Emily circulava vagarosamente pela casa, cabisbaixa. Sua mão esquerda acariciava seu braço direito, a garota estava totalmente desolada, como um soldado que vai a uma missão tendo cem por cento de certeza de que fracassará. Ela parou por um momento e fitou as chamas da lareira, que ficava perfeitamente posicionada no grande salão. Emily subiu as escadas, o peso do mundo inteiro parecia estar em suas costas. Aquele velho corredor, onde ela rotineiramente anda todos os dias, lhe despertava terríveis lembranças, como a cena do provável assassino de sua avó correndo desenfreadamente por ali, aquele calafrio, era sempre a primeira coisa que ela sentia ao pisar naquele corredor. Estava frio demais para uma tarde de verão, a garota sentia o seu peito congelar de dentro para fora, entrou em seu quarto e caiu em um sono profundo.
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- Encontrei uma anormalidade na amostra, senhor - disse Joseph, o assistente de Caller,
- Magnífico - disse Caller. - Descreva melhor essa anormalidade.
- Foi encontrada uma substância estranha nesse café. Estou trabalhando para identificá-la.
- Entendo - Caller não tirava os olhos do revólver em sua mão, ignorando completamente seu assistente. - A customização dessa arma está claramente em ótimo estado, o que pode nos dizer muita coisa.
Caller colocou a arma sobre uma pequena mesinha e começou a analisá-la com uma enorme lente de aproximação.---
Todos os integrantes da família estavam na mansão, mas mesmo assim o ambiente parecia vazio, todos ali estavam distantes, sem qualquer contato, acomodados em seus quartos. Wallace foi até a biblioteca para checar como Harrison estava. O detetive encontrava-se parado, totalmente concentrado, com mais de três garrafas de café vazias ao seu lado.
- Boa tarde! Ahn... O senhor precisa de algo? - perguntou Wallace batendo na porta para anunciar sua chegada.
- Por favor, pare aí mesmo, nem mais um passo - respondeu Harrison sem olhar diretamente para o mordomo.
- Eu fiz algo de errado, senhor?
- Se você se aproximar, vai atrapalhar a minha linha de raciocínio... espere, espere... pronto! - Harrison virou-se para Wallace.
- Vou repetir a pergunta. O senhor precisa de algo? - Wallace ajeitou sua gravata.
- Sim. Preciso dar continuidade aos interrogatórios. Avise a senhora Agatha que preciso falar com ela.
- O senhor está bem? Não precisa mesmo de um médico? O senhor levou um tiro...
- Já sobrevivi a coisas piores. Um tiro de um assassino inexperiente não vai me matar. - respondeu calmamente Harrison.
- Inexperiente?
- Esqueça isso. Pode fazer o que mandei? - Harrison sorriu.
- Sim, senhor. - Wallace saiu da biblioteca.
Harrison levantou-se, andou estranhamente até a janela e olhou para o horizonte. As nuvens ali presentes, pareciam mover-se de forma acelerada aos seus olhos, as nuvens lembravam, uma... uma aurora. Harrison chacoalhou a cabeça, como se estivesse rejeitando aquela lembrança. Ele sentiu um aperto no peito e um nó na garganta. Trancou a janela e limpou o seu rosto com sua toalhinha. O detetive estava bebendo café compulsivamente, esperar era para ele, sempre uma tortura. Enfim, Agatha deu as caras.
- Boa tarde, senhor. Vejo que finalmente decidiu falar comigo - disse Agatha.
Harrison fez uma análise completa da mulher à sua frente. Alta, magra, elegante e inexplicavelmente atraente, mais do que ele tinha percebido.
- Sente-se, senhora... senhorita. - Harrison explicitamente direcionou seu olhar para o decote de Agatha. Desviou o olhar rapidamente, constrangido. - Bom... eu preciso te fazer algumas perguntas.
- Ah, claro. Perguntas.
- Noto que você está muito relaxada - comentou Harrison.
- Eu já percebi que você é observador - Agatha olhou rapidamente para o seu decote. - Mas por que eu não estaria "relaxada"?
- É o mínimo que se espera quando se perde um familiar e se tem um assassino à solta na casa em que mora - Harrison recuperou sua postura.
- É quando estamos sozinhos que devemos nos entregar as emoções. Não posso deixar me abalar, preciso cuidar daqueles que amo.
- Hum... compreendo. Onde a senho... - Harrison olhou rapidamente para o decote de Agatha. - Onde a senhorita estava entre 2 e 3 da manhã na madrugada em que sua mãe foi assassinada?
- Dormindo.
- Não ouviu nada naquela noite?
- Se eu estava dormindo, logicamente não ouvi.
- Seu filho perambulou pela casa à madrugada inteira. Não se faça de desentendida. A senhora viu o estado em que seu filho chegou em casa, um dia antes do crime, como uma mãe devota, você deveria estar preocupada com seu filho, é inusitado você ter dormido tranquilamente naquela noite - Harrison estava sério.
- Os últimos meses tem sido difíceis para mim, tenho lutado diariamente para manter a casa em ordem, a responsabilidade de cuidar de mamãe era totalmente minha, e meu filho, sim, vem me causando muitas preocupações... Há algum tempo venho dormindo a base de remédios, por isso não lembro de nada daquela noite... - Agatha abaixou a cabeça, escondendo o seu olhar. - O meu filho é uma criança, incapaz de fazer qualquer maldade a alguém.
- Por que eu acreditaria em suas palavras? - indagou Harrison.
-
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O assassino da invalidez
Mystery / ThrillerO detetive David Harrison é chamado para um caso intrigante, uma senhora afetada por diversas doenças que levaram-na à uma lamentável cadeira de rodas é encontrada morta em seu leito, a justificativa mais óbvia proposta pelos familiares para esse ac...