tomo café amargo
