Capítulo 23

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Lena esperou paciente diante da porta de madeira marrom da casa de Helena. Saiu cedo da casa dos pais, queria muito falar com a ex enquanto ainda estava na cidade.

— Lena? — Helena obviamente surpresa, lhe deu espaço para entrar. — Não sabia que estava na cidade.

— Cheguei ontem. — Esperou ela fechar a porta, quando ela o fez, segurou a mão de Helena. — Sinto muito por sua mãe.

Os olhos de Helena reagiram e lágrimas doloridas transbordaram.

— Não pude salva-la Lena, ela se foi e eu não pude fazer nada.

Lena conhecia bem o sentimento de impotência e como podia ser devastador.

— Tenho certeza que fez tudo o que pode. — Abraçou Helena e a deixou chorar. — Não se culpe.

— Como soube? — Helena se afastou um pouco e enxugou as lágrimas.

— Nora me contou. — Manteve a mão de Helena entre as suas. — Gostaria de ter vindo antes, mas não sabia.

Helena corou um tanto envergonhada.

— Desculpe eu devia ter avisado, mas não pensei com clareza naquele momento.

— Não se preocupe, é compreensível.

Helena lhe Indicou o sofá.

— A casa está um pouco fora de ordem, estou vendendo.

— Meu pai disse que você vai sair do país, é verdade?

Helena assentiu.

— Um curso de especialização, vai ser bom pra mim.

Em sua época de luto fez o mesmo, precisou de uma distância estratégica das pessoas a sua volta para poder encontrar a paz dentro de si mesma.

— Tenho certeza que sim, já sabe quando vai?

— No final do mês. Espero que até lá eu tenha conseguido vender a casa, mas seu pai ficou de me ajudar com o que precisasse caso não vendesse.

Oh, seu pai era uma homem incrível, claro que ele ajudaria.

— Se meu pai disse que ajuda, não precisa se preocupar com nada.

Helena sorriu ao pensar no ex-sogro e em todo apoio que recebeu dele e de Lillian.

— Seus pais sempre foram maravilhosos comigo, sinto que minha mãe não tenha sido assim com você.

Lena gesticulou com a mão.

— Isso não vem mais ao caso e para se justa com sua mãe, dei um pouco de trabalho durante nosso namoro. Você vivia comigo todo o tempo, era normal ela se irritar.

Helena abaixou o olhar sendo tomada pelas lembranças.

— Era mais que isso, minha mãe passou toda a vida se gabando de ter uma filha médica, mas nunca me apresentava sem antes me fazer prometer que eu não iria fazer algo pecaminoso. — Lena sentia a mágoa na voz de Helena e tinha presenciado momentos difíceis entre as ex e a mãe. — Nem sei se o que tínhamos era real, sinto-me mais acolhida por sua família que pela minha.

Lena sentia muito. Situações como a de Helena a faziam valorizar ainda mais seus pais, os dois sempre estiveram ao seu lado e os amava muito por isso.

— O que importa é que você esteve lá de corpo e alma para ela, se sua mãe não foi capaz de enxergar a maravilha que tinha em casa, não é você que tem que se sentir culpada.

Helena sentiu novamente uma lágrima rolar.

— Estou tão feliz que esteja aqui, é bom ter alguém como você por perto.

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