Pensamentos sobre o deus da morte

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*Dandara*

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*Dandara*

 
  Ele saiu e me deixou sozinha, sinceramente não conheço outros deuses, mas ele era estranho. Quando apareceu para mim a primeira vez faltou me jogar na cama a força, porém dessa vez ele estava diferente, mas ainda assim tinha o mesmo jeito atirado de antes, não acredito que disse para ele que tinha um bordel no inferno, mas espero que Hades não me puna por isso quando chegar minha hora.
Acredito que o magoei dizendo que a comida estava salgada e no fim das contas estava deliciosa, então o senhor da morte sabe cozinhar, admito que soou muito gentil da parte dele se desculpar, mas não posso esquecer que talvez ele esteja fazendo isso para me levar a cama.

   Acabei até comendo um pouco mais, após terminar limpei a cozinha e deitei. Precisava arranjar algum serviço, afinal agora mamãe se foi e eu tinha de me virar de certa forma. Os impostos não seriam pagos sozinhos, além disso eu não ia conseguir me casar, no máximo iam acabar me jogando na rua e teria de virar uma mulher da vida. Seria preferível a morte a ter de me deitar com homens que nunca vi, essa não foi a educação que minha mãe me deu.
Levantei e andei até a sala e olhei a cadeira de minha mãe, a mesma que ela estava sentada quando Tânatos a levou.

  — Sinto a sua falta. — falei baixo.

   Peguei a boneca na estante e me sentei na cadeira, ali me encolhi tentando ainda sentir a presença dela. Era como se me aproximasse de seu ser e assim adormeci chorando, estava sozinha agora. Sem companhia, sem amigos, sem meus pais, sem ninguém. Jogada a própria sorte do destino.

   Acordei com a chuva, acredito que ainda estava tarde. Deixei a boneca na cadeira dela e fui fechar as janelas, meu quarto estava quase inundado.
Após fechar limpei tudo, fui terminar de arrumar as coisas de minha mãe, eu iria doar todas as suas roupas para famílias carentes, a única coisa que queria guardar eram seus livros. Aqueles livros que ela lia para mim quando pequena, alguns de poemas, romances, enquanto guardava tudo chorei, aquilo me doía.
A morte machucava tanto a nós que ficávamos, era uma dor como se tivessem partes de mim faltando e essas partes não podiam ser substituídas. 

   Ouvi baterem palmas e fiquei em silêncio, meu medo era de serem os cobradores de impostos, ainda faltava muito para eu conseguir e eles já estavam passando? Novamente as palmas e dessa vez foram seguidas de baterem na porta, limpei as lágrimas e fui até ela.
Abri de canto tentando ver quem era e para minha surpresa uma jovem, tinha longos cabelos avermelhados e a pele clara, seu rosto era quase angelical e carregava um sorriso. Vestia um belo vestido verde escuro e uma capa negra, estava um pouco molhada da chuva.

   — Você deve ser Dandara! — afirmou me encarando.

   — Quem é você? Nunca a vi por aqui. — respondi sem jeito. — O que faz aqui?

   — Eu vim para te conhecer e te pedir um favor. — falou ela sorrindo. — Na verdade espero que me escute, posso entrar?

   Olhei ao redor e não vi nada, ela estava sozinha, permiti que entrasse. Dei a ela uma toalha para se secar, ela tirou a capa e pude ver o quanto era nova, julgaria que ela teria uns dezessete anos no máximo e o que faria ali sozinha sem ninguém?

Uma Noiva Para TânatosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora