Eu acho que merecia uma despedida, não para nós, pois ainda estamos aqui, mas ao que tivemos. Hoje quando paro pra pensar sobre parece como uma meia perdida no fundo do armário, empoeirada, esquecida e sem seu par. Apenas acabou sendo abandonada com o tempo, por um deslize de alguém que não tinha a intenção de perder a meia.
Despedir torna tudo mais dramático, e até pra mim que curto um drama isso parece demais, porém algo dentro de mim precisa disso. Não foi algo que eu disse que não existia mais. Não foi algo que você disse que não sentia mais. Foi apenas algo que era, e agora não é mais, mas ninguém colocou nenhum ponto final, na verdade. Tornou-se algo solto no vento que apenas continuou voando até se dissipar, como uma bolha de sabão, que é feita, solta, admirada enquanto voa e depois estoura no ar; de repente e por aí.
Se eu estivesse escrevendo isso há um tempo atrás teria mais melancolia e menos metáforas, acontece que não tenho mais aqueles sentimentos pra poder expor aqui, porém você ainda me afeta, ainda lembro do seu afeto, e me pergunto como a nossa distância -dessa vez, sem ser a em quilômetros- te afetou. Queria que você sentisse mais, e me contasse mais. Fui tão sincera com você sobre tudo o que sentia, te contava em tempo real como você fazia eu me sentir... Acho que alguma parte em mim pensa que você me deve uma confissão sincera também, e já te falei tanto sobre meus sentimentos que agora seria sua vez. É claro que eu senti sua falta, vez ou outra a garganta apertava e eu sentia vontade de chorar por tudo aquilo de bom que poderia ser e não foi; mas não daria em nada te contar, você nem me respondia mais direito e de repente me senti um fracasso por ainda sentir coisas por você. Você não tem noção do quanto briguei comigo mesma por isso. Não foi nada e mesmo assim me mexeu tanto. Era insuportável ler seu nome em todos os lugares, os outros falando, você conversando, ou apenas você jogando ao mesmo tempo que eu. Queria evitar por completo, pra ver se assim esquecia de vez, mas eu não queria fugir de você, apenas dos meus sentimentos por.
A intenção não é você se culpar por eu ter gostado de você, eu fiz isso comigo mesma e também agora já passou. Finalmente. Demorou dois meses até eu conseguir aceitar e superar de vez, que da mesma forma que do nada você apareceu, do nada você se foi.
Ainda vou te levar como uma história curta que foi boa de viver, me rendeu poemas adocicados como nunca e me ajudou a me descobrir.
Não digo que não tenho mais nada a dizer porque é óbvio que tenho, sou escritora e sempre terá mais coisas para contar e escrever; porém já escrevi demais para e sobre você, agora é a minha vez de ler, mas como isso não vai acontecer, eu apenas deixo essa lacuna aberta que tentarei preencher com o decorrer do tempo.
Quem sabe, da próxima vez que for escrever, não seja mais sobre você. Eu infelizmente tenho dessas, insistir na mesma tecla e usar ela pra escrever mil e uma coisas, mas no fundo eu só quero algo novo, não adianta chorar pelo leite derramado, vai ter que comprar outro; não adianta chorar pelo pé da meia que se perdeu no armário, vai ter que usar outro.
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Epifania
Poetryepifania poesia continuação de atemporal ou não uma nova eu #1 em poema 06/04/19 #1 em poesia 15/07/19
