Park Jimin tinha uma vida invejável: notas boas, uma aparência que arranca suspiros, os melhores amigos que se poderia pedir e, não menos importante, o namoro perfeito. Só tem um problema: faz dois anos que mantém um relacionamento admirável e saudá...
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RISADAS. AQUELA FOI A primeira coisa que Jimin ouviu após o silêncio assustador.
Ele tinha doze anos na época. Era inverno, então estava encolhido sob um cachecol rosa clarinho, o qual combinava com seus fios loiros e que sua avó havia dado de presente no último Natal, e o seu casaco. Suas mãos pequenas tremiam, mas não era por conta do frio e sim por causa da caixinha de chocolates que tinha em mãos, a visão do rapaz à sua frente e o sentimento assustador de apreensão que circulava por suas veias ferozmente, fazendo o coração bater de maneira dolorosa no peito. Estavam na rua atrás da escola, por onde Jimin seguia caminho para casa com Taehyung ─ o qual fora embora na frente por pedido do próprio Park ─, e supostamente não deveria haver mais ninguém no local além dele e seu hyung.
Choi Changmo era uma série mais velho que o loiro. Conheciam-se e eram amigos há dois anos, desde o momento em que Jimin chegara na escola. Jimin, que era pequeno, tímido, não tirava notas boas, falava baixo e não sabia se defender dos alunos maldosos da escola. Jimin, que só tinha como amigo Taehyung, mas o Kim também era alvo das brincadeiras então não podia fazer muito pelos dois, somente abria o sorriso quadrado e repetia que não deveriam se importar, mas Jimin, que era inseguro e covarde, sempre se importava.
Changmo apareceu um dia, quando o Park estava voltando sozinho para casa e foi abordado por uma dupla do grupo que sempre o atormentava, e defendeu o mais novo dos garotos, além de acompanhá-lo até sua casa para garantir que não voltariam a persegui-lo. Porque Choi Changmo era tudo o que Park Jimin não era: forte, inteligente, confiante e extrovertido. Eles sempre se encontravam no intervalo, onde o mais velho estava cercado de vários amigos, e o mais novo era puxado para sentar perto do Choi, que havia praticamente adotado tanto ele quanto Taehyung como seus irmãozinhos. Ele costumava ir na sala deles se certificar de que estavam bem, ou quando estava fugindo de alguma aula que não queria assistir, e passavam tempo com algum joguinho idiota.
Jimin gostava de ter o hyung por perto. Gostava da sensação de segurança que ele passava, do fato que ele o protegia, da forma como ele passava seu braço por seus ombros, o trazia para perto e ria de algo com tanta empolgação que fazia o corpo do mais novo tremer pela proximidade. Gostava de sentir o cheiro do outro ─ era leve e docinho como o amaciante favorito de sua mãe ─, de estudar com ele porque Changmo sempre o presenteava com um abraço ou bagunçando seu cabelo quando Jimin entendia a matéria ou resolvia alguma questão sozinho, de ouvi-lo rindo porque a risada dele era contagiante e nunca falhava em fazê-lo sorrir e preencher seu coração com um calor gostoso e aconchegante. Jimin gostava dele.
Por isso, estavam ali. No inverno, vinte e cinco minutos depois da saída, em uma rua que deveria estar vazia, com Jimin tremendo da cabeça aos pés.
Não se lembrava do momento em que se dera conta que os sentimentos que nutria por seu hyung iam além da amizade. Não lembrava da estranheza e medo em perceber que estava gostando de um garoto ou do sentimento de coragem repentino que o fizera ter a ideia de se confessar. Muito menos, lembrava-se que desculpa usara para fazer Changmo encontrá-lo naquele dia ou que palavras usara para contar-lhe o seu segredo mais profundo, tão profundo que nem mesmo Taehyung sabia ─ e Taehyung sempre sabia de tudo.