-Ela morreu a dois anos.
Kaylle pareceu se arrepender de ter perguntado. Ele se remexe, desconfortável, desviando o olhar nervosamente.
-Sinto muito.
Hilo dá de ombros, levantando os olhos para as estrelas e se deitando de costas no teto do carro, enquanto seus pequenos cachos loiros são esmagados pelo peso da sua cabeça. Kaylle secretamente imaginava qual seria a sensação de encaixar o dedo em uma das mechas encaracolados até ela se desfazer lentamente enquanto ele a puxava.
-Tudo bem. Depois que ela..
Hilo hesita por um segundo antes de prosseguir.
-Meu pai teve que aprender a cuidar da casa, de mim e da Tulipa, além de ter que trazer dinheiro pra dentro. Mas ei, ele até conseguiu derrotar a máquina de lavar. Já estávamos cansados de ver espuma nas roupas.
Kaylle ri, se deitando ao seu lado e observando o céu cintilante da madrugada.
-Incrível. Vocês devem dar muito trabalho para ele.
-Ah, não, ele é que nos dá...
Hilo vira a cabeça para encarar o garoto e cora quando uma inesperada onda de pensamentos invade sua mente. Ele imediatamente tenta parar de prestar atenção nos cílios longos, nos olhos âmbar, nos cabelos castanhos e no garoto em si, que admirava o céu como se tentasse escutar o segredo que as estrelas estavam contando. Mas desconectar seu olhar de algo que seu cérebro quer continuar encarando é difícil. Após alguns segundos silenciosos, ele gagueja, perdendo o final da frase e se esquecendo completamente do que estava dizendo.
-E-eu..eu...é.
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Fiapos
OverigFiapos de histórias inacabadas jogadas ao universo sem saberem seu final. Não necessariamente conectadas, as vezes nem eu mesma conheço-as completamente. Vêm como um turbilhão, as vezes de uma música, as vezes de uma madrugada.
