BÔNUS: A lenda do dragão e da fênix

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Desconhece-se essa época, eram tempos remotos pouco vividos

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Desconhece-se essa época, eram tempos remotos pouco vividos. Tempos em que a magia e os homens conviviam sobre o mesmo solo, guardados e regidos por criaturas lendárias. Em cada novo ciclo, as criaturas eram designadas pelos fios do destino para seus cargos.

Naquela noite de céu sem estrelas, era a vez do dragão, produtor do fogo, e Cerberus, o comedor de carne, receberem seus legados.

O dragão, assim como seus antepassados, foi designado para a montanha mais alta, de onde vigiaria e cuidaria dos vivos. Cerberus foi renegado ao submundo, para julgar e separar as almas, guardando-as atrás de portas fechadas. Odiou seu desígnio, e jurou que mudaria aquele destino.

O tempo passou, e indícios de uma guerra entre os homens e as criaturas mágicas começaram a surgir em cantos espaçados. O dragão não interviu. Julgou que raças diferentes sempre teriam pequenos conflitos que se resolveriam sozinhos.

Em certo dia, sentindo uma ardência incomum no peito, o dragão cuspiu um fogo incandescente, que ergueu chamas douradas que ele nunca havia visto antes.

Viu que, no centro delas, uma criatura de asas vermelhas e laranjas se formava.

Maravilhado, encarou a ave nascida do fogo.

— Quem é você?

— Eu sou a fênix, guardiã da magia. Os fios do destino me fizeram nascer do seu fogo criador para me unir a você diante do mal emergente. — Ela abriu as asas, e a luz dourada das chamas se refletiu nas escamas do dragão. — Cerberus está fomentando ódio no submundo. Dizem que planeja algo que afetará os homens e as criaturas mágicas. Como o protetor escolhido para eles, você precisa agir e uni-los.

— O que devo fazer, fênix?

— Conversar com os representantes dos homens.

O dragão não apreciou a ideia de se revelarem aos humanos, mas como era o seu legado protegê-los, concordou com a fênix. Contudo, o que nenhum deles sabia era de que Cerberus, ciente da união das duas criaturas, agiu primeiro e envenenou o coração dos homens com a ilusão do poder. Usando o vento e o sussurro, lhes contou que as cinzas de uma fênix eram capazes de conceder magia ao mais simples mortal.

Quando o dragão e a fênix chegaram até os representantes dos homens, foram atacados sem piedade. O dragão assistiu à fênix morrer e queimar diante dos seus olhos, enquanto os homens guerreavam para apanharem suas cinzas. Era o caos em sua mais pura essência. E desejou que os humanos fossem condenados. Jamais voltaria a proteger aquela raça ingrata.

O dragão urrou, cuspindo fogo para afastar os homens das cinzas restantes da fênix, e levantou voo, desaparecendo na escuridão.

Quando a lua alcançou seu zênite, houve-se o vazio. A mensagem omitida, as palavras não-ditas, o sangue derramado e não derramado consagraram-se nas histórias e lembranças acinzentadas dos devotos. Uma união entre seres tão diferentes jamais seria possível.

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