Depois que Bree saiu, fiquei com um peso na consciência, mas não consegui me mover pra ir com ela. Diante de tudo que estava acontecendo, me senti impotente ali, vendo Peter daquele jeito e Megan, que já estava morta também... Um arrepio me cortou a espinha.
Olhei para o lado e todos discutiam o que seria feito a partir dali e parece que entrei numa espécie de transe: não conseguia raciocinar, parecia tudo muito sem nexo, senti náuseas subindo em minha garganta ao olhar para o Peter, um bolo também se formava querendo me sufocar. De repente meu coração disparou e sai correndo. Mike veio atrás de mim. Não conseguia enxergar nada direito, estava muito escuro.
Fui correndo sem rumo, pensando no sofrimento da minha melhor amiga, na minha covardia por não ter ido com ela.
Quando me dei conta estava dentro do colégio e comecei a ouvir o que parecia ser a voz da riquinha. Ela discutia com alguém. Fiquei escondida olhando por uma das janelas quebradas e fiz sinal para o Mike ficar sentado junto comigo.
Fala sério! Ela estava tentando comprar o cara ou seja lá o que estava com ela porque não conseguia ver direito. Minha visão estava embaçada devido ao esforço da corrida e à escuridão.
Senti um cheiro horrível muito forte.
Quando minha visão foi clareando consegui ver algo:
— Meu Deus... É a cabeça do segurança em cima da mesa... Nossa...
Tentei controlar a náusea que revirava meu estomago, devido ao cheiro forte de sangue. A riquinha agora gritava com sei lá o que, quando de repente eu olhei meio de soslaio e consegui ver que alguém, ou algo, segurava a cabeça dela depois de dizer algo que não entendi e cortou a garganta dela.
Aquilo foi demais pra mim. Dei um grito e sai correndo.
Nem sei onde deixei o Mike... Coitado! Tomara que a coisa não o ache, que ele volte para casa.
Corri o quanto minhas pernas aguentavam, me arranhei nos galhos, cai, bati a cabeça sei lá em que, mas não conseguia parar de correr. Foi quando senti que o chão faltava aos meus pés...
Não deu tempo nem de gritar e cai em um buraco fundo.
Acho que passaram alguns minutos até eu acordar. Olhei ao meu redor e vi que não era um buraco muito fundo, mas tinha algumas estacas em pontos estratégicos, se eu tivesse caído um pouco mais pra direita a estaca tinha entrado em meu peito.
Foi quando senti uma dor horrível no meu braço direito e na minha perna.
Quando olhei vi que em meus braços havia uma estaca fincada, uma em cada um. Tinha atravessado meus membros, eu via meus ossos e a dor...
Cara, doía muito.
Tentei me mexer, mas doía mais, foi quando ouvi uma voz que dizia entre risos.
— Hum... o que temos aqui, uma intrusa, pensei que já tinha me divertido o bastante com aquela zinha lá, mas enfim... meu ritual vai ganhar mais uma alma.
Cara, gelei, ainda mais não conseguindo ver a face de quem falava, só uma voz tipo vinda do além.
Estava com tanto medo e tanta dor que tentei conversar.
— Oi, desculpe, eu cai aqui, será que pode me ajudar agora, a sair, por favor...
Pedi entre soluços e quase sem voz de tanta dor.
— Claro, sua metida a palhaça, vou te ajudar, aliás, vou te ajudar a me ajudar, pois vou mandar sua alma para meus amiguinhos, é melhor do que eu podia esperar por hoje.
E deu uma risada sinistra.
Na boa... Nem consegui fazer piada, e o sei lá o que parecia que me conhecia. Estranho né?
Então ele, com uma força estranha, me levantou do buraco, sem dó nem piedade arrancou meus membros das estacas. Ficou carne lá, os ossos apareciam e a dor era alucinante.
Naquele momento, eu queria gritar mas não conseguia. Aquele bolo na garganta me sufocava. Ele me jogou nos ombros e me carregou até o colégio de novo, sem o mínimo de cuidado, minha cabeça ia batendo nos galhos, às vezes meu braço que já estava bem machucado enroscava nos galhos.
Passou algum tempo, acho que ele enjoou de ser legal (se é que aquilo era ser legal) e então ele me jogou no chão e foi me arrastando pelos cabelos até chegar onde jazia a cabeça do segurança e da Maria sei lá do que, ela estava com a boca tapada por uma fita, e tinha dinheiro por todo o lado misturado com sangue, ela estava amarrada pelos pés e mãos.
Eu não conseguia me mexer. Estava tremendo muito. Desejei que alguém me ajudasse naquele momento.
Mas sabia que, mesmo se gritasse, ninguém ouviria diante a escuridão e eu estava longe. Foi quando vi Mike vir correndo e morder o pé daquele monstro. Na hora ele pegou a faca de cima de mesa, me largou e foi para cima do Mike. Meu cachorro me olhou com um olhar de compaixão, vi que ele não queria me deixar, mas acenei com a cabeça para ele ir. Mike era esperto, na mesma hora correu com toda sua força e eu consegui gritar.
— Mike, vai pra casa garoto, eu te amo.
Só ouvi um uivo canino e as patas de Mike batendo no solo, garoto esperto, pelo menos ele ia se salvar, não tinha por que matar um animal indefeso.
Depois o vulto voltou e disse.
— Deixa aquele vira latas ir embora, pra nada me serve, eu quero alma humana.
Comecei a chorar e implorar que ele me soltasse, mas ele disse.
— Vou te soltar para a liberdade, a liberdade do corpo.
Risada sinistra de novo, cara, ele não se cansa de rir da desgraça alheia?!
Nisso ele pegou meu braço machucado e puxou para trás até que ele deslocasse por completo.
Eu gritei de dor, foi aí que ele pegou um estilete e disse:
— Você sempre quis ser palhaça vou fazer com você igual fizeram com o coringa.
Nisso rasgou minha boca dos lados, até chegar as minhas orelhas. Sangrava muito, doía pra caramba.
Depois ele disse palavras que não entendi parecia que falava em outra língua, me virou de rosto para ele, foi ai que eu vi aquele olhar sinistro.
— Chegou sua hora, sua palhaça. Agora você vai rir em outra vizinhança.
Dizendo isso cravou a faca no meu coração.
Depois daquilo nada mais vi, apenas a escuridão e a dor diminuindo.
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Moonlight Falls - A Cidade do Medo
Horror31 de outubro. Para muitos é apenas o dia das bruxas, mas para nós da cidade Moonlight Falls, é sinônimo de tragédias. Tudo começou há 5 anos com as duas primeiras mortes no Moonlight College e a cada 31 de outubro são sempre mais duas mortes. Mais...