Estamos nos aqui de novo
Eu, uma caneta e esse livro
E esse livro é meu amigo
E essa caneta usa tinta de desabafo
E lá vamos nós
Nos três, cada um em seu ofício
Fazer a imagem de mim no agora
Fazer a escultura da dor me devora
E sinuosamente, linha a linha
Deixamos para trás pedaços de mim
Pistas e fragmentos de um eu
O relatos do que me fez assim
E escrevo, escrevo, escrevo
Vômito dor, vômito angústia, vômito medo
Me desintoxico de meu próprio veneno
Deixo que as dores e memórias criem asas
E do papel sigam com o vento
