Capítulo cinco

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10:30_Sexta-Feira- Rio de Janeiro

"Quando a dor é muito grande, o sofrimento é silencioso"

Beatriz narrando: 

Vou o caminho todo falando com ela, ela é tagarela e gosta de falar muito sobre comida, igualzinha a mim. 

Alice: Titia, enquanto a minha mamãe não volta do céu, eu posso ficar com você?

Beatriz: Claro que pode meu amor, a titia vai amar cuidar de você

Alice: A minha mamãe nunca ficou longe de mim, ela tem medo de me perder

Beatriz: Sua mãe te ama muito né meu amor?

Alice: Sim titia, e minha mamãe falou que quando eu "clescer" eu vou ser linda igual a ela

Beatriz: Imagino meu amor

Alice: Titia você tem "namolado"?

Beatriz: Tenho sim meu amor- pego mostro uma foto dele pra ela- Você pode conhecer ele hoje

Alice: Ele te bate titia?

Beatriz: Não, porque?

Alice: Seu "namolado" não é mau igual o da minha mamãe?

Beatriz: Não meu amor, ele é bom

Alice: Você acha que ele vai gostar de mim?

Beatriz: Sim meu amor, ele adora crianças

Alice: Que bom vou ter mais uma pessoa "pla" "blincar" comigo

Chegamos no escritório do meu pai, e sinceramente estou com medo da reação dele. Ele odeia crianças, mas espero que ele entenda o meu lado. 

Pego minha bolsa e depois pego a Alice no colo. Meu coração está batendo forte, sabe aquela sensação de sufoco? estou com ela agora. Paro na recepção.

Beatriz: Olá moça, tudo bem?

-Olá senhora Beatriz, seu pai já está te esperando, pode subir.

Beatriz: Obrigada- Vou em direção ao elevador

Alice: Titia, você está "tum" medo?

Beatriz: Não meu amor- Dou um beijinho na testa dela

Chego no andar do escritório do meu pai e peço para a recepcionista ficar com a Alice. 

Beatriz: Oi papai, cheguei

Marcos: Você está atrasada- Diz em tom de reprovação

Beatriz: Desculpa, aconteceu um acidente no transito hoje

Marcos: Isso não é desculpa

Beatriz: Tinha uma criança precisando da minha ajuda!

Marcos: É da sua família? - Nego com a cabeça- Você tem que se dedicar a sua família e não a pessoas estranhas

Beatriz: Era uma menininha, ela estava assustada e precisava de ajuda. Ela está sem ninguém.

Marcos: Não me diz que você está com ela aqui, ela é uma estranha Beatriz

Beatriz: Ela é uma criança! ela estava sozinha, sem ninguém pra cuidar dela

Marcos: Você precisa ser mais responsável Beatriz

Beatriz: Eu sou responsável

Marcos: Não parece, não sei como o Gabriel ainda te aguenta- Doeu ouvir aquilo, mas eu já estava acostumada

Beatriz: Você me chamou aqui pra isso?

Marcos: Te chamei pra avisar que a partir de amanhã, você não mora mais debaixo do meu teto

Beatriz: O que?- digo sem acreditar- Por que?

Marcos: Você precisa ser mais responsável

Beatriz: E por isso você resolveu me expulsar de casa? eu não tenho aonde morar- Digo gritando com ele

Marcos: Dá seus pulo, já te aguentei por vinte anos

Beatriz: Pode ficar tranquilo, você nunca mais vai me ver

Marcos: Espero que não mesmo

Saio dali batendo a porta, vou até a recepção e pego a Alice que estava brincando com a recepcionista. Vou até o carro do motorista e ele dá partida.

Alice: Titia, seu papai te bateu?

Beatriz: Não meu amor- Dou um beijinho na testa dela e tento segura o choro- Vamos  passar na padaria pra comer, depois na minha casa pra pegar as minhas coisas, em seguida vamos arrumar os papeis pra você passar um tempo com a titia e depois vamos pra casa do namorado da titia ok?

Alice: Ok titia- Ela me olha e deixo escapar uma lagrima sem querer- Você está dodói titia?

Beatriz: Só um pouquinho

Alice: Aonde está doendo titia?

Beatriz: No meu coração- Ela da um beijinho

Alice: A minha mamãe disse que um beijinho cura tudo

No alto do morroOnde histórias criam vida. Descubra agora