Depois que Helena me consolou após meu choro e uma leve crise, eu
tranquei a porta do meu quarto e peguei algo embaixo do meu
travesseiro, que me causava um baita de um gatilho e até hoje não sei
porque eu pensei em levar isso para o hospital mas por algum motivo eu
tinha as fotos com Carol, a responsável pela realidade dos meus piores
pesadelos e o principal motivo de eu estar aqui.
Você deve pensar: "Nossa a Catarina foi horrível com sua namorada,
tentou matá-la, quebrou o carro dela, e bla bla bla", realmente, eu fui
uma namorada bem horrível com Carol, mas nosso relacionamento
nunca foi desses "normais", era normal eu ver batons, roupas de homens
e mulheres que dormiam em nossa casa(alugamos um apartamento e
estávamos morando juntas, ela fazia sua pós em psiquiatria e eu estava
estudando para os vestibulares e ainda decidindo se eu queria uma
faculdade de artes cênicas ou se virava tatuadora, já que eu amo
desenhar) e ela me colocava pra baixo, me chamando de todas as coisas
horríveis e já perdi a conta das vezes que liguei as minhas amigas
chorando porque eu não queria que minha família soubesse o inferno na
terra que eu estava passando, ou como apesar de todas as traições eu
ainda amava-a e esse sentimento talvez nunca pudesse passar...
Eu também gritava com ela e claro, nossas brigas eram extremamente
feias(A última antes da internação foi com faca e acabei cortando uma
orelha dela) e como deve saber, a única amante que eu descobri eu bati
nela feio e foi assim que eu acabei indo para esse lugar, onde sou
examinada, analisada, medicada, alimentada e todas as coisas com ada
que você pode imaginar e que um hospital faria com seu paciente.
Por todo esse ciclo de abuso que acabei entendendo depois de entrar
aqui, eu decidi tratar a todos mal, pois assim não me apaixonaria
novamente por ninguém...Até que Diana chegou.
Ela é uma funcionária antiga do Hospital, ela que me acorda de manhã
para tomar os remédios, é ela que me segura nas minhas crises de
bipolaridade, ela é meu porto seguro sem mesmo saber, apenas seria
impossível ocorrer algo, já que infelizmente ela é Hetero e mesmo assim,
do jeito que sou esse relacionamento nunca daria certo.
Helena tem me ajudado bastante a compreender meu interior, é com ela
que eu desabafo, é com ela que eu choro, é como se ela fosse um ombro
amigo para mim e quando ela vai embora é como se uma parte do meu
ser também fosse embora, não vejo a hora de aumentar de nível para que
eu possa conversar com as pessoas que sinto falta, como minha família e
claro, encher o saco da Helena porque afinal, amigas não são para isso?
Atrás dessa foto, tem um poema que escrevi no começo do namoro,
quando ainda era tudo normal.....
"Você é tipo O pensador do meu Gabriel,
Meu suéter em noites frias
Somos tão diferentes e mesmo assim tão completos
Te amo é uma palavra tão forte e é fraca para o que sinto
Você poderia por favor, estar ao meu lado para sempre
Quero ter todas as aventuras com você vou enxugar suas lágrimas em momentos tristes
ainda te dou chocolate na TPM
Que namorada mais perfeita,
você poderia pedir?
O brilho das estrelas se inspiraram em seu sorriso
As ondas do mar se inspiraram em seus cabelos
E no momento que eu te vi,
eu sabia que era sem saída
e quem liga?''
Se eu não me engano o poema era muito mais longo, mas por ele ser
antigo ele estava meio apagado e só deu para ler isso. Que namorada
romântica, não é mesmo?
Guardei aquela foto ainda debaixo do travesseiro, queria poder rasgá-la,
mas algo diz que vou precisar dela.
Parece que vou ter assuntos á resolver quando sair desse lugar.
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Paciente N°78880
Fiksi PenggemarHelena finalmente recebe seu emprego dos sonhos no hospital mais renomado em sua área, lá ela conhece Catarina, uma paciente que vivia trazendo confusão no hospital. Será que as duas irão se entender?
