* Capítulo 17 *

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* Ariel Anderson 


   Hoje finalmente vou ver meu bebê, não sei quem está mais ansioso, se é eu ou Erick, ontem ele quase não dormiu e nem me deixou dormir, e, justo agora ele está praticamente atrasado.

– Erick, rápido ou vamos chegar atrasados – grito da sala e logo ele aparece, saindo de seu escritório – Até que enfim, vamos chegar atrasados e a culpa é sua.

– Mas por uma boa causa – diz levantando a mão no ar, quando a abre, um cordão cai pendurado em sua mão, o pingente é uma cruz cravada em pedras de rubi – Eu mandei fazer para você.

– Obrigada, é lindo – viro as costas para ele afastando meu cabelo do pescoço – Coloca em mim? – peço.

– Eu também queria pedir desculpas para você – fala e sinto um arrepio bom na espinha, sua voz baixa e rouca no meu ouvido – Desculpe por ter magoado você, mas não me arrependo do nosso futuro casamento e do nosso filho.

– Desculpas aceita – me viro de frente para ele – Do nosso filho ou filha também não me arrependo, o casamento ainda estou me decidindo – brinco arrancando uma risada dele.

– Vamos ?

– Vamos – respondo entrelaçando nossos dedos, ao estender sua mão para mim.

Quatro horas depois havíamos chegado ao nosso destino, assim que entramos na clínica vejo várias grávidas, algumas com a barriga maiores, outra menores e como eu sem barriga ainda, algumas acompanhadas de seus companheiros, com suas mães ou sozinhas, caminhamos até a recepção, onde uma loira, que tenho certeza que não é natural, está mascando chiclete de boca aberta horrivelmente.

– Bom dia, em que posso ajudar? – pergunta se arrumando toda na cadeira.

Foi impressão minha ou ela acabou de abaixar mais sua blusa, para mostrar ainda mais seu decote, pra se insinuar para o Erick.

– Querida, a grávida aqui sou eu, meu marido é o progenitor, o pai, quem está carregando a criança sou eu, a mulher, a que tem um útero e uma vagina, será que pode fazer seu trabalho ou terei que fazer seu trabalho, enquanto a vadia da em cima do marido dos outros descaradamente – digo com a raiva borbulhando dentro de mim.

– Quem está chamando de vadia? – ela pergunta vermelha, não sei dizer se é de vergonha ou de raiva.

– Você – respondo na lata – Que acabou de abaixar sua blusa para mostrar seus peitos, para o meu marido – olho para Erick e percebo que todos estão nos o observando – Cuidado moças, vocês podem vir com seus maridos e voltar sem.

– Algum problema aqui? – uma voz vinda de trás de nós pergunta.

Ao me virar dou de cara com Verônica, a irmã mais velha de Guilherme, tinha me esquecido que ela trabalhava em uma clínica, só não sabia que era essa.

– Sim, está pessoa, para não dizer outra coisa – digo apontando para a recepcionista – Está dando de cima do meu marido. E que eu saiba viemos para uma consulta, com a ginecologista.

– Peço desculpas, eu vou atender vocês – diz, antes de lançar um olhar duro para a sirigaita, dou meus documentos para ela que preenche minha ficha – Mais uma vez nos desculpem... Essa é a quinta reclamação, passe na sala do diretor após o expediente.

Escuto enquanto nos afastamos, sento nas cadeiras de espera na recepção, cruzo as pernas, olho para Erick e percebo que ele está prendendo o riso, dou-lhe um soco no braço e fecho a cara .

Quarenta minutos depois uma médica jovem até, na casa dos trinta e cinco à trinta e oito anos, eu diria, nos chama, me levanto seguida por Erick e adentramos sua sala pintada em cores pastéis, nos sentamos à sua frente e ela começa a fazer as perguntas de praxe .

– Agora vamos ver esse bebê – diz se levantando, me levanto também a seguindo – Deite aqui e levante sua blusa e abaixa um pouco a calça – pede apontando para a maca, faço o que ela me pediu com a ajuda de Erick – O gel vai estar um pouco gelado – avisa.

Gelado é pouco, ainda bem que ela avisou, ela coloca um aparelho em cima do gel e começa a espalha-lo pela minha barriga e logo ela abre um sorriso.

– Oh, aqui está ele – fala, mas eu só vejo um monte de borrões – Esse pontinho branco, é o bebê de vocês, espera...

– Tem algo de errado com nosso bebê? – pergunto imediatamente.

– Não, não tem nada de errado, espera só mais um pouco para eu poder confirmar o que eu vi – diz me deixando assustada.

– E o que você viu, doutora? –  Erick pergunta com a testa franzida, a preocupação é evidente.

– Bingo – exclama e vira-se sorrindo pra gente – Estão vendo esse outro ponto aqui ? – pergunta e confirmamos – É o segundo bebê.

– Segundo bebê? – pergunto espantada.

– Sim, gêmeos. Gêmeos univitelinos, dividem o mesmo saco gestacional – ela continua falando, mas não presto atenção em mais nada.

   Gêmeos.

   Meu Deus, gêmeos.

Dois bebês ao mesmo tempo, se com um já da trabalho imagine com dois, o que eu vou fazer quando eles começarem a chorar juntos e na hora de mamar? 

Já estou praticamente entrando em pânico.

Não vi quando e nem como saímos da clínica, quando voltei a mim Erick estava me ajudando a entrar no carro, afivelo o cinto no automático.

– Você esta bem, amor? – escuto Erick perguntar.

– Harãm.

Respondo monossilábica.

– Não parece, você não gostou dos bebês serem gêmeos? – pergunta cabisbaixo.

– Não é isso, claro que gostei, só me pegou de surpresa – respondo acariciando seu rosto, dou-lhe um selinho nos lábios.


                    (づ ̄ ³ ̄)づ



#ClaryStarkey...

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