"Don't wait"

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Mavis não dormira aquela noite, tudo por causa das dores quase insuportáveis que sentia no rosto e cabeça. Patch estava certa quando disse que pioraria, contudo, Mavis não imaginou que fosse tanto. Para ocupar a mente, decidiu fazer o café da manhã – estava tendo um bom desempenho no mingau que fazia especialmente para Cinco. Quando, sem intenção, deixou uma frigideira cair.

O barulho foi alto, ecoando por todo lugar. Não demorou muito para escutar resmungos do garoto que há pouco estava alcoolizado. – Você pode não fazer barulho? Ao menos uma vez!

– Ah, me desculpe... Você está com dor de cabeça? – o cinismo transbordava nas palavras da loira.

– É, aparentemente meu corpo de dezesseis sofre com isso.

Mavis sorriu, deixando a frigideira cair, dessa vez de propósito. – Opa!

Cinco se viu indignado com tal afronta, forçou os olhos para encara–la e quase teve um infarto; Mavis usava uma camiseta preta Slipknot, apenas isso. Batia na metade de suas coxas, Cinco desejou não ter parecido tão desconcertado quando desviou os olhos. Diferente de outras vezes, Mavis não usava maquiagem e nem penteados, os hematomas estavam ainda mais visíveis do que ele lembrava. Cabelos úmidos escorriam pelas costas da garota. – Onde eu estou?

– Papai te trouxe – respondeu ela dando de ombros. – Eu deixei um comprimido para dor e um copo d'água na escrivania.

Cinco olhou, notando que estava falando a verdade. – Obrigado – se permitiu agradecer antes de ingerir o remédio. – E onde ele está?

– Nem eu sei, ele geralmente sai para correr ou sei lá – ele queria muito parar de olhar para pontos aleatórios como um idiota, mas qualquer coisa era menos constrangedora do que encarar Mavis.

– Você está bem? – perguntou, percebendo conscientemente os vários machucados em seus rosto.

– Não muito, uma maluca me arrebentou com uma faca no ombro – revelou, parecendo levemente indignada. Agora se aproximava mais de Cinco, com uma tigela em mãos. – Ainda conseguiu quebrar o meu nariz – relatou com monotonia. Não que fosse algum tipo de espiã durona, porém, era uma criança travessa e vivia quebrando ossos durante a infância.

O sentimento de ódio começava a crescer aos poucos no peito de Cinco, aos poucos, fazendo ele não perceber o quanto queria acabar com Cha–Cha por ter encostado em Mavis. Estava lá, mas ele nem percebia. – Isso é para você – encarou o mingau, pendendo a cabeça para o lado num ato sarcástico.

– Prove primeiro.

Mavis riu debochada. – Se eu quisesse te matar, teria feito quando estava dormindo.

Estreitou os olhos em falsa desconfiança. – Ok, vou acreditar – sentou e tomou em mãos o recipiente. – O que é isso no seu cabelo? – sem esperar a resposta, enfiou uma colherada cheia na boca, apreciando o bom gosto que tinha.

Mavis riu sem jeito. – Nada demais, coisa de adolescente. Você não entenderia.

– É, porque ficou horrível – fez pouco caso.

– O que achou? – indagou ela, sobre o mingau, quase ansiosa.

– Está bom, vai ser uma ótima esposa – resmungou, mesmo desconfiando levemente que a fome estava falando mais alto.

Mavis fez careta. – Eu não pretendo me casar, mas obrigada.

Cinco também não duvidou, afinal, quem seria o doido de casar com Mavis?

– E eu duvido que esteja realmente bom; parece cimento daqui.

– Experimenta, então – ergueu a colher na frente do rosto da loira.

Under My UmbrellaOnde histórias criam vida. Descubra agora