Capítulo 11

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Pov Joalin

Quando cheguei ao apartamento de Sabina na noite anterior, nem ao menos cogitei a possibilidade de procurar algo para comer, ou até mesmo de tomar banho, eu estava tão esgotada que apenas liguei o ar-condicionado e me joguei na cama.

Hoje íamos viajar, a turnê de Sabina é no Brasil, quatro shows, fãs loucos, detalhistas, curiosos, fanfiqueiros, calorosos, mas muito amorosos, espero que isso der certo.

Fui para o banheiro tomar um banho e fazer minha higiene matinal, assim que sai entrei no closet a procura de algo pra vestir, peguei um calça moletom preta, coloquei um top e uma camiseta, e escolhi um moletom pra levar na mão caso fizesse frio, Sabina me informou que ela já tinha deixado uma mala pronta para essa viagem antes da troca de corpos e eu agradeci, não estava com a mínima vontade de arrumar mala.

Estava sentada em um puf no closet calçando um tênis, até que ouvi uma voz masculina atrás de mim e me assustei.

— Que susto cara! – Falei com a mão no coração.

— Você anda se assustando muito fácil amor. Vim me despedir e desejar boa sorte na turnê.

— Obrigada. – Falei sem muito humor e tentei passar por ele, senti a mão firme dele segurar meu braço forte e me puxar de encontro a seu peito.

— O que estava fazendo na casa daquela idiota Sabina? Você acha que eu sou bobo? Está me tratando com indiferença e não sai do apartamento dela.

— Me solta Pepe, você tá me machucando... – Falei um pouco desesperada tentando me livrar do aperto nos meus pulsos.

— Você já se esqueceu da última vez Sabina? – Ele falou e eu dei uma mordida no braço dele, Pepe me soltou e deu um tapa forte no meu rosto.

— QUEM VOCÊ PENSA QUE É SEU ESCROTO? SAIA DA MINHA CASA.

— QUEM VOCÊ PENSA QUE É SABINA? VOCÊ É MINHA ENTENDEU?

— Primeiro, eu não sou propriedade de ninguém, segundo você fala baixo dentro da minha casa, e terceiro, você saia daqui antes que eu chame a polícia e te denuncie por agressão.

— Quem você pensa que é pra falar assim comigo sua putinha? – Ele falou e segurou firme meus braços novamente, eu dei apenas um puxão com ódio.

— Quem eu penso que sou? Quem você pensa que é pra bater em mulher? Isso te faz mais homem? Você é desprezível e não merece nem ao menos o amor da sua mãe, quanto mais o meu, agora saia do meu apartamento seu verme. – Falei e ele parece ter baixado a guarda.

— Essa conversa não acabou Sabina.

— Essa conversa acabou, pegue essa aliança e enfie na casa do caralho. – Joguei a aliança em cima dele, o olhar de Pepe era de puro ódio, ele se virou e foi embora, e eu enfim respirei aliviada, Deus, porque diabo Sabina está com esse ogro?

Olhei no espelho se ele tinha marcado meu rosto, percebi que estava um pouco vermelho, resolvi passar um pouco de maquiagem para disfarçar.

Quando cheguei na cozinha dei de cara com uma Janete um pouco assustada.

— Bom dia Dona Janete, tudo certo?

— Nunca vi o senhor Gonzalez tão bravo, está tudo bem com a senhora? – Ela falou como uma mãe protetora.

— Tudo bem Janete, não se preocupe.

Tomei um rápido café da manhã, tinha marcado de encontrar Sabina apenas no aeroporto, mas resolvi ir até meu apartamento, eu queria ter uma conversa com ela.

Assim que terminei o café da manhã, peguei minha mala e coloquei no carro, liguei para Any para saber se estava tudo certo para a viagem, Any além de minha amiga, e minha secretária pessoal, ela era brasileira, então era perfeita para viajar comigo.

Cheguei no prédio e subi para meu andar, assim que toquei a campainha Sabina atendeu, já estava completamente arrumada.

— Achei que íamos se encontrar no aeroporto. – Ela falou dando espaço para que eu entrasse.

— Sabina quantas vezes Pepe Gonzalez já te bateu? – Perguntei direta.

— Como assim? O que aconteceu? – Ela perguntou com os olhos arregalados.

— Te fiz uma pergunta, na devolva com outra.

— A meu Deus, ele te bateu?

— Sabina...

— Joalin que saco, ele já me bateu antes, mas eu estava errada, eu dei motivos.

— Você só pode estar brincando com minha cara Sabina. Como você se submete a uma situação dessas?

— Ele me ama, só estava nervoso.

— Toda mulher violentada tem esse mesmo discurso, o que você tá esperando para se dar conta que isso não é amor? Ele te matar? – Falei já estressada, eu não aguentava ouvir mulher se rebaixando para homens.

— Ele não vai fazer isso, ele me ama.

— Você nunca foi amada de verdade para cogitar a possibilidade de isso ser amor.

— Você não tem esse direito Joalin.

— Seu pai e seu irmão sabe disso? Eu vou conversar com Bailey pra ele quebrar aquele idiota na porrada.

— Você na vai fazer nada, isso é assunto meu, não se meta.

— Tarde demais eu já me meti, e por mais que você não mereça eu me preocupo com você.

— Se você se preocupa comigo, não se meta na minha vida pessoal, a alguns dias atrás você tava pouco se importando comigo, não vamos ficar com corpos trocados pra sempre, quando isso acabar eu vou me casar com ele, e você não tem nenhum direito de se meter no que não é da sua conta.

— Eu não posso acreditar no que eu estou ouvindo. Você quer se casar com um homem possessivo, machista, e que te maltrata? Sabina sério que você se odeia ao ponto de fazer isso com você mesma?

— Saia daqui, eu não quero ouvir o que você está falando, você tá errada, ele me ama. – Ela falou e eu andei na direção dela, a puxei contra meu peito e a abracei, ela ficou apenas encolhida nos meus braços chorando descontroladamente.

Me deram um mês para eu ver outro lado de Sabina Hidalgo, eu precisei de menos de 6 dias para descobrir o quanto ela é frágil, e ao mesmo tempo incrível, eu imaginei que Sabina tivesse uma vida ótima, quando na verdade, ela está apenas perdida. Eu e ela temos muito mais em comum do que eu poderia imaginar, duas pessoas quebradas e que nunca provaram o mais verdadeiro sentimento, o amor.

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Eu não posso ser vocêHistórias para pegar e não largar. Descubra agora