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"Ela é filha do fogo..
Primeiro ela te queima, depois ela te beija, e é assim que você morre amor. É quem carrega o verão nos fios de cabelo, é quem recebeu o beijo do sol, é alma que transborda luz."
Já se perdeu algumas vezes no caminho, mas q...
Talvez não seja pra tanto, mas vocês a conhecem.. ela exagera até nas vírgulas.
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Ok. Talvez eu tenha saído um pouco dos limites.
Após aquele beijo inesperado eu não o vi de novo. Dias se passaram e minha angústia só aumentava cada vez mais. Não tinha ânimo para fazer nada, e isso me afetava aos poucos, essa tensão em não saber o que seria daqui pra frente..
Estava deitada na cama pensando mil besteiras e em como agi por puro impulso, e que talvez tenha fodido tudo. E já tinha aceitado o fato dele não vir atrás de mim, é óbvio que não iria.
Nós dois estamos errados e ninguém pode dizer ao contrário. Acho que ele até esqueceu do ocorrido e decidiu seguir a sua vida.. mas eu, eu acordo todos os dias com a sensação horrível que o tempo nunca vai passar.
Acredito que eu esteja pagando os meus pecados de três anos atrás, quando fui uma completa vadia inconsequente com ele. Eu devo merecer toda essa merda.
— Filha, que escuridão é essa? Não quer comer? O jantar está servido. — minha mãe adentrou no meu quarto ascendendo todas as luzes e eu cobri o rosto rápido.
— Não.. não sinto fome. — relutei.
— Stella, você não pode ficar sem comer. Vai te fazer mal, coma pelo menos um pouquinho filha.. — ela se aproximou e se sentou ao meu lado.
— Não.. — murmurei com a cara embrulhada.
— Stella. Você não é uma criança de quatro anos, vai tirar logo esse pijama e por uma roupa pra ir jantar! Agora.
— Mas eu não consigo. Não sinto fome, já falei.
— O que está havendo? Vai me contar ou quer que eu descubra?
— Você sabe o que aconteceu.. — eu me sentei na cama, respirando fundo.
— Já sei.. Felipe? — me olhou confusa já sabendo a resposta.
— Aham..— choraminguei e lágrimas começaram a cair dos meus olhos no mesmo minuto.
— Filha.. que isso! — ela me abraçou de lado e eu solucei. Chorava igual uma criança mimada, fazia dias que eu segurava esse choro desesperado.
E sinceramente não ligo, nunca liguei em chorar e desabar perto da minha mãe.. eu precisava disso.
— Não consigo parar de chorar! Que merda! — eu soltei um riso amargo e funguei o nariz, tentando me conter.
Minha mãe me olhava pavorosa. Ela nunca tinha me visto chorar tão sem rumo assim, ela só ficou me abraçando e tentando me consolar de algum modo.