10:30_Sexta-Feira- Rio de Janeiro
"Quando a dor é muito grande, o sofrimento é silencioso"
Beatriz narrando:
Vou o caminho todo falando com ela, ela é tagarela e gosta de falar muito sobre comida, igualzinha a mim.
Alice: Titia, enquanto a minha mamãe não volta do céu, eu posso ficar com você?
Beatriz: Claro que pode meu amor, a titia vai amar cuidar de você
Alice: A minha mamãe nunca ficou longe de mim, ela tem medo de me perder
Beatriz: Sua mãe te ama muito né meu amor?
Alice: Sim titia, e minha mamãe falou que quando eu "clescer" eu vou ser linda igual a ela
Beatriz: Imagino meu amor
Alice: Titia você tem "namolado"?
Beatriz: Tenho sim meu amor- pego mostro uma foto dele pra ela- Você pode conhecer ele hoje
Alice: Ele te bate titia?
Beatriz: Não, porque?
Alice: Seu "namolado" não é mau igual o da minha mamãe?
Beatriz: Não meu amor, ele é bom
Alice: Você acha que ele vai gostar de mim?
Beatriz: Sim meu amor, ele adora crianças
Alice: Que bom vou ter mais uma pessoa "pla" "blincar" comigo
Chegamos no escritório do meu pai, e sinceramente estou com medo da reação dele. Ele odeia crianças, mas espero que ele entenda o meu lado.
Pego minha bolsa e depois pego a Alice no colo. Meu coração está batendo forte, sabe aquela sensação de sufoco? estou com ela agora. Paro na recepção.
Beatriz: Olá moça, tudo bem?
-Olá senhora Beatriz, seu pai já está te esperando, pode subir.
Beatriz: Obrigada- Vou em direção ao elevador
Alice: Titia, você está "tum" medo?
Beatriz: Não meu amor- Dou um beijinho na testa dela
Chego no andar do escritório do meu pai e peço para a recepcionista ficar com a Alice.
Beatriz: Oi papai, cheguei
Marcos: Você está atrasada- Diz em tom de reprovação
Beatriz: Desculpa, aconteceu um acidente no transito hoje
Marcos: Isso não é desculpa
Beatriz: Tinha uma criança precisando da minha ajuda!
Marcos: É da sua família? - Nego com a cabeça- Você tem que se dedicar a sua família e não a pessoas estranhas
Beatriz: Era uma menininha, ela estava assustada e precisava de ajuda. Ela está sem ninguém.
Marcos: Não me diz que você está com ela aqui, ela é uma estranha Beatriz
Beatriz: Ela é uma criança! ela estava sozinha, sem ninguém pra cuidar dela
Marcos: Você precisa ser mais responsável Beatriz
Beatriz: Eu sou responsável
Marcos: Não parece, não sei como o Gabriel ainda te aguenta- Doeu ouvir aquilo, mas eu já estava acostumada
Beatriz: Você me chamou aqui pra isso?
Marcos: Te chamei pra avisar que a partir de amanhã, você não mora mais debaixo do meu teto
Beatriz: O que?- digo sem acreditar- Por que?
Marcos: Você precisa ser mais responsável
Beatriz: E por isso você resolveu me expulsar de casa? eu não tenho aonde morar- Digo gritando com ele
Marcos: Dá seus pulo, já te aguentei por vinte anos
Beatriz: Pode ficar tranquilo, você nunca mais vai me ver
Marcos: Espero que não mesmo
Saio dali batendo a porta, vou até a recepção e pego a Alice que estava brincando com a recepcionista. Vou até o carro do motorista e ele dá partida.
Alice: Titia, seu papai te bateu?
Beatriz: Não meu amor- Dou um beijinho na testa dela e tento segura o choro- Vamos passar na padaria pra comer, depois na minha casa pra pegar as minhas coisas, em seguida vamos arrumar os papeis pra você passar um tempo com a titia e depois vamos pra casa do namorado da titia ok?
Alice: Ok titia- Ela me olha e deixo escapar uma lagrima sem querer- Você está dodói titia?
Beatriz: Só um pouquinho
Alice: Aonde está doendo titia?
Beatriz: No meu coração- Ela da um beijinho
Alice: A minha mamãe disse que um beijinho cura tudo
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No alto do morro
Ficção AdolescenteApós pegar seu namorado a traindo com sua amiga, ela decide se dedicar a menininha Alice. Ela acaba fazendo novas amizades, depois de uma briga feia com o seu pai ela decide se mudar para o morro. Ele dono do morro, perdeu sua mulher durante uma inv...
