Eu comecei a escrever "a extensão da nossa história fictícia" como uma terapia, um jeito de aceitar o fim precoce e avulso que tivemos e seguir em frente com isso, totalmente de boa. Eu já não gostava mais de você, mas você ainda rondava minha mente e me assombrava quando eu dormia; -ou tentava dormir. E era desse fantasma que eu precisava me livrar.
Quanto mais eu escrevia, mais eu te distinguia do personagem que criei, e mesmo com todos os defeitos dele, ele ainda era melhor que você, sem nenhum motivo aparente mesmo, mas talvez por ele ter escolhido ficar. Ele era você, mas na versão que nós demos certo, e escrever sobre, brincar de Deus e decidir nosso futuro foi uma boa forma de superar você, porque se eu sentia saudades, não precisava me humilhar e mandar mensagem, era só escrever mais um capítulo, afinal vocês estava lá, né? De uma forma ou de outra. Lá estava você; um fantasma que voava de mim para meu notebook, mas lá você não me assombrava, você me inspirava.
Acontece que foi assim que eu deixei a luz dos meus sentimentos por você acesa dentro de mim, ela já estava mais fraca, mas ainda era presente o suficiente para eu te dizer que nada disso me fez gostar menos de você, mas agora a luz se apagou, eu não sei como, mas isso aconteceu, não existe mais vestígios seu em mim, e eu me sinto aliviada, mas ao mesmo tempo vazia, como se eu tivesse me acostumado a ser preenchida com a corda prestes a rasgar que me mantia gostando pelo menos um pouquinho de você; mas ela se rompeu, e eu caí num lugar onde você não existe, nem seu fantasma, e sem ele, não sei quem vai falar no meu ouvido enquanto escrevo nossa história. Eu não consigo escrever sem sentimento, mas vou, porque essa é uma história sobre dar continuidade para um fim, então não posso dar um fim pra essa continuação.
Porém não posso negar que é esquisito, tanto que precisei vir aqui registrar, é estranho não ter mais sua luz dentro de mim, não que ela mudasse muita coisa, mas eu sentia a presença dela.
Eu não gostava mais de você, mas uma parte em mim, talvez o cômodo que sua luz ficava, ainda insistia em gostar, de certa forma, porém agora, estar nesse breu, faz eu me sentir sozinha. É estranho não gostar de ninguém, ter um coração 100% solitário como o meu ficou quando você saiu de vez de lá. A despedida foi demorada, mas depois de voltar algumas vezes para pegar o que tinha esquecido, você se foi de vez, e dessa vez eu aceitei, porque foi no meu tempo, mesmo que na sua realidade isso já tenha acontecido faz tempo.
O fato é, acho que eu te segurava no meu coração em partes por medo dessa solidão escura, eu estou acostumada a ficar sozinha e lidar com meus sentimentos, mas não sei o que fazer quando até eles vão embora. Quer dizer, se nem meus sentimentos eu tenho mais, o que me sobra? Eu não saberia lidar só com meus pensamentos, eu ficaria ainda mais louca, e eu não posso, pela minha mãe.
Esse texto é sobre você, mas não particularmente para vocês, é mais um desabafo sobre como meu coração sentiu um buraco quando você saiu por ele quando eu finalmente consegui te expulsar. Já estava mais que na hora, eu sei, e, tecnicamente, depois de amanhã faz um ano que começamos a conversar, então acho que assim se encerra um ciclo.
Não vou desistir da minha história só porque você desistiu da gente e eu desisti de querer continuar ficcionalmente, ela é muito mais que isso, e quem vê Levi não vê você.
Eu estava estressada até começar a escrever, e mesmo que tenha sido sobre você, isso não me irritou mais ainda, talvez eu tenha me subestimado muito ao achar que por zerar meus sentimentos por você eu não conseguiria mais escrever. Eu não misturo as coisas, sei distinguir ficção da realidade; e daí se eu não quero mais saber de você? A Clarice ainda quer saber do Levi, e ela até que merece isso, então vou continuar, por ela e pela minha versão do passado, até que esse outro ciclo se conclua.
Eu preciso dormir, mas sei que você não vai me assombrar, você fez isso esses dias e foi o que eu precisava pra te esquecer de vez, mesmo que eu não tenha percebido isso logo que acordei. Quer dizer, no sonho você era tão cheio de atitude, como pude me contentar com uma realidade que você era um bundão e ainda sofrer pelo fim imaturo dela? Eu hein, mas é cada coisa em que a gente se submete! Só rindo mesmo, porque chorar sobre já fiz bastante, infelizmente.
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Epifania
Poesíaepifania poesia continuação de atemporal ou não uma nova eu #1 em poema 06/04/19 #1 em poesia 15/07/19
