16 de julho 2020 quinta 19:54

94 6 1
                                        

Não sei se de fato há coisas importantes pra escrever aqui, mas sinto como se eu precisasse colocar algo pra fora e nem mesmo sei o que é, a verdade é que existe um medo, um medo que guardo a sete chaves, um medo de ser como ela é.

hereditário é apenas uma palavra mas a temo secretamente.
esquizofrenia é hereditário ou seja eu posso simplesmente herdar isso dela e as vezes penso que isso já faz parte de mim a muito tempo penso que não há pra onde fugir, eu sempre senti como se houvesse algo fora de lugar aqui dentro como se algo dentro de mim estivesse quebrado e o meu maior medo é:
E se isso nunca tiver concerto e essa for a minha punição por ser uma péssima filha que não se importa tanto quanto deveria com uma mãe doente, mesmo que talvez na esperança de que se ignorasse o fato dela ser doente e não apenas uma péssima mãe isso simplesmente sumisse com o tempo e tudo voltasse aos eixos, mas no fundo eu sei, sei que é totalmente louco esperar que ignorar algo faça aquilo simplesmente não existir mais e deixar de ser algo real, mas eu não consigo evitar, eu não sei exatamente em qual ponto as coisas desandaram talvez já estivessem assim muito antes que eu fizesse parte disso talvez tudo já fosse exatamente assim: extremamente confuso e perturbador,
Mas então porque parece ser tão mais fácil pra todos os outros que pertencem a outro lugar que não esse? porque tudo tem que ser sempre tão D.I.F.I.C.I.L assim pra mim, porque.. será que de fato existe essa tal divindade suprema? e se existe porque eu? Será que ele simplesmente olha pra cada um e decide que será melhor se aquela pessoa tiver uma vida difícil pra caralho? Porque se é assim que funciona talvez ele tenha estrapolado comigo.
E eu tenho consciência de que existem pessoas em situações piores que as minhas, mas é difícil.
As vezes sinto como se nada do que sou ou fiz pudesse ser mudado, como se todas as minhas escolhas tivessem me levado a me tornar exatamente essa pessoa incapaz de mudar e de pegar novos caminhos, como se tudo tivesse me levado a um estado de comodidade extrema onde aquelas mil versões de mim mesma tenham se perdido a uns dez anos atrás e como se eu nunca mais pudesse me reinventar desde então.
E eu posso ver vagamente meu futuro por esse longo e tedioso caminho e as vezes penso que posso mudar mas na maioria das vezes o consentimento de que talvez fracassar mil vezes no final me torne apenas isso: um fracasso maior do que o atual.
E eu sigo apenas pelo caminho da comodidade como se nada fosse capaz de me atingir,
Enquanto tudo me atinge.
20:08

AngústiaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora