Por Nina Lopes
Estava desmontando minha barraca, com a ajuda de Leo, e pensando em tudo que tinha acontecido, em como tudo acontecera tão rapidamente. Meu Deus! Ainda nem era meia-noite, ou seja, o dia 31 de outubro nem tinha começado e uma pessoa já estava morta. Será que isso era um sinal para que fossemos embora enquanto havia tempo?
Não... No fundo algo me dizia que isso não resolveria. Somos donos das nossas escolhas e estar ali já nos colocava diante das consequências, aliás, alguns queriam ir para o colégio e outros preferiam ir embora. Como separar um grupo poderia dar certo? Estava nítido que não tínhamos mais volta, só restava saber qual grupo morreria primeiro...
E aquele segundo grito? De um homem. O que teria acontecido? Será que era mais alguma vítima? Não sabíamos, mas acho que foi mais um dos motivos para decidirmos sair dali, ou para o colégio ou tentar a sorte e voltar para casa. Além de termos apagado a fogueira para não chamar a atenção do assassino que nos cercava. Ficamos apenas com pequenas lamparinas espalhadas e o mais próximo possível. Mesmo assim, estava um breu.
Acabamos de desmontar nossa barraca e Leo foi ajudar outras pessoas para irmos embora mais rápido. Ele estava bastante silencioso e acho que a culpa era minha. A lenda era real e eu não quisera ouvi-lo e, por isso, estávamos ali, com a possibilidade de nos despedirmos de nossas vidas.
Sentei no tronco de árvore, antes ocupado por Gabriel, e peguei o livro preto. Ao meu lado, Bridgit estava ajudando Laura a limpar os machucados com a caixinha de primeiros socorros levada por Júlia. Ainda bem que não foi só eu quem pensou em levar uma.
— O que é esse livro? – Gabriel sentou ao meu lado no tronco e começou a olhar as folhas pretas junto comigo.
— Você também é jornalista? – perguntei algo que me parecia óbvio diante da sua atitude tão curiosa a ponto de sentar completamente à vontade ao lado de uma desconhecida. E ele simplesmente confirmou com a cabeça.
— Caramba! Todas as folhas são pretas. Coisa mais esquisita. – ele pegou minha lanterna e começou a mirar em pontos nas laterais das páginas.
— Também achei. Nunca vi algo assim. Nem na loja do Ben.
— Ah! A loja de antiguidades. – ele virou a lanterna na direção do meu rosto. — Ah, você é a funcionária dele.
— Vai me cegar assim. – ele abaixou a lanterna e riu.
— Desculpe.
— Ei! Acho que está querendo que eu te bata, não é? – Leo se aproximou e encostou o punho fechado na palma da outra mão. Acho que estava estalando os ossos.
— Mania de resolver as coisas na violência, cara. Não estou apaixonado por ela não. – ele continuou sentado e folheando o livro comigo. Ok! Acho que eu deveria me levantar. Sei que Gabriel não estava flertando comigo, mas Leo não parecia nada satisfeito com nossa proximidade física. Mas antes que o fizesse, a menina de bonitos olhos verdes, acho que seu nome era Jamie, falou algo interessante:
— E se precisar de um feitiço para ler esse livro? Pode ser isso.
— Ok! Depois lemos esse livro, agora já desmontamos todas as barracas e quanto antes formos, melhor. – Leo sugeriu e estendeu a mão para mim. Não pensei duas vezes antes de pega-la e enfiei o livro em minha bolsa.
— Acho melhor irmos todos juntos. – Laura sugeriu. — Quão idiota seríamos para nos separarmos?
— Além disso, o colégio é o lugar mais próximo. Temos mais chance de chegarmos lá vivos. – Leo comentou.
Uma conversa breve foi iniciada e o grupo que desejava ir embora era menor, por isso, acho que todos aceitaram a sugestão de não se separar. Íamos todos para o colégio.
Colocamos nossas mochilas nas costas e começamos a andar pela floresta na direção do palco daquelas tragédias. Que ideia mais louca, não é? Bem... pelo menos lá poderíamos nos trancar em uma sala qualquer e não sair até o dia primeiro.
Caminhávamos por entre as árvores, com nossas lanternas nas mãos, sem fazer barulho. Ninguém combinou que ficaríamos em silêncio, mas acho que o medo de sermos encontrados por quem quer que tenha matado Megan era comum. E foi tão de repente quanto o grito, tão de repente quanto à chegada de Laura que escutamos um tiro.
E mais outro...
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Moonlight Falls - A Cidade do Medo
Horror31 de outubro. Para muitos é apenas o dia das bruxas, mas para nós da cidade Moonlight Falls, é sinônimo de tragédias. Tudo começou há 5 anos com as duas primeiras mortes no Moonlight College e a cada 31 de outubro são sempre mais duas mortes. Mais...